sábado, 26 de maio de 2012
A Marcha das Vadias e a Mercantilização do corpo e vida das mulheres
Passado um ano dessa movimentação é preciso refletir tanto sobre as formas como o capitalismo e o patriarcado mercantilizam a vida e o corpo das mulheres, como os instrumentos de resistências aos quais dispomos. Essa segunda tarefa passa por perceber que, muitas vezes, a violência contra as mulheres precisa de uma resposta rápida e incisiva, como se deu com a Marcha das Vadias, mas que seu enfrentamento deve ser um processo cotidiano, que vai além de um evento.
Desde o final dos anos 70, o conjunto do movimento de mulheres, através da insígnia “nosso corpo nos pertence”, buscou questionar as imposições do patriarcado sobre a autonomia das mulheres – questão de fundo da Marcha das Vadias. Essa bandeira tem significado a luta das mulheres pelo direito de viver a sua sexualidade livremente, a luta por autonomia sobre o corpo e a vida, desde o exercício autônomo do desejo e do direito ao prazer, à legalização do aborto.
Retomamos esta luta, aprofundando a compreensão da sua dimensão anti-capitalista, uma vez que denunciamos como a sociedade de mercado impõe padrões de beleza racistas e sexistas e como o mercado difunde uma ideia do corpo das mulheres como objeto - em constante ajuste, retoque, conserto. As indústrias farmacêuticas e cosméticas acumulam lucros estrondosos, à custa da propagação da insegurança das mulheres, gerando, além de tudo, graves doenças como os distúrbios alimentares.
A associação entre capitalismo e patriarcado, que transforma as mulheres em objetos, está no centro da violência sexista. O Brasil possui o sétimo maior índice de homicídios de mulheres do mundo. Essas mulheres são assassinadas, muitas vezes, porque não se calaram diante de situações de violência ou porque exerceram sua autonomia. Conforme aponta pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2010), a cada dois minutos 5 mulheres são espancadas no país, a cada minuto 5 mulheres sofrem assédio sexual, e a cada hora 220 mulheres são obrigadas a ter relações sexuais forçadas.
Essa situação de extrema objetificação da mulher está expressa no indignante caso de violência machista e sexista ocorrido no município de Queimadas no estado da Paraíba. Um estupro coletivo de cinco mulheres, sendo duas delas, assassinadas brutalmente por dez homens durante uma festa realizada por eles com o intuito de “presentear” o aniversariante com o estupro dessas mulheres. Este foi um ato de extremo machismo e misoginia pelo nível de crueldade, violência e desprezo pela vida das mulheres, derivados de um clima de terror que gera a perseguição e morte, caracterizados pelo abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual, espancamentos. Este crime bárbaro precisa ser punido com todo rigor da lei!
Além disso, a prostituição continua sendo vista por muitos como uma forma de viver a sexualidade. Para nós, ela representa a mercantilização, violência e subjulgação as quais as mulheres são submetidas. Sabemos que a indústria do sexo é um setor internacionalmente articulado, que gera lucros enormes e é associado ao tráfico de drogas, armas, corrupção e esquemas de crime organizado e sobrevive da exploração massiva do corpo de mulheres e crianças. Somos solidárias às mulheres que são vítimas dessa forma de exploração da sociedade patriarcal, mas é preciso perceber que a prostituição só existe em um sistema que se articula em torno da subordinação das mulheres e, portanto, não produz nada relacionado à liberdade e autonomia, ao contrário, a mulher se encontra escravizada por uma rede mercantilizada de controle do seu corpo e da sua vida. Essas redes funcionam como organizações criminosas que traficam e escravizam na sua maioria mulheres jovens negras entre 17 e 27 anos.
Essas formas materiais e simbólicas que constituem a opressão das mulheres na conjuntura atual revelam a necessidade de formas de mobilização e instrumentos de resistência que ultrapassem os limites da Marcha das Vadias. Essa resistência tem sido forjada há anos pelo conjunto dos movimentos de mulheres, pela articulação de mulheres nos movimentos mistos e pelas alianças entre movimentos que tem na sua base a luta por outro sistema. Não é possível “resolver” a opressão das mulheres, nos auto-intitulando “todas vadias”. Mas é preciso aprender com as novas formas de articulação, potencializadas pelas tecnologias da informação e comunicação, atualizando nossas formas de ação.
É preciso reafirmar a importância da auto-organização e resistência das mulheres para construção de um mundo baseado na igualdade, na solidariedade e livre de violência. É preciso fortalecer a nossa luta cotidiana contra a mercantilização das mulheres.
Negamos a falsa liberdade, oferecida pelo mercado, que se encerra unicamente na ideia de não ter impedimentos para a ação. Esta idéia está na base da banalização da sexualidade, tornando-a mais um produto a serviço dos lucros. Temos que ir além disso. É preciso construir a liberdade como condição necessária para a igualdade e como condição da autonomia tanto coletiva como individual das mulheres. Somente a partir desta compreensão é que faz sentido seguir em marcha até que TODAS sejamos livres!
Assim, estamos em constante luta para que as mulheres não sejam caracterizadas como vadias por sair dos padrões de comportamento, nem como qualquer outro símbolo que as menospreze e as diminua. Reafirmamos o direito de todas as mulheres viverem livre de estigmas, estereótipos, violência e exploração!!!
Marcha Mundial das Mulheres
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Ensaio da Batucada nesta quinta (24)!
ENSAIO DA BATUCADA FEMINISTA
Quinta, 24 de maio, 17h, no Sindicato dos Bancários (Rua 28 de setembro, próx à Doca).
Lugar de mulher é onde ela quiser!
terça-feira, 22 de maio de 2012
O que está em jogo na Rio+20
A um mês da conferência das Nações Unidas Rio+20, os povos do mundo não veem resultados positivos no processo de negociação que está ocorrendo na conferência oficial. Ali não se está discutindo um balanço do cumprimento dos acordos alcançados na Rio 92, ou como mudar as causas da crise. O foco da discussão é um pacote de propostas enganosamente chamado de “economia verde” e a instauração de um novo sistema de governo ambiental internacional que o facilite.
A verdadeira causa estrutural das múltiplas crises é o capitalismo, com suas formas clássicas e renovadas de dominação, que concentra a riqueza e produz desigualdades sociais, desemprego, violência contra o povo e a criminalização de quem os denuncia. O sistema de produção e o consumo atual – representados por grandes corporações, mercados financeiros e os governos que garantem sua manutenção – produzem e aprofundam o aquecimento global e a crise climática, a fome e a desnutrição, a perda de florestas e da diversidade biológica e sócio-cultural, a contaminação química, a escassez de água potável, a desertificação crescente dos solos, a acidificação dos mares, a grilagem de terras e a mercantilização de todos os aspectos da vida nas cidades e no campo .
A “economia verde”, ao contrário do que o seu nome sugere, é outra fase da acumulação capitalista. Nada na “economia verde” questiona ou substitui a economia baseada no extrativismo de combustíveis fósseis, nem os seus padrões de consumo e produção industrial. Essa economia estende a economia exploradora das pessoas e do ambiente para novas áreas, alimentando assim o mito de que é possível o crescimento econômico infinito.
O falido modelo econômico, agora disfarçado de verde, pretende submeter todos os ciclos vitais da natureza às regras do mercado e ao domínio da tecnologia, da privatização e da mercantilização da natureza e suas funções. Assim como dos conhecimentos tradicionais, aumentando os mercados financeiros especulativos através dos mercados de carbono, de serviços ambientais, de compensações por biodiversidade e o mecanismo REDD+ (Redução de emissões por desmatamento evitado e degradação florestal).
Os transgênicos, os agrotóxicos, a tecnologia Terminator, os agrocombustíveis, a nanotecnologia, a biologia sintética, a vida artificial, a geo-engenharia e a energia nuclear, entre outros, são apresentados como “soluções tecnológicas” para os limites naturais do planeta e para as múltiplas crises, sem abordar as causas verdadeiras que as provocam.
Além disso, se promove a expansão do sistema alimentício agroindustrial, um dos maiores fatores causadores das crises climáticas, ambientais, econômicas e sociais, aprofundando a especulação com os alimentos. Com isso se favorece os interesses das corporações do agronegócio em detrimento da produção local, campesina, familiar, dos povos indígenas e das populações tradicionais, afetando a saúde de todos.
Como uma estratégia de negociação na conferência Rio+20, alguns governos de países ricos estão propondo um retrocesso dos princípios da Rio 92, como o princípio de responsabilidades comuns e diferenciadas, o princípio da precaução, o direito à informação e participação. Estão ameaçados direitos já consolidados, como os dos povos indígenas e populações tradicionais, dos camponeses, o direito humano à água, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos imigrantes, o direito à alimentação, à habitação, à cidade, os direitos da juventude e das mulheres, o direito à saúde sexual e reprodutiva, à educação e também os direitos culturais.
Está se tentando instalar os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que serão utilizados para promover a “economia verde”, enfraquecendo ainda mais os já insuficientes Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
O processo oficial propõe estabelecer formas de governança ambiental mundial que sirvam como administradores e facilitadores desta “economia verde”, com o protagonismo do Banco Mundial e outras instituições financeiras públicas ou privadas, nacionais e internacionais, que irão incentivar um novo ciclo de endividamento e ajustes estruturais disfarçados de verde. Não pode existir governança global democrática sem terminar com a atual captura corporativa das Nações Unidas.
Repudiamos este processo e conclamamos todos para que venham fortalecer as manifestações e construções de alternativas em todo o mundo.
Lutamos por uma mudança radical no atual modelo de produção e consumo, consolidando o nosso direito para nos desenvolvermos com modelos alternativos com base nas múltiplas realidades e vivências dos povos, genuinamente democráticas, respeitando os direitos humanos e coletivos, em harmonia com a natureza e com a justiça social e ambiental.
Afirmamos a construção coletiva de novos paradigmas baseados na soberania alimentar, na agroecologia e na economia solidária, na defesa da vida e dos bens comuns, na afirmação de todos os direitos ameaçados, o direito à terra e ao território, o direito à cidade, os direitos da natureza e das futuras gerações e a eliminação de toda forma de colonialismo e imperialismo.
Conclamamos todos os povos do mundo a apoiarem a luta do povo brasileiro contra a destruição de um dos mais importantes quadros legais de proteção às florestas (Código Florestal), o que abre caminhos para mais desmatamentos em favor dos interesses do agronegócio e da ampliação da monocultura; e contra a implementação do mega projeto hidráulico de Belo Monte, que afeta a sobrevivência e as formas de vida dos povos da selva e a biodiversidade amazônica.
Reiteramos o convite para participação na Cúpula dos Povos que se realizará de 15 a 23 de junho no Rio de Janeiro. Será um ponto importante na trajetória das lutas globais por justiça social e ambiental que estamos construindo desde a Rio-92, particularmente a partir de Seattle, FSM, Cochabamba, onde se têm catapultado as lutas contra a OMC e a ALCA, pela justiça climática e contra o G-20. Incluímos também as mobilizações de massa como Occupy, indignados, a luta dos estudantes do Chile e de outros países e a primavera árabe.
Convocamos todos para que participem da mobilização global de 5 de junho (Dia Mundial do Ambiente); da mobilização do dia 18 de junho, contra o G20 (que desta vez se concentrará no “crescimento verde”) e na marcha da Cúpula dos Povos, no dia 20 junho, no Rio de Janeiro e no mundo, por justiça social e ambiental, contra a “economia verde”, a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns e dos direitos dos povos.
Rio de Janeiro, 12 de maio de 2012
Grupo de Articulação Nacional e Internacional da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental*.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Nota de repúdio à violência sexista no município de Queimadas na Paraíba
Nós, da Marcha Mundial de Mulheres, conscientes de que é preciso mudar o mundo e a vida das mulheres, expressamos toda nossa indignação com o caso de violência machista e sexista ocorrido no município de Queimadas no estado da Paraíba. O estupro coletivo de cinco mulheres, sendo duas delas, assassinadas brutalmente por dez homens durante uma festa realizada por eles com o intuito de “presentear” o aniversariante com o estupro dessas mulheres,” foi um episódio revoltante, que não encontra em nosso vocabulário uma palavra capaz de traduzi-lo. Este revelou o cúmulo da objetificaçao da mulher, considerada um objeto descartável, ou seja: as mulheres perderam a condição de seres humanas. este crime bárbaro precisa ser punido com todo rigor da lei.” . Este e outros crimes como de Elisa Samudio, Márcia Nakagina são exemplos que assustam pelo nível de crueldade e banalização da violência.
Por isto, denunciamos essa violência como resultado de uma sociedade machista e patriarcal e misógina, onde o corpo e a vida das mulheres são vistos como um elemento a ser dominado. Neste sentido, sempre reforçamos: é preciso mudar o mundo para que a vida das mulheres mude, para que as mulheres não sofram mais as conseqüências desse modelo de sociedade machista e patriarcal onde suas vidas são ceifadas pela violência sexista e tratadas como mercadoria e presente.
Não cansaremos na denúncia e cobrança por justiça, pois atos como estes não serão aceitos pela sociedade, para que a igualdade e liberdade permeiem a vida das mulheres em sua plenitude. Neste contexto, dizemos não à ameaça dos que querem calar o grito das mulheres de Queimadas por justiça. Se ainda existem casos abafados de violência contra as mulheres neste município paraibano, que seja investigado incansavelmente e determinado as devidas punições dos criminosos que aterrorizam a vida das mulheres, para que nenhuma mulher venha a sofrer a dor provocada pelo machismo, nem seja estuprada, nem assassinada.
Não basta apenas constatar que este caso foi um caso de violência na sociedade paraibana e sim é preciso reconhecer que este é um crime cometido pelo machismo instalado por este modelo de sociedade capitalista e patriarcal vigente. Quando dizemos que o machismo mata, vai além de palavra de ordem ou teorias, mais uma realidade onde os crimes de ódio e a banalização da violência têm sido uma triste marca , o que coloca o Brasil em 12 lugar de pais em números de assassinatos .
Até abril deste ano, já foram assassinadas 41 mulheres na Paraíba sendo 26 por crimes machistas e sexistas e 15 por suposto envolvimento com drogas é devido a essa realidade que se faz necessário e urgente, que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência contra a mulher dê uma atenção especial a Paraíba e para o caso de Queimadas, pois a omissão do estado compromete a segurança das mulheres.
Este é um momento importante para denunciarmos todas as formas de violências feitas às mulheres, o tráfico de mulheres e meninas, as violências físicas, morais e psicológicas, o assédio sexual, o estupro, como formas de exercer o poder de sexo, classe e raça sobre o corpo e a autonomia da vida das mulheres, como também, o fim da impunidade de todos esses criminosos.
Também denunciamos as violências já naturalizadas na nossa sociedade, como a tripla jornada de trabalho diários das mulheres, seus empregos precarizados, a invisibilidade do trabalho doméstico no campo e na cidade, a diminuição de investimentos em políticas publicas pelo Estado e em equipamentos sociais que garantam às mulheres creches de qualidade, cozinhas comunitárias, lavanderias públicas, o que resulta na utilização da mão-de-obra de outras mulheres no trabalho doméstico e de cuidados.
É importante reforçarmos e cobrarmos, que os mecanismos de políticas para às mulheres sejam prioridades nos orçamentos precários e vergonhosos das políticas sociais, e que se tornem de Estado no enfrentamento e combate às violências sofridas pelas mulheres, para que facilite na transição da transformação da estrutura socioeconômica - cultural machista, lesbofóbica, racista e patriarcal vigente.
Queremos um mundo onde as mulheres e os homens sejam livres em seus direitos, que só é possível pelas vias da igualdade, permitindo que as mulheres rumem ao exercício pleno de sua autonomia pessoal, social, política, econômica, cultural e sexual.
Nos identificamos e reconhecemos na historia da humanidade, os esforços de todas as mulheres do mundo na luta contra a violência sexista que é também uma violência de classe, onde os mais ricos exercem sobre as mais pobres seu poder de dominação e exploração.
A opressão e exploração sofrida por cada mulher, interessa a todas nós. Por um mundo sem violência contras as mulheres!
SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!
São Paulo, 24 de abril de 2012.
NºORD. ORGANIZAÇÕES QUE APOIAM
001- Marcha Mundial das Mulheres
002- Assembléia Popular na Paraíba
003- Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB
004- Frente Paraibana em defesa da Terra, dos Povos e das Águas do Nordeste
005- SINTEF
006- Consulta Popular
007- Comissão Pastoral da Terra – CPT
008- Programa Escola Zé Peão - SINTRICON – UFPB
009- SINTRICON
010- Movimento dos Sem Terra - MST
011- ARCIDE – Ação pelo Respeito e Cidadania da Diversidade
012- Associação de Cultura e Rock do Sertão - ACRS/PB
013- Grupo de Mulheres Lésbicas Maria Quiteria
014- Centro Comunitário Bom José – Pastoral do Menor
015- LEPEL /PB
016- Rede de Educação Cidadã – RECID
017- ADESPVIDA
018- Levante Popular da Juventude
019- Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD
020- Movimento Negro de Sape
021- Movimento do Espírito Lilás – MEL
022- Fórum de Juventude de Sape
023- Mulheres de Mãos Dadas
024- Movimento das Comunidades Populares – MCP/UJP
025- Assoc. Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias – ASPPAH
026- Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial – FOPPIR
027- Sindicato dos Trabalhadores Rurais
028- Tribunal Popular da Terra
029- Dgnitatis
030- Rede Nacional de Advogados Populares/PB
031- Associação Santos Dias
032- SINTER – PB
033- Fórum em Defesa da Agricultura Familiar e Reforma Agrária
034- Movimentos dos Pequenos Agricultores – MPA
035- CAPS Caminhar/Associação Caminhando
036- INTECAB/PB
037- Casa de Mulheres Renasce Companheiras
038- Associação de Deficientes e Familiares – ASDEF
039- JPT/Mulheres e LGBT
040- Fórum Estadual em Defesa do SUS e Contra as Privatizações
041- Grupo Flor Flor Estudos de Gênero – UEPB
042- Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – ABRAÇO – PB
043- Rede Afro/Movimento LGBT
044- Terra Livre – Movimento Popular do Campo e da Cidade
045- Fórum Estadual LGBT
046- Pastoral Afro
047- Sindicato das Trabalhadoras Domesticas
048- CRESS/PB
049- GAPEV – Grupo de Ação Pela Vida
050- CEMAR – Centro de Educação Integral Margarida Pereira da Silva
051- GVP – Gayrreiros do Vale do Paraíba
052- PJR/RJNE
053- Associação Comunitária Casa Branca
054- Comunidade Santa Clara – Castelo Branco
055- ACIS/ Pastoral da Criança e Grupo de Mulheres Com. Gervasio Maia
056- SMS/SP
057- Sindicato dos Aeroviários – PB
058- OCA de Pia Aborigine
059- RNAJVHA
060- Associação de Mulheres (AMUPAVIM)
061- CPCC – Centro Popular de Cultura e Comunicação
062- Centro de Referencia e Direitos Humanos da UFPB
063- Associação Comunitária do Conjunto Tibiri I
064- União da Juventude Comunista
065- UFPB/PRAC
066- Movimento Estudantil
067- MNCP
068- Centro Popular de Cultura e Comunicação
069- CA de Arquitetura e Urbanismo
070- Associação Paraibana dos Amigos da Natureza – APAN
071- ADUF/PB
072- AMAZONA – Associação de Prevenção a Aids
073- Centro de Ação Cultural – CENTRAC
074- BAMIDELE – Organização das Mulheres Negras da Paraíba
075- unha Coletivo Feminista
076- Instituto Marista da Solidariedade
077- MAC- Movimento de Adolescentes e Crianças
078- Pastorais Sociais
079- Pastoral da Aids
080- Movimento Organizado da Paraíba
081- Grupo de Juventude – Gramame
082- Mandato Popular Dep. Frei Anastácio
083- Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD
084- Movimento dos Pequenos Agricultores
085- Marcha da Maconha
086- Mulheres de Terreiro
087- Pastoral do Menor
088- Fórum Estadual de ECOSOL
089- Fundação de Direitos Margarida Maria Alves
090- Mandato Popular Dep. Luis Couto
091- GAPEU
092- Sindicato das Trabalhadoras Domesticas
093- Associação Comunitária Santa Marta
094- Espaço Múltiplo
095- Missão de Desenvolvimento Social – MDS
096- Coletivo de Mulheres do Campo e da Cidade
097- Grupo de Mulheres Comunidade Gervasio Maia
098- Centro Cultural de Valorização das Tradições Afro – brasileira
099- Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – Fórum DCA
100- PSOL
101- SOF- Sempreviva Organização feminista
102- REF - Rede Feminismo e Economia
103- Mulheres do PT
Fonte: MMM-PB
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Nota de Repúdio da Diretoria de Mulheres da UBES
quinta-feira, 10 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Nota da Marcha Mundial das Mulheres sobre o aborto e o "Caso Jordy"
A Marcha Mundial das Mulheres - Pará, vem tornar público seu posicionamento a respeito do "Caso Jordy". Nossa prioridade não é discutir o conteúdo do áudio, mas os argumentos conservadores adotados por diversas pessoas com o objetivo de defender o deputado e criminalizar a mulher.
Em preliminar, gostaríamos de negritar que não aplaudimos a divulgação de conversas privadas na internet ou em qualquer outro meio, haja vista a exposição das pessoas envolvidas. Nossa preocupação se direciona principalmente à grávida, que não é uma pessoa pública, mas merece de todos a mesma consideração devotada ao deputado quanto à sua privacidade.
Não concordar com a exposição de um caso pessoal, não quer dizer que concordamos que o aborto é um assunto privado. Pelo contrário, afirmamos que o aborto é assunto público, assim como a violência contra as mulheres e a pedofilia. O feminismo sempre disse que “em briga de marido e mulher”, a sociedade e o Estado devem sim “meter a colher”.
Defendemos a legalização do aborto por entender que cabe às mulheres, no exercício da autonomia sobre seus corpos e suas vidas, tomar a decisão se querem ou não interromper a gravidez não planejada, sem pressão do parceiro, da família ou da Igreja, mas, sobretudo, sem a ameaça de ir presa por isso.
Na prática, muitas mulheres já decidem e abortam, muito mais do que as pessoas querem admitir, pois quando se trata de uma filha, parente, amiga, namorada, amante ou esposa percebemos que o nível de tolerância e solidariedade com esta realidade é bem maior do que quando se trata de debater mudanças na legislação que permitam a interrupção até as primeiras 12 semanas de gestação, o que, registre-se, é permitido na maior parte do mundo.
A verdade é que este debate está contaminado pela hipocrisia e pelo machismo. Hipocrisia porque a maioria da sociedade nega às mulheres este importante direito sexual e reprodutivo (opinião pública conservadora) mas, no privado, entre quatro paredes, numa conversa telefônica ou num confessionário, não faltam justificativas para achar que os casos das suas “conhecidas” eram diferentes (opinião privada liberal), ou seja, vistos como casos excepcionais, quando constituem a regra. Machismo porque os que ditam as regras são os homens: maioria no parlamento, entre os juízes e os líderes religiosos, e o fazem sabendo que a conseqüência é a morte de milhares de mulheres todos os anos.
No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de abortos ocorram anualmente, só que de maneira completamente insegura, com métodos caseiros ou em clinicas de aborto, estas últimas um privilégio daquelas que podem pagar ou ainda que o próprio parceiro ou família viabiliza o pagamento. Portanto, o aborto é um caso de saúde pública também, já que as mulheres pobres, sobretudo as negras, são as que recorrem a métodos de abortamentos inseguros.
No caso em debate nas redes sociais, percebemos um linchamento público da mulher que lutou pelo direito de prosseguir com sua gravidez. A mulher que não admitiu ser pressionada se torna, na voz dos defensores do deputado, uma pessoa malvada e mal intencionada, interesseira e premeditada. Para nós, feministas, esta postura não surpreende, mas merece o justo combate. Assim como não aceitamos a expressão "mulher de malandro", não aceitamos ser culpadas pelos estupros que sofremos, não aceitamos o abuso sexual de menores como algo normal, não calaremos diante do machismo que justifica qualquer atitude masculina e culpabiliza as mulheres.
Temos direito de sermos mães, se quisermos. Direito de andar na rua à noite e de nos vestirmos como quisermos, sem ter todo esse moralismo descarregado sobre nós.
Em defesa dos direitos da mulheres, seguiremos em marcha até que todas sejam livres!
Belém, 09 de maio de 2012.
domingo, 6 de maio de 2012
Machismo na ALEPA ou na sociedade?!
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Reunião na próxima sexta (04/05)
Na última reunião tiramos uma comissão para preparar uma proposta de temas e calendário que será apresentada na próxima sexta (04/05), além disso, escolhemos a companheira que representará o Pará na reunião nacional da MMM, dias 19 e 20 de maio, em São Paulo.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Compartilhamos desta ideia
As feministas não saem de moda e estamos em mais uma rede social, que tal?
O Tumblr Feminista! A ideia é que ele guarde todas as nossas melhores fotos, cartazes, faixas, lambes, adesivos, imãs, links, vídeos, áudios e tudo de mais legal que produzirmos.
Então é simples se tiver algo para postar, só que tem q ser muito legal mesmo hehehe, é só mandar para os seguintes e-mails:
brunabighole@gmail.com
jovensnamarcha@gmail.com
#SomosTodasFeministas \o/
http://marchamulheres.tumblr.com/
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Juíza Sônia Moroso é a primeira magistrada a casar-se com outra mulher no Brasil
Juiza Sônia Moroso união homoafetiva
A juíza Sônia Maria Mazzetto Moroso, titular da 1ª Vara Criminal de Itajaí (SC) assinou no sábado o documento que a torna casada com Lilian Regina Terres, servidora pública municipal. Esta é a primeira união civil homoafetiva registrada em Santa Catarina, após a decisão do STF.
A primeira do Brasil ocorreu em Goiânia (GO), no dia 9 de maio, entre Liorcino Mendes e Odílio Torres. Até agora, ninguém da magistratura brasileira tinha antes, assumido publicamente esse tipo de relacionamento.
É a primeira pelo menos no Estado de Santa Catarina e eu sou a primeira juíza brasileira a assumir, comemorou Sônia.
Ela e Lilian já tinham um relacionamento estável antes da união oficial. Elas se uniram no dia 29 de maio do ano passado, numa cerimônia abençoada pela religião umbandista.
O juiz Roberto Ramos Alvim, da Vara de Família da comarca, autorizou o casamento civil das duas mulheres. O ato foi, então, celebrado no Cartório Heusi.
Fonte: Pragmatismo Político.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Cordel sobre a Lei Maria da Penha
"Por exemplo: a mulher
Antes da lei existir,
Apanhava, e a justiça
Não tinha como punir
Ele pagava a fiança
E voltava a agredir.
Dizia o velho ditado
Que “ninguém mete a colher”
Em briga de namorados
Ou de "marido e mulher"
Não metia…
Agora, mete!
Pois isso agora reflete
No mundo que a gente quer.
Cordel de Tião Simpatia
sobre a Lei Maria da Penha"
Cordel de Tião Simpatia
sobre a Lei Maria da Penha
quarta-feira, 14 de março de 2012
Deixe que a vida te despenteie.
- Reírte a carcajadas, despeina.
- Viajar, volar, correr, meterte en el mar, despeina.
- Quitarte la ropa, despeina.
- Besar a la persona que amas, despeina.
- Jugar, despeina.
- Cantar hasta que te quedes sin aire, despeina.
- Bailar hasta que dudes si fue buena idea ponerte tacones altos esa noche, te deja el pelo irreconocible…
quarta-feira, 7 de março de 2012
Cadê as batuqueiras do Pará?
Atenção - Atividades em memória ao 8 de março – Dia Internacional das Mulheres
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Não à MP 557/2011! Em defesa da vida das mulheres!
sábado, 24 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
BomBril patrocinadora oficial do Futebol Feminino?
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Formação Amanhã!
Data: 10/12/11
Horário: 14 h
Local: Sindicato dos bancários.
Aguardamos todas.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Diálogos Feministas
No Lago – Olha, cabôca, finalmente deu tudo certo com mocinha lá na Santa Casa, ela fez o procedimento, tá um pouco fraquinha, mas passa bem, voltou pra casa dela, espero que aquele um “amigo” não a procure, porque de todo o aparato que chamam de aquelas coisas... “o Estado defende” ninguém ofereceu segurança pra ela, não.
Entre as Torres e o Aleixo - As delegacias da mulher, as casas-abrigo, os centros de acolhimento, a Lei Maria da Penha, bem como as promotorias de violência doméstica e setores especializados em violência contra a mulher em defensorias públicas, são conquistas dos movimentos de mulheres/feministas.
Essas vitórias decorrem de anos de uma luta que, entre outras palavras de ordem, tinha como lema “o pessoal é político”, ou seja, a esfera privada e a família são lugares onde fluem relações (desiguais) de poder, a sociedade e o Estado, devem olhar para isso, a fim de ajudar na instauração do paradigma da igualdade. Para tanto, durante muitos anos – e ainda hoje, com menor intensidade – foi estratégia feminista denunciar os casos de violência contra a mulher que, ou eram abafados como “problema de família”, ou tinham seus algozes absolvidos pelo argumento da “legítima defesa da honra.”
Além disso, as mulheres, na falta de políticas públicas, começaram a criar redes próprias para amparar aquelas em situação de violência. Nesse contexto, ficaram conhecidos os SOS –Mulher, principalmente o de São Paulo, que nada mais eram que a aglutinação de movimentos feministas, que captavam ( poucos) recursos públicos, criando um centro que recebia/acolhia mulheres que estavam sofrendo violência. Porém, tais centros funcionaram durante poucos anos, e devido a diversos problemas (com o financiamento e com os movimentos), fecharam as portas.
No Lago – Sim senhora, não descordo a merecendência do movimento social feminista, e esta é uma luta que ainda não acabou, mas quero mesmo é te contar, que na situação da dona coisinha lá (que eu não posso caguetar o nome), tudo se resolveu depois de imprensarem a moça contra parede umas tantas vezes durante a madrugada de internação, rolou a maior desconfiança, mana: off course que a moça tava só & zinha, e neste caso eu também. Explico: Tu te lembras, Aleixo, que noutro dia eu mesmíssima, tu, mais aquelazinha Luana, a Leila e um montão de mulheres fomos lá na Avenida Presidente Vargas? (vê, nome inglório pra uma rua tão importante que abrigou nossa Marcha das Vadias, tá vendo? Vai anotando aí!). Isso é movimento social feminista, né? Pois é, como eu tava só com minha filha de 4 aninhos, não podia acompanha-la no hospital, mana, eu fiquei doida, procurei essas mulheres que fizeram uma linda passeata, e todas estavam ocupadas(numa sexta-feira a noite, né), teve gente até que se justificou pra mim com a tala da desconfiança se era ou não real a conversa da companheira, e teve gente que conseguiu me dizer que não achava legal ir porque era um assunto particular dela. Ah, eu falo é mesmo!!! E olha que o caso foi estupro, baby.
Entre as Torres e o Aleixo - A professora Maria Filomena Gregori, no seu famoso estudo Cenas e Queixas – um estudo sobre mulheres, relações violentas e a prática feminista, pôde acompanhar os atendimentos feitos no SOS- Mulher de São Paulo até a sua reunião final e identificou, entre outras coisas, que o medo de parecerem, nas palavras das militantes, “assistencialistas”, fazia com que não amparassem devidamente muitas mulheres que procuravam ajuda. Segundo Gregori, o que parecia ser mais importante para as feministas do SOS- Mulher paulista era que as mulheres “tomassem consciência de sua opressão” e com isso saíssem das relações violentas nas quais estavam inseridas.
Ora, o que a vida real mostrou era que nem todas estavam dispostas a lutar por igualdade, a se tornarem feministas e romperem com uma série de barreiras e estereótipos colocados às mulheres: queriam apenas parar de sofrer violência. Para isso, infelizmente, as feministas não estavam ajudando tanto, de acordo com as reflexões de Gregori.
No Lago – Repito, foi estupro. E nem feministas de carteirinha, nem redes de contato in_formal, nem polícia, nem Maria do Pará, nem a família. NINGUÉM!!! Mas tá bem, continue...
Entre as Torres e o Aleixo - Após o “período dos SOS” o que se viu foi boa parte do movimento feminista saindo das ruas e indo formular/influenciar políticas púbicas. A tática parece render frutos até os dias atuais, uma vez que a Lei Maria da Penha fez cinco anos de vigência há poucos meses. No estado do Pará, por exemplo, há dez delegacias da mulher, há o Centro Maria do Pará, responsável por oferecer apoio psicológico, pedagógico e jurídico às mulheres em situação de violência e é presente em mais quatro municípios além da capital.
No Lago – Aqui fala alguém que trabalhou no Maria do Pará, aliás, alguém, parte da equipe que inaugurou o primeiro ano de trabalho naquela casa, no nosso tempo, não tinha verba pra pirotecnias vanglorísticas, mas a gente nunca deixou nenhuma mulher se lascar sozinha, antes pelo contrário...
Entre as Torres e o Aleixo - Poderiam ser listadas muitas outras políticas, mas o que importa é que o fato de elas existirem e serem executadas mostra que o Estado e, por conseguinte, a sociedade, reconheceram que a violência contra a mulher é um problema sério, que atinge a dignidade de todas nós e deve ser resolvido. Ou seja, é uma vitória das mulheres!
No Lago - Esta vitória conseguida após mais de 100 anos de feminismo, mas vamos refletir, vem sendo descartada por pessoas reais, pelas próprias mulheres. Que nos momentos mais críticos, esquecem que existe vida além da institucionalidade. O caso Mulher x Institucionalização feminista é mais grave do que os maus tratos e o descaso nas DEAMs, Abrigos e Centros de Referência (falo mesmo do Maria do Pará – Belém), ainda há a problemática falta de conhecimento de todos e todas pela causa. Estamos vivenciando um maldito revés, onde a mulher que sofre violência é, antes de tudo criminalizada, além de vivenciar estupro, tem de passar por traumas quando procura ajuda, tanto quando vai denunciar procurando seus direitos, quanto quando procura sua rede de contatos in_formais (amigas, familiares e tal, e tal...). É nesse momento que se estabelece um diabo de caos. Na vida prática, maninha, a Escolástica é uma vasilha de nada com nada dentro. E eu sei bem de onde é que vem tudo isso.
Entre as Torres e o Aleixo - Porém, o medo do “assistencialismo” ainda parece rondar a prática de muitos movimentos e mulheres feministas. Para estes, o essencial ainda é esclarecer as mulheres quanto a sua opressão, depois disso “tá tudo resolvido.” Porém, acredita-se aqui que as duas vias são importantes, afinal, garantir a dignidade das mulheres não é lutar pela igualdade? Não é ser feminista?
No Lago – É sim, mas dá pra socorrer a pessoa que tá em situação de alto risco, de preferência antes que ela morra? Dá pra acreditar em transgressões, sejam elas individuais ou coletivas, que não venham acompanhadas de alguma ternura?
Entre as Torres e o Aleixo - Por isso, precisamos estar unidas sempre, manter uma rede de mulheres aptas a ajudar umas as outras. As políticas públicas e tudo o que foi institucionalizado para dar cabo da violência é importante, executa ações, mas pode falhar. Ou nem mesmo isso. Por ser aparato do Estado muitas vezes não dispõe de companhia, ombro, colo, que é o que uma companheira pode dar à outra, quando se passa por situações que nós mulheres sabemos o quanto são difíceis. Caso o sistema falhe, onde estarão as companheiras para estender a mão?
No Lago – Era justamente aí que eu queria chegar, Aleixo, aliás até te agradeço o apoio que você nos deu. Y en nombre de este amor, que eu costumo confundir amor e solidariedade nessas horas (tenha paciência comigo, sou artista), saiba que aos 40 minutos do segundo tempo, quem me ofereceu a mão foram duas comparsas de minha escola de Direito feminino, Ediane Jorge (que segurou minha filha pra eu poder entrar no hospital) e Jureuda Guerra que, já no domingo estava de plantão lá??? (e olha que a história todinha começou desde a segunda feira). Viu, existe vida, existem seres humanos em sofrimento para além de toda a institucionalidade. Ora veja só você, se tem lá alguma graça, a gente querer revolucionar anos e anos de machismo-cristão-ditadura política sem se envolver pessoalmente com as causas, então agora o papel é só do Estado, ah, que se foda esse mundo burocrata eu quero é ter confiança na companheirada toda!
Entre as Torres e o Aleixo - Ao que parece, precisamos de uma espécie de “SOS- Mulher em rede”, formado por mulheres prontas para ajudar as outras, independente da existência de delegacias ou quaisquer centros. As discriminações que sofremos quando passamos por situações de violência nenhuma lei ou política consegue fazer acabar. São essas discriminações/ preconceitos que nos impedem, por exemplo, de ir à delegacia fazer ocorrência, mesmo quando ela existe (e que bom que ela existe!). Sempre vejo nos cartazes que “o feminismo é a idéia radical de que as mulheres são gente.” Vamos colocá-la em prática!
No Lago – Agora você falou & disse uma fala bem bonita, mas eu não vou te deixar encerrar a conversa assim não. Por falar em “prática’” Baby, vamos repensar a prática do nosso olhar, é que vivemos o inferno dum olhar alheio que traz a imutabilidade e a perda de liberdade do existir e, consequente-mente, do ser (!!!) há muitos olhares sobre a Amazônia. Há muitos olhares sobre a mulher amazônida, como se esta fosse incapaz de expressar ou compreender seus sentimentos y ninguém discute a inter_ferência branca(e ponha ferência nisso!) na nossa cultura cotidiana, isso vai dar mangas nos nossos panos, aviso: aqui onde o modelo de “progresso” implantado com a colonização branca até hoje trai a confiança de meninos e meninas, ofende e humilha a honra de homens e mulheres.
Escuta aqui, somos campeões brasileiros no ranking da violação de direitos humanos, as pessoas precisam parar de fingir que com as políticas públicas já está tudo bem, aqui em Belém, nessa uma cidade – cortina cenográfica localizada em frente ao rio-mar, de banda pra favelização das comunidades rurais e ribeirinhas e cada vez mais distante das matas onde vivem os deuses da natureza que deveriam nos proteger (canta pra chamar teus ancestrais, gatinha, e ouve, eles vão te dar a maior pressão).
Então, minha nêga se este tal de povo que pensa que tudo é política não começar a pensar que existe cultura, e que quando se fala em cultura não dá pra pensar em bom e mau, certo e errado, ou feio e bonito, nunca vamos poder contar com nadica de nada. A luta corre o risco de andar sempre pra trás mesmo. Bora adicionar coisas às coisas todas, pra mexer, pra balançar e ler cartazes dizendo “O feminismo amazônida é a idéia radical de que as icamiabas são gente, porra!!”
Entre as Torres e o Aleixo – É assim que se fala, maninha!
*Mariah Aleixo é estudante de Direito e militante da MMM/PA e Isabela do Lago é Artista, Cineclubista e Feminista, claro.






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