sábado, 25 de maio de 2013

9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil- 25 a 31 de agosto de 2013 no Memorial da América Latina São Paulo



Feminismo em marcha para mudar o mundo! 
Entre os dias 25 e 31 de agosto de 2013, o Brasil sediará pela primeira vez um Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, reunindo representantes vindas dos cinco continentes do mundo, ativamente envolvidas na luta pela erradicação da pobreza e da violência contra as mulheres. São esperadas 1600 mulheres para participar durante todos os dias do Encontro e muitas delegações para realizar uma grande mobilização do dia 31 de agosto. O Encontro será no Memorial da América Latina em São Paulo.
 Em marcha até que todas sejamos livres! 
Este Encontro será um momento especial para expressar a contribuição brasileira ao feminismo da MMM, demonstrá-lo na prática e avançar em sua construção teórica. Ao mesmo tempo, é um momento para aprofundar nossa visão comum sobre os desafios que enfrentamos nesta conjuntura repleta de ofensivas conservadoras do capitalismo patriarcal, racista e lesbofóbico contra nossos corpos, nossas vidas e nossos territórios. 
Juntas, vamos fortalecer nossa auto-organização e as estratégias de construção de um feminismo enraizado em processos locais que se conectam internacionalmente, em aliança com movimentos sociais anti-capitalistas e com uma forte solidariedade internacional que se expressa no nosso lema “seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!” 
O 9º Encontro Internacional será combinado com uma grande programação de intercâmbio e formação político e cultural, onde além dos debates teóricos também recorreremos a outros instrumentos como uma exposição sobre o histórico da Marcha e do feminismo. O evento está pensado como um espaço dirigido à participação de um grande número de militantes da Marcha do Brasil e da América Latina e mulheres dos movimentos parceiros.
 Programação 
O Encontro se inicia com uma abertura entre as delegadas internacionais (dia 25), segue com dois dias comuns de formação política e debate entre teóricas e pesquisadoras feministas e ativistas da MMM, relacionando teoria e prática feminista como partes de um mesmo processo (dias 26 e 27). Nos dias 28 a 30, enquanto as delegadas internacionais se concentram em debates sobre a vida democrática da MMM, as demais participam de atividades simultâneas como debates de formação e oficinas. 
No dia 31, todas se reúnem em uma Assembléia para compartilhar análises e decisões,  o Encontro se encerra com uma grande mobilização. 
Durante todo o período iremos realizar uma Mostra de Economia Solidária e Feminista que permite o intercâmbio de idéias e produtos e a visibilidade das mulheres como atoras econômicas.
As interessadas em participar devem procurar os comitês estaduais da MMM, no caso de estados onde não temos comitê organizado, fale com a SOF (sof@sof.org.br) secretaria da Marcha no Brasil.
 Contamos com o apoio na divulgação desse importante evento para a construção do feminismo militante e popular.
 Maiores detalhes, consulte o site www.sof.org.br e ou http://marchamulheres.wordpress.com


Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!




quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não há liberdade enquanto for nossa a responsabilidade.



Uma licencinha para um post de opinião...

Estava eu assistindo um programa muito curioso chamado “Mundo sem mulheres” da GNT, um reality show onde as esposas saem por uma semana e deixam a casa e os filhos aos cuidados dos maridos. Eu só assisti alguns episódios e me deparei com a triste realidade que a divisão coletiva dos trabalho doméstico é um imbricado de mecanismos multifatoriais de dominação.
                Que existe uma Divisão Sexual do Trabalho, todo mundo sabe, que o trabalho doméstico profissional é uma forma de exploração patriarcal e capitalista está bem claro, mas eu queria falar sobre as relações individuais e privadas, e principalmente do caráter psicológico da dominação, que faz com que cada mulher e homem, por mais consciente que seja, reproduza o patriarcado.
                Mulheres com consciência da sua exploração e homens solidários e com o mínimo de “vergonha na cara”, tentam estabelecer uma relação mais igualitária da divisão das tarefas domésticas. Atualmente é menos incomum os homens lavarem a louça, darem banho nas crianças, levar na escola, ajudar com o dever de casa... tem até casais que dividem de maneira totalmente igual as tarefas domésticas.  Mas será que isso significa que estamos avançando gradativamente em uma mudança cultural para a coletividade solidária em relação ao trabalho doméstico? Será que isso é um processo natural de evolução social?
                No reality percebemos muito claramente que independente de o homem fazer o tipo machão, que não sabe fazer nada em casa, ou se faz o tipo avançado e “se vira bem” no trabalho doméstico, a necessidade do trabalho doméstico é flexibilizada, assim como as exigências em relação à sua realização.
 No primeiro dia da saída das mulheres, eles se reuniram para comemorar, comer churrasco e beber cerveja até tarde da noite... As crianças estavam lá com eles, no mesmo espaço, só que sem nenhuma atenção, as mais velhas cuidando das mais novas, dando o seu jeitinho para passar o tempo... ok, eles são homens, então podem ser egoístas e ‘esquecer’ os filhos.   No outro episódio a alimentação foi bem flexibilizada, pizza e miojo se fizeram presentes, a rotina de limpeza da casa foi esquecida, as exigências foram diminuídas e a galera começou a “fazer o que dá”. Afinal, o que é possível para uma mulher não é o mesmo para um homem no que se refere a trabalho doméstico... os homens não são capazes de viver sem mulheres, porque não dão conta de multitarefas.
                Mas o principal tema do programa não era a capacidade de realizar as tarefas em si, mas o envolvimento emocional com as atividades ligadas à família, o quanto aquilo afetava a mente e fazia parte da preocupação dos homens e mulheres envolvidos no programa... As mulheres, que estavam se divertindo num spa, tinham uma preocupação verdadeira e real sobre se o trabalho doméstico estava sendo feito de maneira adequada, isso ocupava as suas mentes, era objeto de estresse mesmo de longe. Para os homens, o trabalho doméstico é algo secundário na sua rotina, que é feito num intervalo entre coisas importantes e que não precisa ter uma rigidez.
                A ligação emocional com o trabalho doméstico era constantemente associada à maternidade, aos cuidados com a prole, e como boas mães se preocupam com os filhos. ‘Naturalmente’, as mães tem uma ligação emocional maior com a família e isso toma mais espaço em suas mentes.

Só que não.... (como diriam os facebookianos)

                A divisão sexual do trabalho encontra-se internalizada de tal forma, que mesmo uma ruptura de padrão consentida e aplaudida não produz libertação e igualdade. A construção histórica de papéis sociais sobre os sexo ocorreu ao mesmo tempo que outros processos, entre eles a cristalização e a reificação. Na cristalização, os papéis são percebidos como fixos e como estáticos, na reificação, estes mesmos papéis são percebidos como inatingíveis e transcendentais, como se estivessem além da capacidade humana de intervenção ou de modificação (Berger & Luckmann, 1966). A incrustação desses papéis na psique humana, longe de ser explicada por determinismo biológico, foi construída num processo histórico de naturalização, onde o estrito cumprimento do dever social era condição de sobrevivência para as mulheres.
Nesse sentido, o trabalho doméstico não é só uma tarefa de mulher por uma imposição do capitalismo, mas é parte da consciência do ser mulher, ou melhor, do dever-ser mulher. São poucas as que conseguiram se libertar plenamente do afazer doméstico como obrigação física (sem explorar totalmente uma outra mulher), menos ainda são as que se livraram do trabalho doméstico como condição de humanidade. 
A questão fundamental da libertação das mulheres da divisão sexual do trabalho está não somente no tempo gasto na realização das tarefas, ou no esforço físico e no trabalho que elas exigem, mas principalmente no caráter de autorresponsabilização que ela representa na vida das mulheres. Muitas vezes conseguimos dividir completamente as tarefas domésticas, mas não conseguimos dividir a responsabilidade pelo trabalho doméstico, a participação masculina não consegue sair do âmbito da ajuda. Nesse ponto a tecnologia não é uma saída pro trabalho doméstico como forma de dominação, porque embora a tecnologia facilite o trabalho e estimule a divisão das tarefas, traga talvez mais tempo livre, não desrresponsabiliza as mulheres. Somente a responsabilização da coletividade pela reprodução da vida humana vai libertar as mulheres da opressão física e psicológica do patriarcado.
A maioria das mulheres não adora fazer trabalho doméstico, nem fazemos isso porque as mulheres pré-históricas varriam as cavernas, mas é inegável que o dever do trabalho doméstico está implantado na nossa mente, muitas vezes sem que a nossa consciência possa alcança-lo com facilidade. Acredito que esse seja o grande trunfo do patriarcado que precisamos combater.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Inscrição para o IV Pré-EME

O Pré Encontro de Mulheres Estudantes é um espaço de organização das mulheres que acontece a cada dois anos. A idéia é discutirmos um pouco sobre a vida das mulheres nas Universidades, dialogar sobre os avanços e retrocessos que houveram em relação à Educação, Sexualidade, esteriótipos de gênero, dentre outras coisas.

Então, anota aí! Nosso encontro será dia 16 de março (sábado), no Auditório do ICJ ( Instituto de Ciências Jurídicas da UFPA), no horário de 09h às 18h. 

Estão organizando este Encontro: a Diretoria de Mulheres da União Acadêmica Paraense, a Marcha Mundial de Mulheres e Centro Acadêmico de Direito da Estácio/FAP.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A 1ª médica mulher, que (não) foi esquecida no Pará

Em um tempo em que as mulheres não podiam exercer diversas profissões e que a academia estava fechada para nós, algumas mulheres pioneiras conseguiram a façanha de exercer profissões masculinas aqui no Pará.
Anna Turan Machado foi uma dessas, e foi a 1ª Médica a exercer a profissão nas nossas terras.

Ela estudou no EUA, que dispunha de faculdades de medicina específicas para mulheres, e conseguiu revalidar o seu diploma na Universidade da Bahia.

A história dela está muito bem contada em um artigo publicado na Revista Pan-Amazônica de Saúde. Um dos autores é o Prof. José Maria, médico patologista e historiógrafo, e eu gostaria de agradecê-lo por contribuir para a construção da história das mulheres no Brasil.

O artigo "Anna  Turan  Machado  Falcão  (1862-1940):  a  pioneira médica esquecida da Amazônia." é um primor em termos históricos e nos faz lembrar porque a luta por igualdade é tão importante para nós.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Isso não é sobre fé, é sobre violência


* Por Mariah Aleixo e Rafaela Rodrigues
Impossível não ter reação – qualquer que seja – após assistir o vídeo “como ser submissa a uma pessoa omissa?” do II Congresso de Mulheres Diante do Trono. Aliás, é impossível não deixar de se indignar ao assistir qualquer vídeo deste Congresso. As atividades desse grupo de mulheres são transmitidas pela “Rede Super de Televisão”, um canal ligado às igrejas evangélicas.
É importante deixar claro que a discussão que se propõe aqui nada tem a ver com religião, com a defesa de uma igreja A ou B, mas com política. Se é certo que “o pessoal é político”, acreditamos que os argumentos que defendem a submissão da mulher à Deus e ao marido, que reiteradamente são pregados por esse grupo, não tem relação direta com a fé, mas com a desigualdade entre mulheres e homens. São argumentos frequentemente suscitados para justificar uma conduta violenta do marido, pai, padrasto para com as mulheres.
No vídeo citado acima, as pastoras conversam sobre o papel da mulher na família, comentando que nos dias atuais as meninas estão sendo criadas mais para a carreira que para o lar. Dizem as pastoras que é preciso educar as mulheres para o casamento e, principalmente, para a submissão, não somente a Deus, mas ao marido. O marido, segundo elas, é o chefe da casa e é preciso honrá-lo e, ao que parece, honrá-lo significa parar tudo o que se está fazendo quando ele chega em casa para fazer somente as vontades dele. A educação dos filhos também deverá ser diferenciada com o menino aprendendo desde cedo que o seu papel é (supostamente) central (e estanque) na família.
Além disso, afirmam também: “A menina não sabe cozinhar, não sabe pregar um botão, não sabe passar, nunca arrumou uma cozinha”, “ela não está sendo preparada para o lar”, “a submissão é um princípio que abrange algo muito mais profundo e maravilhoso… sonhem em ser esposas… sonhem em ser mães…e que possamos preparar nossas meninas para o casamento.”
Em outro vídeo do culto de Mulheres Diante do Trono, chamado “A mulher deve respeitar o seu marido” pregado pela Pra. Ana Paula Valadão, a mesma afirma que o casamento é uma decisão definitiva e que a felicidade do casamento e da família é somente responsabilidade e (ou na falta de) culpa da mulher: “Você (mulher) não precisa amar seu marido, você precisa somente respeitá-lo”(sic).Por diversas vezes a Pastora Ana Paula dá exemplos extremos e afirma que a mulher não deverá desistir do casamento e deverá “pagar o mal, com o bem”, “Não caminhe pelos seus sentimentos, caminhe pela sua decisão”(sic).
A indignação é enorme quando se ouve isso de mulheres, pois são muitos anos de resistência do movimento feminista lutando contra a desigualdade e a submissão. Temos inúmeras vitórias e avanços. O papel da mulher na sociedade do século XXI é central, com máxima participação no mercado de trabalho, aumento significativo das líderes mundiais, maior representação legislativa, direito ao voto, entre outros tantos exemplos. Porém ainda vivemos sob os pilares do machismo, onde nosso modo de ser, de pensar e nossa sexualidade são moldados segundo padrões impostos, não nos dando o direito de decidir nosso próprio destino! Ter filhos, casar, ser dona de casa, não tem problema algum, contanto que seja uma escolha, não uma imposição. Se essa for a única possibilidade colocada às mulheres, conforme pregam as Mulheres Diante do Trono, aí está o grande problema.
Outro grande problema – aliás, o problema central – é que o discurso da submissão pregado por essas mulheres guarda íntima relação como o problema da violência contra as mulheres. Nossa vivência no movimento feminista tem mostrado que geralmente os agressores das mulheres dizem que tem razão em fazer o que fizeram/fazem porque elas não estão/estavam cumprindo o seu papel dentro da família, que é o de ser submissa ao marido, fazendo sempre as vontades dele, ou seja, colocando-se em último lugar na escala de prioridades. Não é de hoje que pesquisas como a que resultou no famoso livro “Cenas e Queixas – um estudo sobre mulheres, relações violentas e a prática feminista” e o recente artigo “As políticas de combate à violência contra a mulher no Brasil e a ‘responsabilização’ dos ‘homens autores de violência’” publicado na revista Sexualidad, Salud y Sociedad mostram que a violência sofrida pelas mulheres é justificada – pelas que sofrem com o problema e por seus algozes – como uma punição aceitável em face do não cumprimento do “papel de mulher.”
A doutrina do dever de submissão a Deus não pode ser transformada, por analogia, no (suposto) dever de submissão das mulheres aos homens, conforme este grupo prega. Isso é perigoso pois propaga os argumentos justificadores de todo o tipo de violação da dignidade das mulheres, e é por isso que afirmamos isso não é sobre fé, é sobre violência!
Perguntamo-nos se por acaso essas mulheres não estão sendo beneficiadas pela luta feminista, ao serem reconhecidas enquanto pastoras e debaterem sobre a palavra de Deus num congresso tão grande, que reúne cerca de 6 mil mulheres. Não seria uma incoerência pregar a submissão ao marido (e tantas outras ideias retrógradas que vem a reboque) nesse contexto de protagonismo dentro da igreja? Certamente, há uma enorme contradição nesse discurso, pois muito dos avanços que elas mesmas desfrutam advém do duro embate às ideias anacrônicas que elas pregam.
Importante lembrar, por fim, que faz pouco mais de quatro séculos que as mulheres conquistaram, em nossa sociedade, o direito de falar em público, de emitir suas opiniões, de se alfabetizar… A bíblia, no entanto, tem passagens escritas a mais de dez mil anos, que foram traduzidas muitas vezes e para as mais diversas línguas. Há de se fazer a devida adequação da leitura bíblica à realidade atual. Estamos certas de que isso é possível, uma vez que se o cristianismo sobrevive até hoje é porque leu as escrituras sempre à luz do tempo presente. Nossa sociedade corre para frente, direitos já conquistados pelas mulheres não podem sofrer golpes como esses. A emancipação das mulheres é necessária e justa e envolve o direito de decidir, de ter autonomia e o direito de não sofrer violência, até porque somos gente!
O debate está colocado. Esse assunto, ao que parece, está na ordem do dia e merece ser cada vez mais amadurecido. De todo modo, esperamos que possamos estar juntas – mulheres, negras, lésbicas, evangélicas, indígenas, ubandistas e católicas – diante de toda a sociedade, lutando por igualdade.
Mariah Aleixo é Advogada e Mestranda em Direitos Humanos pela UFPA
Rafaela Rodrigues é Mestranda em Direito Constitucional e Teoria do Estado pela Puc-Rio

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CPMI da Mulher faz diligências e audiência pública no Pará

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional que investiga a violência contra a mulher realizará nos dias 6 e 7 de dezembro diligências e audiência pública no Pará. 

No dia 6 de dezembro vão ocorrer diligências em órgãos de atendimento à mulher em situação de violência em Belém, além de reunião com o movimento de mulheres do Estado. 

No dia 7 de dezembro, a partir das 9h, acontece a audiência pública para ouvir gestores públicos, representantes do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, movimentos sociais e sociedade civil organizada. Às 13h, as integrantes da CPMI concedem entrevista coletiva. 

A audiência pública e a entrevista coletiva vão ocorrer na Assembleia Legislativa do Estado, na rua na Rua do Aveiro, 130, Praça Dom Pedro II, Bairro Cidade Velha, Belém.

Em funcionamento no Congresso Nacional desde fevereiro, a CPMI tem como objetivo investigar a situação da violência contra a mulher no Brasil e apurar denúncias de omissão do poder público. 

A CPMI é presidida pela deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG), tem em sua relatoria a senadora Ana Rita (PT-ES) e na vice-presidência, a deputada Keiko Ota (PSB-SP). A audiência no Estado do Pará conta a participação da procuradora Especial da Mulher da Câmara dos Deputados, deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA), uma das autoras da proposta de criação da Comissão Mista de Inquérito. Violência em números no Pará O Pará é o 4º estado do País em assassinatos de mulheres, com taxa de homicídios de 6,1 assassinatos para grupo de 100 mil mulheres, acima da média nacional, que é de 4,6. O primeiro colocado é o estado do Espírito Santo (9,8), o segundo Alagoas (8,3) e o Paraná aparece na terceira colocação (6,4). 

Paragominas é a cidade onde mais se mata mulheres no Estado e no Brasil. O município ocupa a primeira colocação entre as 100 cidades mais violentas do País onde vivem mais de 26 mil mulheres. A taxa de homicídios de mulheres em Paragominas é de 24,7. 

Outras seis cidades paraenses aparecem na lista das 100 mais violentas para as mulheres. São elas: Ananindeua (19,6), ocupando a 9º colocação; Tucurui (taxa de 18,5%) e 11ª colocação; Redenção (16,1), no 15º lugar, seguidos de São Feliz do Xingu (11,7) e 40º lugar; Novo Repartimento (10,2), na 64ª colocação e Barcarena (10,1), no 65º lugar. 

Em Belém, a taxa é de 4,9 assassinatos para grupo de 100 mil mulheres. Número muito acima da média nacional, que é 4,6. A cidade é a 21ª entre as capitais do País. 

Os dados são do Mapa da Violência 2012, elaborado pelo Instituto Sangari/Ministério da Justiça. O relatório completo do Mapa da Violência atualizado em 2012 pode ser acessado no site www.mapadaviolencia.org.br. 

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que a violência doméstica é a principal causa de lesões em mulheres de 15 a44 anos no mundo.

Segundo a relatora da CPMI, senadora Ana Rita, o Brasil é o 7º país que mais mata mulheres no mundo. El Salvador com taxa de 10,3, Trinidad e Tobago e a Guatemala, ambos com taxa de 7,9 aparecem nas posições seguintes. As armas de fogo e os objetos cortantes são os principais os são os mais usados para os assassinatos. 

“Nos últimos 30 anos foram assassinadas mais de 92 mil mulheres, 43,7 mil só na última década”, afirma Ana Rita. “O lar, doce lar não é mais seguro: 68,8% dos homicídios ocorrem dentro de casa e são praticados pelos cônjuges”, diz a senadora.

Roteiro 

Em seu plano de trabalho a comissão previu visitas aos Estados mais violentos do Brasil para as mulheres, além dos quatro mais populosos do país. A CPMI já esteve no Distrito Federal e em 14 estados: Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Alagoas, Paraná, São Paulo, Bahia, Paraíba, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Amazonas.

Programação no Pará
6/12 - 
Pela manhã e à tarde Diligência à Delegacia da Mulher 
Diligência ao Centro de Referência Diligência à Vara de Violência Contra a Mulher 
Diligência à Promotoria de Violência contra a Mulher
Reunião com o movimento de mulheres 

7/12 
9h – Audiência pública
13h – Coletiva de Imprensa 
Assembleia Legislativa do Pará Local: rua do Aveiro, 130, Praça Dom Pedro II, Bairro Cidade Velha, Belém 


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Carta de Solidariedade com o Povo de Gaza.

Há vários dias, o exército israelense intensificou bombardeios e incursões no território palestino de Gaza, causando a morte de vários civis palestinos, incluindo crianças.

A Marcha Mundial das Mulheres condena esses assassinatos chamados "seletivos" e os ataques à população sitiada de Gaza.

A Marcha Mundial das Mulheres faz um chamado à comunidade internacional para exercer pressão pelo fim desta onda de violência criminosa, e para que Israel interrompa o bloqueio à Faixa de Gaza.

Um novo passo foi dado pelo governo israelense, assassinando Jabbari Ahmad, chefe da ala militar do Hamas.

O Estado de Israel anunciou oficialmente a retomada de suas operações militares em Gaza, causando, novamente, mortes e destruição por bombardeios ao povo de Gaza, submetido a um bloqueio ilegal e desumano desde 2007. Isto conduz a réplicas que também afetam civis israelenses.

Nós lamentamos todas as mortes de civis, mas consideramos que o Estado de Israel é o responsável por interromper o cessar-fogo e iniciar a agressão.

Não nos esquecemos dos massacres perpetrados pelo exército israelense durante a operação "Chumbo Fundido” de 2008-2009, que matou cerca de 1.500 palestinos e palestinas enquanto as mesmas desculpas foram apresentadas pelo governo israelense para justificar aquele ataque assassino. Era, como as agressões atuais, véspera de eleições em Israel.

E, como em 2008, os ataques do Exército israelense continuaram apesar de um cessar-fogo conseguido por intermediação egípcia, e respeitado pelos palestinos até o assassinato do líder do Hamas.

Benyamin Netanyahu, que anunciou a aliança de seu partido com o líder de extrema-direita Avigdor Lieberman, utiliza este ataque à Faixa de Gaza com objetivos eleitorais.

 Seu governo também está trabalhando metodicamente para atacar a demanda palestina frente à ONU. Ele afirmou sua vontade de derrubar a Autoridade Palestina, inclusive liquidando sua direção, se a Palestina se tornar membro das Nações Unidas (ONU).

Para preservar as possibilidades de paz, a comunidade internacional precisa por um fim à impunidade de Israel. Isto passa por sanções, e não por recompensas à ocupação, como fazem, regularmente, a União Europeia, os EUA e seus aliados.

Seguiremos aprofundando nossa solidariedade ao povo palestino, durante o Fórum Social Palestina Livre, que será realizado em Porto Alegre de 28 de novembro a 1 de dezembro, e no dia 10 de dezembro, durante nossas 24 horas de ação feminista.

Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Inscrição para II Módulo de Formação Feminista

CALENDÁRIO ATUALIZADO EM 25/10/2012

Abertas as inscrições para o II Módulo da Formação Feminista da Marcha Mundial das Mulheres!!

Neste módulo daremos prioridades aos temas já requisitados durante a formação anterior. (abaixo na tabela)

Vamos cobrar uma taxa simbólica de R$10,00 para as inscrições.

Disponibilizaremos o material de toda formação, textos e pasta.
As formações acontecerão uma vez por semana, em dias alternados de quintas-feiras (18h) e sábados (15h).

Horário:
- Quinta-feira às 18h;
- Sábado às 15h.

Local: Sindicato dos Bancários do Pará (Rua 28 de setembro, 1210, bairro Reduto. Próximo à Doca).

As inscrições para a formação são abertas a todas.

Início da formação: 25 de outubro de 2012
Término da formação: 15 de dezembro de 2012


FORMAÇÃO FEMINISTA DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES-PA
MÓDULO II
DATA
TEMA
25/10/12 (quinta)
Feminismo anti-capitalista
31/10/12 (quarta)
A farsa da Economia Verde – uma perspectiva feminista
10/11/12 (sábado)
Legalização do aborto
15/11/12 (quinta)
Feminismo anti-racista
24/11/12 (sábado)
Igualdade no trabalho e ações afirmativas
29/11/12 (quinta)
O movimento LGBTT sob uma visão feminista
8/12/12 (sábado)
Prostituição para além da legalização
13/12/12 (quinta)
Economia Solidária para a construção de uma economia feminista



Boa formação!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

NÃO à violência e solidariedade à Odinea.

Odinéa-Gonçalves-foi-agredida-pelo-presidente-do-Banpará-durante-ato-na-matriz-do-banco
Machismo no Banpará: Odinea foi agredida pelo presidente do banco no primeiro dia de greve bancária.
Por que a valentia do presidente só se manifestou contra uma mulher?
Ontem (04/09), iniciou-se a greve dos bancários/as do Banpará e um episódio lamentável ocorreu. A companheira Odinea Gonçalves, que é funcionária do banco, diretora do Sindicato dos Bancários do Pará e militante da Marcha Mundial das Mulheres - Pará foi agredida fisicamente pelo Presidente do Banpará. Numa atitude reprovável e machista (já que a valentia só se dirigiu a uma grevista mulher), o presidente, Sr. Augusto, empurrou a companheira e machucou seu braço. Vale registar que a companheira passou recentemente por licença médica e segue em tratamento.

O movimento feminista sempre repudiou casos como este. O comportamento violento do Presidente do Banpará, que é indicado do Governador Simão Jatene, só reforça a triste realidade das mulheres da categoria, já que são as trabalhadoras bancárias as principais vitimas da violência organizacional da empresa (assedio moral e sexual), além do fato de que a maioria dos trabalhadores do ramo são mulheres, mas as gerências e diretorias são majoritariamente ocupadas por homens. As relações de poder entre os gêneros se reproduzem dentro da categoria bancária e dentro da estrutura organizacional das empresas.

Odinea é uma militante da luta por igualdade e tem toda a nossa solidariedade.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Mulher e solteira no Irã


Mulheres solteiras começam a ser mais aceitas no Irã 

Por THOMAS ERDBRINK

Teerã

Shoukoufeh é estudante de literatura inglesa vinda de uma cidade do interior do Irã. Quando ela decidiu alugar um apartamento na capital, passou numa joalheria e comprou uma aliança de casamento por US$ 5.

Acostumada a driblar a etiqueta da sociedade iraniana, onde se espera que as mulheres vivam com seus pais ou com seu marido, a estudante de 24 anos fazia questão de mostrar a aliança falsa a corretores imobiliários que, de outro modo, relutariam em alugar um apartamento a uma mulher solteira.

"Para eles e para meus vizinhos, minha colega de apartamento e eu somos duas mulheres casadas que se afastaram temporariamente dos maridos em função dos estudos", explicou ela. "Na realidade, somos solteiras."

Não existem estatísticas oficiais sobre o número de mulheres que vivem sozinhas nas grandes cidades do Irã. Mas professores universitários, corretores imobiliários, famílias e muitas jovens dizem que um fenômeno que há dez anos era muito raro hoje está se tornando comum.

Na ânsia de impedir que a tendência se alastre, o governo lançou uma campanha para promover casamentos rápidos e a baixo custo - mas, segundo especialistas, a campanha teve efeito contrário ao desejado, na medida em que aviltou uma instituição profundamente enraizada na cultura milenar iraniana.

As jovens são obrigadas a desenvolver estratégias para cuidar delas mesmas numa sociedade em que muitas das normas sociais são baseadas numa desconfiança profunda da sexualidade feminina. Shoukoufeh, que não quis dar seu nome completo por medo de perder seu contrato de aluguel, disse que seus pais apoiaram sua decisão.

"Eles sabem que eu quero ser independente", disse ela em tom decidido. "Compreendem que os tempos mudaram."

Graças à presença da televisão via satélite, das mídias sociais e do baixo custo das viagens para fora do país, muitos iranianos mudaram as atitudes.

Nos últimos dez anos, o número de estudantes matriculados em universidades vem subindo muito e hoje as mulheres respondem por quase 60% do total. 

No mesmo período, o índice de divórcios subiu 135%, obrigando a sociedade a começar a aceitar mais a presença de mulheres solteiras.

"Quando minha mãe era jovem, casar-se e ter filhos era o único sucesso que a mulher podia ter", comentou Shoukoufeh, que pretende deixar o país para seguir adiante com seus estudos. "Hoje, pelo menos para mim, isso é o menos importante."

As autoridades promovem a maternidade como virtude sagrada. "Os jovens não casados estão nus. O casamento é como uma roupa divina", disse no mês passado o aiatolá Kazem Saddighi.

No passado, as mulheres divorciadas eram condenadas a vidas de solidão, mas o aumento muito grande nos divórcios, além dos salários mais altos que acompanham um diploma universitário, estão permitindo que muitas mulheres redefinam o sucesso.

"Para minha surpresa, meus pais também queriam que eu vivesse sozinha", disse Nazanin, 35. Como gerente de uma empresa de cosméticos, sua renda lhe permitiu alugar um apartamento, após deixar seu marido dependente de drogas. "Creio profundamente em Deus", disse ela. "Ele quis isto para mim. Minha vida como solteira é tão melhor."

Nazanin, que não quis que seu sobrenome fosse citado, contou que todo o mundo em seu trabalho é divorciado. "A sociedade não tem outra opção senão nos aceitar", ponderou. "Espero que o Estado faça o mesmo." 

Somaye Malekian colaborou com reportagem

Fonte: NYTimes, com edição do Blog.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

The Runaways - Garotas do Rock


Em homenagem ao dia do Rock, aí vai uma dica cinematográfica e feminista.
 
Lançamento: 2010
Direção: Floria Sigismondi Elenco: Kristen Stewart, Dakota Fanning, Michael Shannon
Gênero: Biografia
Nacionalidade: EUA


Sinopse
Los Angeles, 1975. Joan Jett tinha o sonho de montar uma banda de rock, formada apenas por mulheres. Ela encontra apoio em Cherrie Currie, que integra a banda, e no empresário Kim Fowley. Com ele as integrantes da banda The Runaways levam uma vida desajustada e, apesar de apresentarem um som cru, alcançam o sucesso graças ao talento de Joan e o visual sensual de Cherie

Fonte: Adorocinema.com

Saiba+

Começaram a fazer alguns shows na Califórnia, e em 1976 a banda cresceu. Entraram a guitarrista solo de 16 anos Lita Ford e a cantora Cherie Currie. Além disso a baixista Micki Steele deixou a banda, sendo substituída por Jackie Fox. A banda atingiu grande sucesso. No mesmo ano, gravaram seu disco de estréia, intitulado "The Runaways". Do disco saiu o sucesso "Cherry Bomb", e a banda saiu em turnê nos EUA, cujos shows costumavam ter ingressos esgotados.

Em 1977 lançaram seu segundo álbum, chamado "Queens of Noise" e então começou a turnê mundial. No desembarque em um aeroporto do Japão, tinha tanta gente, que Joan Jett descreveu depois como sendo algo parecido com a Beatlemania. Ainda no Japão, Jackie Fox deixou a banda. Joan Jett assumiu os baixos temporariamente, e ao voltarem foram ocupados pela garota de 17 anos Vickie Blue. Então, a cantora Cherie Currie deixou a banda, e Joan Jett, que fazia a segunda voz, assumiu o vocal. A banda gravou seu terceiro álbum "Waiting For The Night" e começou uma turnê mundial com a banda punk Ramones.

Em 1978, desacordos fizeram as Runaways e Kim Fowley romperem. A baixista Vickie Blue deixou o grupo, sendo substituída por Laurie McAllister. Gravaram então seu último álbum "And Now... The Runaways".

A banda acabou oficialmente em 1979. Havia muitas críticas da imprensa americana, que não estava preparada para ver garotas adolescentes com atitude, que escreviam e tocavam as próprias músicas e seus próprios instrumentos. Existiam também os problemas internos de constante troca de integrantes, e sub-gênero do rock a ser seguido. Joan Jett, guitarrista base, preferia o punk, enquanto Lita Ford tinha preferência pelo Heavy Metal. A banda acabou, mas deixou a mensagem principal de que mulheres podem fazer Rock. Após o fim da banda Após o término do grupo cada integrante seguiu em carreira solo, formou uma nova banda, ou mudou de profissão.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Runaway, com edição do blog.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Aprovada a paridade na CUT

Por decisão da maioria dos delegados e delegadas no 11º CONCUT, que rola em SP (de 8 a 13 de julho), acaba de ser aprovada a paridade no Estatuto da CUT, que é a maior central sindical da América Latina e umas das maiores do mundo. Quem apresentou a proposta, em nome do conjunto que apoia a paridade, foi Rosane (foto), atual secretária da Mulher Trabalhadora da CUT.

A batucada da Marcha Mundial das Mulheres estava presente gritando "Central Única DAS TRABALHADORAS". O plenário cantava "É pra vencer / é pra lutar / a paridade tá na hora de aprovar" e também "Se quer falar de igualdade / Rompe machismo e aprova paridade".

Veja trechos das defesas das mulheres:

Elida, da EPS: "quando é achatado o salário de metade da classe trabalhadora, que são as mulheres, há a redução do custo de trabalho. Portanto, estamos fazendo luta de classes, somos anticapitalistas"

Jandira, da AE: "não é possível ter uma visão de classe trabalhadora sem perceber que existe exploração maior das mulheres. A paridade potencializa o engajamento das mulheres na luta de classes"

Marlei, da CSD: "a luta das mulheres remonta à formação da Comissão Pró-CUT. A luta anticapitalista da CUT se expressa no combate à exploração e opressão das mulheres. Não há socialismo sem feminismo. A paridade dará condições objetivas de participação das mulheres na CUT, para torna-la mais feminista"

Carmem, da ARTSIND: "a paridade é o reconhecimento que existe em nossa vida, no trabalho, em cada esquina, em casa, em todos os lugares a violência e a opressão das mulheres. Igualdade é um instrumento democrático e classista"  


Da MMM-Pará estão presentes no 11º CONCUT as militantes Rosalina (presidenta do Sindbancários), Ray Barreto (Sec. da Mulher da CUT PA) e Cristina Leão (Op. Cutista Sintepp).

quarta-feira, 11 de julho de 2012

No Congo, o fardo de ser mulher

 
Por DZHAMBAZOVA e PAULIN BASHENGEZI


BUKAVU, República Democrática do Congo — Às 6h da manhã Cesarine Maninga, 43, amarra um fardo de 50 kg de carvão às suas costas e parte a pé para Bukavu, capital da província de Kivu do Sul, no leste do Congo.

Maninga é uma das centenas de mulheres que fazem esse trabalho todos os dias, carregando cargas de até 100 kg por distâncias curtas. Nessa manhã, ela espera vender a “makala” —o carvão seco usado na cozinha e para aquecimento. Ela vai caminhar quase 10 km com sua carga.

“Não tenho escolha”, ela fala em tom de resignação amarga. “Preciso alimentar minha família” —11 filhos e um marido desempregado.

Várias pesquisas internacionais já classificaram a República Democrática do Congo como o pior lugar do mundo para mulheres. De acordo com um estudo publicado no ano passado pelo “American Journal of Public Health”, 48 congolesas são violentadas por hora. Vários grupos rebeldes e milícias vêm há anos usando o estupro como arma para destruir comunidades.

Durante anos de guerra em toda a parte oriental do Congo, as mulheres passaram a carregar cargas pesadas nas costas. Cavalos, burros e caminhões custam caro demais, dizem os congoleses. As estradas, quando existem, são quase intransitáveis, exceto a pé.

Na cidade, as carregadoras transportam pesos entre o porto à margem do lago e o mercado, além de fazerem entregas para consumidores em situação financeira melhor. Carregam mandioca, bananas, cana de açúcar, farinha, carvão, areia e lenha.

Cada mulher carrega centenas de quilos por semana. Não há pausas para comer ou para descanso —apenas mais quilômetros a percorrer para receber US$ 1 ou US$ 2 por dia, valor que mal é o suficiente para comprar um pouco de farinha ou arroz.

Nesta região, onde a guerra nos anos 1990 dizimou o que existia em matéria de indústria ou agricultura, os alimentos são trazidos de outros lugares e, por essa razão, são relativamente caros.

Foram os anos de guerra, quando os homens foram mortos ou então voltaram para casa e não encontraram trabalho, que deram ao Congo oriental suas multidões de mulheres carregadoras.


Embora o índice de alfabetização aqui chegue a 67% da população adulta, segundo a Unesco, muitas meninas não frequentam a escola, porque seus pais têm dificuldades em pagar as mensalidades. As mulheres estão mal representadas nas instituições políticas.

Essa situação vem mudando, mas, para ativistas dos direitos das mulheres, as mudanças são lentas demais.

“Infelizmente, isso virou moda na RDC”, comentou Solange Lwashiga, secretária de uma ONG local, o Caucus de Mulheres Congolesas de Kivu do Sul pela Paz. “As mulheres tomaram o lugar de máquinas. Tomaram o lugar de veículos.”


Financiado por doadores e contribuições minúsculas de suas sócias, o grupo oferece a congolesas microcrédito no valor de US$ 50 ou US$ 100 para que possam deixar o trabalho de carregadoras e tentar encontrar outras maneiras de ganhar a vida. “Há mulheres de espírito empreendedor na RDC”, disse Lwashiga. “Se você der US$ 10 a uma congolesa, dentro de um mês haverá US$ 30.”

Stella Yanda, diretora da ONG Initiatives Alpha, disse que isso também pode ajudar a acabar com o que ela considera ser uma discriminação dupla.

“Os homens recebem mais que as mulheres para carregar os mesmos volumes de mercadorias”, disse ela —eles recebem mil francos congoleses, ou cerca de US$ 1, enquanto as mulheres mal conseguem ganhar 500 francos congoleses. Yanda e Lwashiga também defendem a criação de uma lei que limite em 50 kg o peso permitido das cargas.


O fato de carregar fardos pesados inevitavelmente afeta a saúde das mulheres, desde dor muscular e câimbras até dores fortes nas costas e pescoço e danos ao cérebro causados pelas cordas amarradas à testa para dividir o peso.

Cesarine Maninga volta para casa exausta. Ela se queixa de dores constantes na cabeça e nas costas; certa vez, quebrou o braço carregando um fardo.

“Às vezes carrego um fardo sem ter comido nada. Quando tiro o fardo das costas, fico tonta. Mas estou acostumada. Não posso parar.” Lwashiga concorda. “Não vejo esse trabalho deixando de existir, a não ser que tenhamos mais mulheres na política”, disse.

Fonte: The New York Times (09/07), com resumo do Blog.