quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Contraf-CUT denuncia propaganda sensual do Santander ao MPT
A Contraf-CUT entrou com representação contra o Santander no Ministério Público do Trabalho (MPT) por propagandas com gerentes em poses sensuais e pediu a suspensão imediata da peça publicitária. Em um dos banners, o banco utiliza a foto de uma mulher para motivar o interesse do público em abrir uma conta bancária com a gerente e diz: "Joyce, gerente do Santander. Abra uma conta com ela". A propaganda mostra a gerente, ao que parece estar balançando numa rede, com as pernas de fora, vestido decotado, em trajes inapropriados e incondizentes com a atividade profissional.
Outro banner traz a imagem de um gerente sem camisa, tomando banho em um chuveiro de praia. "Rafael. Gerente Santander. Abra uma conta com ele", são os dizeres que também acompanham a foto. A campanha teve início no dia 22 de setembro e além de gerar espanto e revolta entre a categoria bancária, também causou polêmica nas redes sociais. Internautas de várias partes do País classificaram a publicidade de apelo ao erotismo, incentivo ao assédio sexual, de grotesca e vergonhosa.
Para o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, a atitude do banco é inadmissível. "Queremos que as peças publicitárias saiam de circulação imediatamente. O Santander passou dos limites ao explorar o corpo e a sensualidade dos próprios funcionários. Os banners também mostram gerentes felizes da vida. Estamos entrando na terceira semana de greve por responsabilidade dos bancos, que não apresentaram ainda uma nova proposta. É um desrespeito total à categoria, que não está nada feliz, mas indignada com a postura dos banqueiros de forma geral e com a falta de ética do Santander com este tipo de publicidade", afirma Roberto.
Segundo divulgação do banco à imprensa, a campanha utiliza 200 gerentes de agências em banners distribuídos nas principais cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. O banco ainda informou que cada peça retrata um gerente em momento de lazer, descontraído e fora do ambiente de trabalho. Segundo o Santander, a intenção é fazer as pessoas se identificarem com o funcionário da foto.
"Neste caso, a identificação para ser real, deveria utilizar outro tipo de foto", dispara a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Elaine Cutis. "Os casos de adoecimento aumentam a cada dia, com metas abusivas e assédio moral. As mulheres, tão utilizadas e usadas, na campanha do banco, ainda são minoria nos cargos de direção e recebem salários mais baixos, só pelo fato de serem mulheres. Realidade? Nada é real nesta campanha, somente a exploração praticada pelos bancos mais uma vez", critica a secretária.
O assessor jurídico da Contraf-CUT, Jefferson Martins de Olivera, explica que o banco pode ser processado por grave violação à dignidade de toda uma categoria profissional. "A denúncia ao Ministério Público do Trabalho busca o estabelecimento de uma mediação o mais breve possível com o banco, para determinar uma regra de conduta que resguarde a dignidade da categoria bancária. O banco extrapolou os limites da relação de trabalho. Tal processo pode inclusive acarretar uma multa altíssima por dano moral coletivo", informa o advogado.
"Não vamos admitir mais esta tentativa de abuso do banco. Tenho certeza que vamos derrubar a campanha publicitária e vencer mais esta batalha", ressalta Roberto von der Osten.
Fonte: Contraf-CUT
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Poderosas Cutistas: As mulheres querem! As mulheres podem!
Escrito por
Rosane da Silva
Secretária Nacional das Mulheres Trabalhadoras
Parece que foi ontem, que fui indicada para estar à frente da Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, e lá se vão 8 anos de muita luta, desafios e desafios! Por isso gostaria de aproveitar esse espaço, para fazer um rápido olhar sobre esses anos em que estive a frente da SNMT quero destacar alguns momentos que marcaram nossa atuação.
As ações de auto-organização e atuação na Central
Na 12ª Plenária Nacional da CUT, em 2008, a política de cotas deixou de ser apenas uma recomendação e passou a fazer parte do estatuto da CUT, como uma regra a ser cumprida e a Campanha “Igualdade de oportunidades na vida, na sociedade e no movimento sindical” foi relançada.
A campanha nos colocou o desafio de lutar por políticas públicas e ações sindicais que incidam sobre a divisão sexual do trabalho especialmente nas tarefas domésticas e de cuidados e articular diversos aspectos relacionados à vida cotidiana das mulheres com as situações que enfrentam no mundo sindical e na sociedade.
Além de serem fortemente impactadas pela terceirização, por relações de trabalho precarizadas, as mulheres enfrentam discriminação no acesso, permanência e ascensão no mercado de trabalho por serem mulheres e por serem responsáveis pelas tarefas domésticas e de cuidados. Para incentivar o debate e a luta em relação a esses aspectos fizemos uma cartilha sobre creche e uma sobre a Convenção 156 da OIT e preparamos um documento a ser encaminhado à III Conferência Nacional de Política para as Mulheres. Para nós, segue sendo um desafio a luta por políticas públicas que possibilitem o compartilhamento de tarefas domésticas e de cuidados com os homens e o Estado.
Nessa longa jornada gostaríamos de destacar a aprovação da paridade em 2012, no XI CONCUT, como uma grande conquista para as trabalhadoras no mundo sindical e um exemplo de pioneirismo que pode e deve ser levado às centrais de outros países.
A partir deste ano as direções e executivas estaduais e a direção nacional e executiva da CUT terão 50% de homens e 50% de mulheres.
A nossa sociedade é machista, patriarcal e capitalista, e as mulheres precisam criar mecanismos para superar os obstáculos que permeiam sua vida, e neste caso, em sua participação política. Por isso, para nós, a paridade não é apenas um número, mas uma política para enfrentar essa realidade desigual de participação política, e para sua implementação é necessária muita unidade das mulheres. A paridade entre homens e mulheres não é um fim em si mesmo, mas é um passo fundamental para iniciar uma mudança na concepção política e sindical da CUT.
No início de 2014 concretizamos o sonho de realizar um curso de formação feminista para o coletivo nacional de mulheres da CUT. O curso foi organizado e coordenado em parceria com o CESIT-UNICAMP.
Encerramos no último dia 03 de outubro este projeto que era só um sonho, mais com certeza foi um acerto político lutar e concretizar esse processo, pois além de ser um espaço de reflexão teórica, mais também de concilidar a unidade e solidariedade das mulheres cutistas.
Na luta junto com as organizações parceiras
Também 2008 passamos a integrar a Frente Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. Em 2010 tivemos presença marcante na 3ª Ação da Marcha Mundial de Mulheres. Em 2011 e 2015 fomos a Central que mais levou mulheres para participar da Marcha das Margaridas.
Junto com a FENATRAD e a CONTRACS acompanhamos todo o processo de negociação pela aprovação da Convenção 189 e da Recomendação 201 na OIT que trata do trabalho decente para trabalhadoras e trabalhadores domésticos. Assim como toda a luta para igualar o direito das trabalhadoras domésticas aos dos demais trabalhadores e trabalhadoras. Ainda que não da maneira como era reivindicado por nós, em junho deste ano, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou o Projeto de Lei nº 224/13 (PL), que regulamentou os direitos das trabalhadoras domésticas. Essa foi uma vitória muito importante para as trabalhadoras brasileiras; mais de 7 milhões de mulheres e negras deste país saíram da invisibilidade e conquistaram direitos.
O feminismo como afirmação de um projeto libertário
A opressão e a exploração das mulheres seguem dando sustentação ao capitalismo e às suas contradições, portanto, não bastam ações e demandas com “recorte de gênero”: mudar a vida das mulheres significa transformar o mundo em que vivemos. E, para nós não há como transformar a vida da classe trabalhadora sem transformar a vida das mulheres.
As mulheres querem o aprofundamento da democracia, redistribuição da riqueza, a igualdade entre mulheres e homens. Por isso fazemos parte de um mesmo sonho e do mesmo ideal: queremos construir uma sociedade sem machismo, sem homofobia, sem racismo. Queremos construir uma sociedade libertária.
Eu tentei fazer um trabalho para envolver todas as companheiras. O coletivo é um espaço de construção coletiva e de fortalecimento da nossa unidade e solidariedade, e ao nos fortalecermos estamos fortalecendo a CUT.
2015 será um marco na história da nossa Central. Teremos paridade de mulheres e homens. Estão chegando muitas mulheres nos espaços de direção, militantes históricas algumas mais jovens no movimento sindical, feministas e outras valorosas lutadoras em outras frentes. Vamos olhar essas companheiras como companheiras que vieram fortalecer a luta das mulheres
A construção de uma plataforma feminista no interior do movimento sindical, assim como a presença permanente das pautas do mundo do trabalho no movimento feminista, é tarefa de todos e todas que desejam uma sociedade livre do machismo e do capitalismo. A disputa de concepção de sociedade que a CUT faz deve se pautar na certeza da necessidade de mudanças profundas na estruturação da sociedade para garantir a igualdade de direitos sociais, políticos e econômicos para mulheres e homens.
Só tenho a agradecer a minha corrente politica, as mulheres e homens da Central Única dos Trabalhadores que me daram a oportunidade neste 15 anos de representar a nossa central em vários espaços nacionais e internacional.
Encerro meu ciclo na CUT com a certeza que as mulheres estão mais fortes, combativas, feministas e revolucionárias, e só com muita unidade e solidariedade iremos construir uma sociedade justa e igualitária, libertaria, sem ódio e intolerância, uma sociedade verdadeiramente socialista.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Neste sábado (17), Culturada Feminista em Belém
No próximo sábado, acontecerá a Culturada Feminista da Marcha Mundial das Mulheres e você é nossa convidada para esta tarde cheia de feminismo e cultura.
A programação iniciará às 16h, na Praça do Carmo, onde rolará:
> Debate sobre "A violência contra as mulheres nos espaços públicos"
> Teatro feminista
> Rap Feminista
> Lanche coletivo (se puder, leve alguma coisa)
> Intervenção cultural
A programação iniciará às 16h, na Praça do Carmo, onde rolará:
> Debate sobre "A violência contra as mulheres nos espaços públicos"
> Teatro feminista
> Rap Feminista
> Lanche coletivo (se puder, leve alguma coisa)
> Intervenção cultural
Obs.: podem levar uma canga ou lenço para sentar no chão.
Participe!
terça-feira, 24 de março de 2015
Porque a Igualdade é uma bandeira radical
Nesse 08 de março em meio a tantas manifestações feministas no facebook
uma me chamou atenção. Uma mulher me diz que o feminismo tem que parar de falar
de igualdade e falar de justiça, porque as mulheres não querem e não precisam
ser iguais aos homens, que nunca homens e mulheres estarão de mãos dadas
cantando “We are the world” e que feminismo é luta e que não tem nada de errado
em odiarmos os homens, pois eles nos oprimem, e o ódio por eles alimenta a
nossa vontade de acabar com a opressão.
De todas as coisas que eu poderia discordar desse ponto de vista eu
escolho a visão de que a igualdade não é uma bandeira radical. Visão essa que
me perturba como ser humano por dois motivos. Primeiro porque justiça e
igualdade são coisas muito imbrincadas e lutar por justiça não me parece incompatível
com lutar por igualdade, ao contrário, me parece que seria impossível faze-lo.
Segundo porque parece que ainda perpetuamos e reproduzimos aquela velha fantasia
de que o feminismo está aqui para transformar mulheres em homens.
Além desses motivos, me parece que certas campanhas institucionais, tipo
HeForShe ou Campanha do Laço Branco, trazem a impressão de que a igualdade
entre homens e mulheres só é possível se houver composição, um acordo entre homens
e mulheres para um fim pacífico do patriarcado.
O feminismo como movimento político e filosófico se formou com uma
diversidade primeiramente de classe, feministas sufragistas burguesas
questionavam o direito de cidadania exercido pelo voto dado somente a homens,
na mesma época feministas trabalhistas e comunistas questionavam também as
condições de trabalho das mulheres, sua remuneração mais baixa e a negação de assistência
às especificidades das mulheres... Vejam que o feminismo queria que todos
pudessem votar de forma igual, mas exigia que as especificidades das mulheres trabalhadoras
fossem respeitadas.
Se alguma corrente feminista tinha o “homem” como ideal a ser alcançado,
o feminismo francês tratou de torna-la minoritária. A famosa Simone de Beauvoir
em “O Segundo Sexo” escreveu sobre como a mulher era construída como um ser
errado, transviado e que a opressão residia na visão da mulher como “o outro”,
ou seja, para que o feminismo pudesse libertar as mulheres ele não pode
compara-la aos homens, o homem não pode ser o ideal que queremos alcançar.
Aquela frase da Rosa Luxemburgo estampada nas nossas camisas faz todo o
sentido para entendermos porque a bandeira igualdade não está aqui para nos
transformar em homens: “por um mundo onde sejamos socialmente iguais,
humanamente diferentes e totalmente livres”. O feminismo, nas suas mais
diversas correntes, não propõe que as mulheres lutem para ser iguais ao homens,
mas sim para que homens e mulheres tenham o mesmo valor e o mesmo espaço na
sociedade, para que não haja hierarquia entre as biologias, para que
não haja privilégios herdados, nem que hajam modelos naturalizados de exercer
sua humanidade.
Se pararmos para pensar no que isso significa, percebemos que é a pauta
mais radical do feminismo, porque envolve basicamente mudar tudo no mundo,
mudar o jeito de fazer política, o jeito de produzir riqueza, o jeito de se
relacionar com o outro....
No Brasil, por exemplo, a igualdade significa, legalizar o aborto, diminuir as horas de
trabalho, mudar quase toda a legislação trabalhista, garantir livre escolha no
parto, criar mecanismos de paridade nas profissões, fim da divisão sexual do
trabalho, criar mecanismos de prevenção da violência contra a mulher, regulamentação
laica e racional do uso de drogas, agricultura livre de transgênicos, fim do latifúndio,
ampla e irrestrita reforma agrária, fim da cultura do estupro, e muitas outras
coisas ... e se der pra acabar com o capitalismo então, já ia ajudar bastante!
Todas as pautas mais radicais do feminismo são pautas de igualdade... A
luta pela igualdade é a luta pela transformação das relações de poder, pelo fim
dos privilégios e por esse motivo são batalhas difíceis de serem travadas.
Nesse ponto, acho que as campanhas de correntes feministas que têm
ganhado a mídia contribuem para uma visão equivocada de como a igualdade será
conquistada. A ONU tem convocado os homens a se envolverem na luta das mulheres
pela igualdade. O slogan HeForShe (Ele Por Ela) pode ser bom se pensarmos que
estamos convidando os homens a refletir sobre seus privilégios, mas é péssimo
quando percebemos que ele criou a ideia de que o patriarcado e a opressão
feminina é algo externo as relações entre homens e mulheres, e que homens e
mulheres unidos vão combater algum tipo de “monstro do mal”, sem por em evidência
de que a desigualdade vivida pelas mulheres é o que garante os privilégios
masculinos e uma forma de produção que lucra (e muito!) com essa opressão... Ou
pior, que a igualdade é uma concessão.
A igualdade pela qual os feminismos tem lutado não é compatível com
conciliação, não é uma concessão dos homens, é uma mudança estrutural em como a
humanidade se relaciona. Entretanto, eu não acho que o feminismo é compatível
com qualquer tipo de ódio, os privilégios são gerados dentro de um sistema, sem
que muitas vezes os indivíduos tenham escolha dentro dele. Aderir às falácias da misandria é assumir uma naturalização das relações humanas, onde homens nasceram com o machismo irreparável, o que é totalmente incompatível com o que se propõe o feminismo, que é mostrar que tudo isso é construído e pode ser mudado.
Também não concordo que exista apenas uma forma de alcançar a igualdade
ou a justiça. A organização das mulheres em torno de seus direitos e aspirações
tem formulado muitos caminhos possíveis, essas experiências fizeram avançar muitas
conquistas e em outros períodos também trouxeram retrocessos. Mas se vamos
lutar ao estilo Ghandi, ao estilo guerrilheiras do YPG, se vamos disputar as vias institucionais,
se vamos fazer tudo mesmo tempo, isso é uma resposta que só será encontrada na organização
das mulheres.
domingo, 8 de março de 2015
A origem do Dia Internacional da Mulher
Por Lorena Abrahão*
Para compreender as origens do Dia Internacional das
Mulheres, é necessário desconstruir a ideia que esta é uma data criada para
fomentar o mercado de consumo. Desconstruir também o mito que se dá por um incêndio em uma fábrica nos EUA, onde morreram mais de 100 mulheres queimadas. Não há documento histórico nenhum, nem mesmo que comprove que houve este incêndio, e pelo calendário ele ainda teria sido em um domingo, pouco provável, mas mesmo que tenha ocorrido, nada tem a ver com a origem do Dia Internacional da Mulher.
Pela História e estudos sobre o movimento de mulheres
socialistas, chegamos nos meados do século XX. Em diversos países já existiam
movimento de mulheres em busca de conquistas básicas como direito ao divórcio,
estudar e votar. Se compreendia que o voto era o primeiro passo para as outras
conquistas.
No próprio movimento socialista ocorriam contradições e
embates a cerca do reconhecimento da igualdade entre os sexos (parece bem atual
não?!). As mulheres russas lutavam também por direito ao voto; pelo acesso ao
trabalho e espaço público; além de pelo reconhecimento como portadoras de bens
e direitos.
Então o movimento sufragista “unificou” internacionalmente o
movimento de mulheres. Não significa que tenha tornado todos os movimentos em
um só, mas que em torno de um denominador comum, uniu as mulheres em torno desta
bandeira.
Em 1910, em Copenhagen, ocorre a 2ª Conferência de Mulheres
Socialistas. Onde foi aprovada a proposta de um Dia Internacional de luta pela
libertação das mulheres. Este é o marco do 8 de março, data que era considerado o
Dia das Mulheres Trabalhadoras na Rússia.
No 8 de março de 1917, as russas saíram nas ruas de
Petrogrado na luta de conquistas trabalhistas. Para Alexandra Kollontai “as
mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o
mundo”. Daí então, propagou-se pelo mundo as atividades em torno da data.
E essa é a real origem deste dia, que é um dia de luta pela
liberdade das mulheres.
Desconstruir mitos, reafirmar o significado é reforçar o fato
das mulheres serem e poder serem protagonistas de sua própria História.
Seguiremos em Marcha, até que todas sejamos livres!
*Lorena Abrahão é feminista, formada em Letras, assessora sindical e
militante da Marcha Mundial das Mulheres.
08 de Março, vamos à luta!
Por Karol Cavalcante
Muitos
foram os avanços conquistados pelas mulheres. Na última década, cresceu o
número de mulheres no mercado de trabalho, no parlamento, nas atividades
científicas. Este crescimento reflete a luta e organização das mulheres na
sociedade. Embora tenhamos avançado bastante, as dificuldades ainda são
latentes e se refletem no mundo do trabalho e na vida das mulheres.
Desde
2002 vivemos um novo momento na política e na vida das mulheres brasileiras.
Com a eleição de Lula e Dilma um conjunto de políticas públicas foram
implementadas com o objetivo de combater as desigualdades históricas entre
homens e mulheres. Conquistamos o primeiro órgão federal de políticas públicas,
Conferências, Plano Nacional de Políticas para as mulheres, a Lei Maria da
Penha principal mecanismo de combate a violência contra as mulheres, a
regulamentação em Lei do trabalho doméstico, entre outras conquistas.
Avançamos
bastante, mas não podemos nos levar pelo discurso triunfalista de que homens e
mulheres já vivem em situação de igualdade na sociedade. Somos apenas 8,7% do
congresso nacional, mesmo representando 52% do eleitorado. Em relação ao
mercado de trabalho brasileiro, homens recebem salários 30% maiores do que as
mulheres (Fonte: Observatório de gênero no Brasil). Cumprimos uma carga horária
de trabalho exaustiva e muitas vezes somos as únicas responsáveis pelo trabalho
doméstico. Nós mulheres ainda representamos 70 % da população pobre do mundo.
Embora
tenhamos avançado bastante no que concerne as políticas públicas, avançamos
pouco no que se refere aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Ainda
temos uma legislação do século passado que criminaliza o aborto fazendo com que
anualmente milhares de mulheres, principalmente as mais pobres, recorram a esse
método de forma clandestina, em péssimas condições, colocando em risco suas
vidas.
É
papel de um governo progressista se propor a discutir e alterar os marcos
legais existentes no Brasil sobre a temática. É necessário compreender o legado
de opressão que impede que mulheres tenham de fato o direito de decidir sobre o
seu corpo. Devemos seguir o exemplo dos nossos irmãos Uruguaios e
descriminalizar o aborto no Brasil. No Uruguai o número de abortos passou de 33
mil por ano para apenas 4 mil. Segundo os dados oficiais do governo Uruguaio
entre dezembro de 2012 e maio de 2013 não foi registrado nenhuma morte materna
por consequência de aborto. Junto a descriminalização o governo uruguaio
implementou um conjunto de politicas públicas de planejamento familiar e
atendimento integral de saúde reprodutiva da mulher.
O
ambiente conservador, liderado por parlamentares fundamentalistas e religiosos
tem tornado o tema do aborto um assunto cada vez mais difícil de ser debatido no
Brasil. Embora os conservadores não queiram debater não há como negar que o
aborto existe e é praticado por milhares de mulheres. Dados do Ministério da
saúde de 2013 estimam que ocorra mais de um milhão de abortos provocados todos
os anos. O abortamento é a quinta causa de mortalidade materna no país. Entre
2007 e 2012 um total de 963. 291 mulheres foram internadas no SUS por aborto e
suas complicações. O custo desse atendimento foi de 180 milhões aos cofres
públicos brasileiro. Sobre o perfil das mulheres que recorrem a esse método 81%
já possui filhos e 64% estão casadas, isto sugeri que o aborto é usado como
instrumento de planejamento familiar quando os métodos contraceptivos falham.
Quanto a religião 65% declaram ser católicas, 25% protestantes ou evangélicas e
5% seguem outras religiões. Os dados comprovam que apesar da proibição legal ao
aborto ele existe e vítima anualmente milhares de mulheres, em sua maioria
pobres e negras (Pesquisa nacional de aborto/ UNB). A Legalização do aborto e
sua descriminalização são pautas fundamentais para o avanço de políticas
públicas que caminhem rumo a garantia da autonomia das mulheres.
O
Partido dos Trabalhadores, desde 1991, defende em seu programa politico a
legalização do aborto. Sofremos vários reveses na pauta nos últimos anos, fruto
das contradições e dos limites que se apresentam a um partido que se torna
governo. Mas nós mulheres petistas não podemos abrir mão desse enorme desafio
de debater este tema tão atual que atinge a vida cotidiana das mulheres
brasileiras e que deve ser tratado como uma questão de saúde pública.
Que
neste 08 de Março possamos mais uma vez ir as ruas lutar para que o aborto
legal seja um direito das mulheres e dever do estado. Que possamos lutar por
mais dignidade, autonomia e cidadania. Enfim, que possamos caminhar para uma
sociedade verdadeiramente igualitária, justa, solidária e libertária.
*Karol
Cavalcante é Socióloga, Especialista em Gestão de Municípios pelo NUMA/UFPA.
Feminista e ativista digital. Atualmente é Secretária-Geral do PT do Pará.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Lançamento da 4ª Ação Internacional da Marcha no Pará é neste domingo (8/3)
8 de março
Neste domingo, 9h, esperamos vocês na Praça da República pra participar do Lançamento da 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Pará. Vai rolar...
... Ensaio da Batucada e fabricação de instrumentos (Leve sua lata ou bumbo, cabo de vassoura e retalhos, lá teremos spray's e demais materiais)
... Teatro Manifesto Feminista
... Pintura de faixas
... conversa e lanche coletivos (mistura de pequenique e roda de conversa, hehe! Leve alguma coisa para compartilharmos, como sucos, bolo, frutas etc.)
Mulheres, vocês estão convidadíssimas a se somar conosco nesta jornada!
Seguiremos em Marcha até que todas sejamos LIVRES!!!
4ª Ação Internacional
Em 2015, a Marcha realizará sua 4ª Ação Internacional que, nesta edição, será regionalizada. No Brasil, ocorrerá encontros e eventos em diversas datas e localidades entre os dias 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) e 17 de outubro (data de fundação da MMM) de 2015.
O Pará participará de um encontro de mulheres da Região Norte a ser realizado de 15 a 17 de abril em Palmas (TO). Estimamos a participação de 50 paraenses nesta importante atividade, cuja composição da delegação será bastante diversa, com mulheres sindicalistas, assentadas, estudantes universitárias, alunas do Projeto de Construção Civil (será alvo de um post lindo em breve!), catadoras de resíduos sólidos, mulheres de movimento de bairro, bancárias e atingidas por barragens.
Para garantir a participação de todas independente da condição financeira individual, realizaremos diversas atividades financeiras como brechós e feijoada, para custear as despesas da viagem.
Além disso, o Pará vai contribuir realizando oficinas e espaços lúdicos durante o encontro em Palmas, focando no tema "Controle do corpo e da vida das mulheres".
Neste domingo, 9h, esperamos vocês na Praça da República pra participar do Lançamento da 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Pará. Vai rolar...
... Ensaio da Batucada e fabricação de instrumentos (Leve sua lata ou bumbo, cabo de vassoura e retalhos, lá teremos spray's e demais materiais)
... Teatro Manifesto Feminista
... Pintura de faixas
... conversa e lanche coletivos (mistura de pequenique e roda de conversa, hehe! Leve alguma coisa para compartilharmos, como sucos, bolo, frutas etc.)
Mulheres, vocês estão convidadíssimas a se somar conosco nesta jornada!
Seguiremos em Marcha até que todas sejamos LIVRES!!!
4ª Ação Internacional
Em 2015, a Marcha realizará sua 4ª Ação Internacional que, nesta edição, será regionalizada. No Brasil, ocorrerá encontros e eventos em diversas datas e localidades entre os dias 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) e 17 de outubro (data de fundação da MMM) de 2015.
O Pará participará de um encontro de mulheres da Região Norte a ser realizado de 15 a 17 de abril em Palmas (TO). Estimamos a participação de 50 paraenses nesta importante atividade, cuja composição da delegação será bastante diversa, com mulheres sindicalistas, assentadas, estudantes universitárias, alunas do Projeto de Construção Civil (será alvo de um post lindo em breve!), catadoras de resíduos sólidos, mulheres de movimento de bairro, bancárias e atingidas por barragens.
Para garantir a participação de todas independente da condição financeira individual, realizaremos diversas atividades financeiras como brechós e feijoada, para custear as despesas da viagem.
Além disso, o Pará vai contribuir realizando oficinas e espaços lúdicos durante o encontro em Palmas, focando no tema "Controle do corpo e da vida das mulheres".
Troca de experiências no mundo do trabalho e na vida sindical. Assim pode ser resumida a primeira reunião da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), dia 25 de fevereiro, com as bancárias de Belém. Durante o evento, todas as mulheres presentes contaram um pouco de suas vidas. Além disso, cada uma apontou de que forma a sociedade ainda precisava avançar em prol dos direitos e respeito às mulheres.
“O machismo, a opressão, a violência obstétrica ainda são problemas que nós mulheres enfrentamos em pleno século XXI e uma das melhores formas de enfrentá-los e através da nossa força e união, seja denunciando, pedindo ajuda de outras mulheres, tornando público tais problemas e apontando o que defendemos ser a solução. É um trabalho árduo, mas que para se ter êxito precisa ser diário começando com um simples debate ou conversa no local de trabalho. No dia 8 de março iremos às ruas mais uma vez tornar nossa luta pública”, destaca a presidenta do Sindicato, Rosalina Amorim.
Coletivo Estadual de Mulheres Bancárias – A reunião também abordou a importância da organização das mulheres no movimento sindical, em especial a categoria bancária, e a partir desse debate surgiu a ideia de criação de um coletivo de mulheres bancárias para o fortalecimento da luta das trabalhadoras que representam praticamente metade da categoria.
“O 11º Congresso Nacional da CUT aprovou a paridade entre homens e mulheres na direção da maior central sindical do país e o desafio foi lançado também aos sindicatos cutistas. Nós assumimos e queremos ampliar a participação das mulheres no movimento sindical e na construção das nossas pautas”, ressalta Rosalina Amorim.
“O 11º Congresso Nacional da CUT aprovou a paridade entre homens e mulheres na direção da maior central sindical do país e o desafio foi lançado também aos sindicatos cutistas. Nós assumimos e queremos ampliar a participação das mulheres no movimento sindical e na construção das nossas pautas”, ressalta Rosalina Amorim.
Além do coletivo, os sindicatos cutistas têm a tarefa de construir as secretarias de mulheres dentro de suas entidades.
“Essa reunião é a primeira de muitas que teremos com as mulheres bancárias do nosso Estado, em busca de fortalecer ainda mais a nossa luta específica de forma que elas sejam reforçadas e façam parte da pauta na Campanha Nacional. A Marcha Mundial das Mulheres, aqui em Belém, tem atividades pelo menos uma vez por mês e para quem estiver interessada o convite está feito para juntos somarmos e avançarmos”, convida a diretora de Comunicação do Sindicato e militante da MMM, Tatiana Oliveira.
“Essa reunião é a primeira de muitas que teremos com as mulheres bancárias do nosso Estado, em busca de fortalecer ainda mais a nossa luta específica de forma que elas sejam reforçadas e façam parte da pauta na Campanha Nacional. A Marcha Mundial das Mulheres, aqui em Belém, tem atividades pelo menos uma vez por mês e para quem estiver interessada o convite está feito para juntos somarmos e avançarmos”, convida a diretora de Comunicação do Sindicato e militante da MMM, Tatiana Oliveira.
4ª Ação Internacional da MMM – Em 2015, militantes da Marcha Mundial das Mulheres de todos os continentes do planeta, levantarão mais uma vez as vozes entre 8 de março e 17 de outubro para afirmar: “Seguiremos em Marcha até que todas as mulheres sejamos livres”!
A Marcha Mundial das Mulheres já realizou três ações internacionais, nos anos 2000, 2005 e 2010. A primeira contou com a participação de mais de 5000 grupos de 159 países e territórios. Seu encerramento mobilizou milhares de mulheres em todo o mundo. Nesta ocasião, foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento com dezessete pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de assinaturas. Essa ação foi caracterizada como um primeiro chamado de largo alcance, um passo no sentido da consolidação da MMM como movimento internacional.
Fonte: SEEB PA
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Brechó Pró Lili - MMM
No final do mês de outubro a companheira Lili (MMM Pará) será submetida a uma operação para retirar o útero, por conta de um mioma. A cirurgia chama-se histerectomia.
A Lili descobriu esse Mioma há 5 anos e desde então tem buscado métodos de tratamento para que não fosse necessário realizar a cirurgia. Mas os métodos infelizmente não foram eficazes e com o tempo as dores, o sangramento intenso e a anemia têm se intensificado.
O útero da Lili já mede mais de 500 cm³ de volume (o máximos normal é 90 cm³). O que aponta para uma cirurgia em caráter necessário e urgente.
Ela está esperando há um ano para realizar essa cirurgia pelo SUS. E em decorrência do seu quadro clínico já não é possível esperar mais.
A Histerectomia custa R$ 3.000,00 (Três mil reais). Mas a companheira Lili não tem condições de arcar com as despesas totais pré, peri e pós cirúrgicas. E por isso decidimos ajudá-la e achamos que mais pessoas também gostariam de fazer o mesmo. Por tanto, resolvemos fazer uma campanha financeira pró Lili. :)
Como você pode ajudar?
- Se você não mora em Belém, ou mora mas não pode ir pro Brechó, ou se quer ajudar de todas as formas, você pode participar da Vakinha virtual que a Lili criou. http://www10.vakinha.com.br/VaquinhaE.aspx?e=308404
Convida todo mundo pra participar dessa vakinha solidária.
- Se você tem aquelas roupas, sapatos, livros, vinis, bolsas, bijus, vasos,redes, etc. que você não usa mais, doa pra gente, que vamos reciclar e vender no brechó.
Quem pode doar e comprar?
Todo mundo. Amigas/os, parentes e vizinhas/os podem contribuir. Cá entre nós, todo mundo compra/ganha/guarda mais coisas do que realmente usa.
- o que não for vendido será doado para pessoas que necessitam.
Onde entregar as doações?
Sindicato dos Bancários: Rua 28 de setembro, 1210, próximo à Doca (procurar Lorena)
Caso você não possa entregar no sindicato, entre em contato que vamos pegar (contatos no final).
Quando será o Brachó?
O Brechó será no dia 29 de outubro, a partir das 16h, no Sindicato dos Bancários e só terminará 20h.
Vai ter opção pra pagamento em cartão de crédito, hein!
Convida todo mundo pra esse Brechó. Aguardaremos vocês com tudo arrumadinho.
....Ufa! Qualquer dúvida, pergunte pra alguma das marchantes abaixo.
raizarocha6@gmail.com
(91) 99224165 - vivo
lorena.mmm.pa@gmail.com
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Ciclo de oficinas de teatro-manifesto
Com muita alegria anunciamos que estão abertas as inscrições para o I Ciclo de oficinas de teatro-manifesto da Marcha Mundial das Mulheres - Pará.
As oficinas serão abertas, ou seja, poderão participar mulheres que militam na Marcha Mundial das Mulheres e as que não o fazem. Porém, infelizmente, por ser um projeto piloto, nossas vagas neste ciclo serão limitadas a apenas 25 inscrições. As inscrições excedentes serão alocadas em uma fila de espera.
Para efetuar a inscrição no Ciclo de oficinas será necessário pagar uma *taxa única de R$5 (no início da oficina) e preencher a ficha de inscrição.
A Érica Rapinadasbacantes, instrutora do Ciclo de oficinas, diz que quando o teatro é servido, exclusivamente, por interesses gerais, comerciais, econômicos, o limite entre o pessoal e o político fixa-se, e o teatro tende a tornar-se uma alienação pelo valor de mercadoria, pela lógica da massificação. Mas o teatro quando perspectivado no contexto de manifesto feminista, adquire outro estatuto de realização.
Por isso, propõem-se uma oficina de teatro que detém características temáticas e uma organização muito próxima das que caracterizam um grupo feminista: teatro alternativo de estímulo ao empoderamento da mulher, teatro-manifesto de dignação da mulher, perspectiva crítica horizontal, que contraria a perspectiva dominante vertical, dinâmica de informação, cooperação, divulgação, espaço pessoalmente marcante.
Teatro-manifesto porque implica um legado e uma posteridade, teatro do opressor/oprimido, teatro-manifesto feminista...
E então, mulheres, vamos vivenciar juntas tudo isso?
Nosso encontro será aos sábados, tendo início no dia 18 de outubro, das 15h às 19h, no sindicato dos bancários.
O Sindicato dos Bancários fica na Rua 28 de Setembro, n 1210, próx à doca. Para ver o mapa Clique aqui.
* Cobraremos R$5 pelas inscrições, porque estamos fazendo uma campanha para arrecadarmos dinheiro, a fim de ajudar uma das nossas companheiras a conseguir dinheiro para pagar uma cirurgia.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
URGENTE – DOE SANGUE (QUALQUER TIPAGEM) PARA FABÍOLA BRITO, MAIS UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
No
dia 8 de junho de 2014, por volta das 23h, a jovem Fabíola Cristiane Borges de Brito, 22 anos, foi surpreendida com um
tiro no peito, disparado pelo seu ex-namorado o qual não aceitou o término do
relacionamento e decidiu por tirar a vida de Fabíola.
A
jovem mulher que está sob o risco de vir ao óbito, está no CTI do Pronto
Socorro Municipal de Belém (14 de março) e precisa de DOAÇÃO DE QUALQUER TIPAGEM SANGUINEA COM URGÊNCIA PARA QUE SEJA
SUBMETIDA À CIRURGIA.
Que
a violência contra as mulheres existe nós sabemos, porém, sempre que um novo
caso acontece, mais consistente torna-se o entendimento que devemos seguir em
Marcha até que todas nós sejamos livres de todas as formas de opressão e violência.
A
família da vítima registrou ocorrência na Delegacia de Amparo à Mulher, mas o
agressor continua foragido. Para a Marcha Mundial das Mulheres é fundamental
que este e todos os outros casos sejam devidamente encaminhados para que os
agressores sejam sim punidos e educados a não mais cometerem atrocidades como
estas.
É
necessário também que o Estado garanta a efetivação das leis e políticas públicas
que possam alterar a realidade das mulheres que diariamente tem suas vidas
ceifadas pela violência sexista, violência gerada pelo machismo que faz o homem
ter o corpo da mulher como propriedade sua.
Estamos
solidárias à Fabíola Brito e sua família.
Seguiremos
em Marcha até que todas sejamos livres!!!
Obs.:
Para a doação de sangue, dirija-se ao HEMOPA PARÁ e forneça o nome completo e
hospital que a paciente está internada.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Sobre as palavras que nunca saíram
Só
hoje tive coragem de ler alguns textos sobre a cultura do estupro e fiquei com
um nó na garganta, chorando silenciosamente, com muita dor no coração, tremendo
e lembrando um dos motivos que me levam a permanecer na luta feminista...
Quando
eu tinha uns 5 anos ou 6, não lembro bem, morava em Marituba (município do
Pará), com meus pais e meu irmão. Meu pai e minha mãe trabalhavam bastante e
passavam a maior parte do dia fora de casa, mas nos deixavam aos cuidados de uma
babá até que chegassem do trabalho.
Um dia, eu fui brincar na casa do meu amigo, que morava ao lado de casa e o irmão mais velho dele, que na época deveria ter uns 17 ou 18 anos, me chamou para um quarto, abaixou a minha calcinha, botou a mão na minha boca tentando impedir que eu gritasse (nem precisava, as palavras não saiam) e começou a penetrar em mim, dizia que ele estava só brincando comigo, que se eu contasse aos meus pais ele iria machuca-los e ficou por bastante tempo fazendo aquilo e eu só queria chorar, porque doía muito e nem estava entendendo o que estava acontecendo.
Um dia, eu fui brincar na casa do meu amigo, que morava ao lado de casa e o irmão mais velho dele, que na época deveria ter uns 17 ou 18 anos, me chamou para um quarto, abaixou a minha calcinha, botou a mão na minha boca tentando impedir que eu gritasse (nem precisava, as palavras não saiam) e começou a penetrar em mim, dizia que ele estava só brincando comigo, que se eu contasse aos meus pais ele iria machuca-los e ficou por bastante tempo fazendo aquilo e eu só queria chorar, porque doía muito e nem estava entendendo o que estava acontecendo.
Lembro
que quando cheguei em casa, minha babá foi me dá banho, e quando viu minha
vagina, perguntou porque ela estava toda vermelha, assada, perguntou se eu
havia lavado com sabão de manhã e eu disse que sim (mentindo). Então ela me
ensinou que nunca deveria lavar com aquele tipo de sabão e que ia passar pomada
em mim. Mesmo depois dela ter me dado banho, ainda me sentia suja e com medo.
Houveram dias em que a minha babá precisava ir embora mais cedo e me deixava na casa desse vizinho. E o mesmo se repetia. Não entendo como ninguém naquela casa não percebia.
Passei tardes triste, lembro muito bem, sentia vontade de chorar, tinha uns momentos agressivos, vontade de fugir, de morrer, mas nunca sequer mencionei algo para os meus pais.
Um dia disse pra minha babá que não era mais amiga daquele menino e que preferia ficar na casa da coleguinha da frente, então, depois de eu ter insistido muito, um dia ela conversou com a mãe da garotinha e passou a me deixar lá. Mas não tinha um só dia em que eu não lembrasse daquilo. Sentia muita vontade de falar pro meu pai, principalmente nos dias em que ele deitava ao meu lado e perguntava como tinha sido o meu dia e eu tinha que sufocar as partes ruins e só falar sobre as boas. O medo de que algo ruim pudesse acontecer com meus pais ou comigo, me ajudava a sufocar qualquer palavra que denunciasse aquele homem.
Houveram dias em que a minha babá precisava ir embora mais cedo e me deixava na casa desse vizinho. E o mesmo se repetia. Não entendo como ninguém naquela casa não percebia.
Passei tardes triste, lembro muito bem, sentia vontade de chorar, tinha uns momentos agressivos, vontade de fugir, de morrer, mas nunca sequer mencionei algo para os meus pais.
Um dia disse pra minha babá que não era mais amiga daquele menino e que preferia ficar na casa da coleguinha da frente, então, depois de eu ter insistido muito, um dia ela conversou com a mãe da garotinha e passou a me deixar lá. Mas não tinha um só dia em que eu não lembrasse daquilo. Sentia muita vontade de falar pro meu pai, principalmente nos dias em que ele deitava ao meu lado e perguntava como tinha sido o meu dia e eu tinha que sufocar as partes ruins e só falar sobre as boas. O medo de que algo ruim pudesse acontecer com meus pais ou comigo, me ajudava a sufocar qualquer palavra que denunciasse aquele homem.
Meu
pai faleceu. Nos mudamos. E com isso, mesmo triste, a possibilidade de uma vida
nova, em outro lugar, plantava uma sementinha nova de felicidade no meu
coração.
Alguns
anos após a morte do meu pai, minha mãe conversou comigo e com meu irmão
falando sobre ter um novo namorado. E nós aceitamos. Vimos como foi difícil
superar a perda do nosso pai. Eis que após alguns meses de namoro, o namorado
da minha mãe passou a ter mais espaço dentro de casa, já podia dormir e fazer
alguns passeios conosco.
Um dia, a noite, minha mãe foi tomar banho, enquanto eu estava no quarto dela assistindo TV, junto com o namorado dela, então, em algum momento que não lembro perfeitamente, ele meteu a mão dentro da minha calcinha e disse pra eu ficar calada e não dizer nada pra minha mãe. Eu sabia o que aquilo significava. O mesmo pesadelo, com endereço e rosto diferente. O medo voltou. E permaneceu sufocando qualquer palavra de dor.
Um dia, a noite, minha mãe foi tomar banho, enquanto eu estava no quarto dela assistindo TV, junto com o namorado dela, então, em algum momento que não lembro perfeitamente, ele meteu a mão dentro da minha calcinha e disse pra eu ficar calada e não dizer nada pra minha mãe. Eu sabia o que aquilo significava. O mesmo pesadelo, com endereço e rosto diferente. O medo voltou. E permaneceu sufocando qualquer palavra de dor.
Um
dia estava dormindo e senti alguém puxando a minha calcinha, então fingi que
estava acordando e a pessoa saiu correndo pro outro cômodo da casa... esse era um
outro namorado que minha mãe arranjou alguns anos depois.
E
também teve uma vez em que eu estava no aniversário da minha tia, e o marido
bêbado dela acariciou meus seios, tocou na minha vagina, mandou eu sentar no
colo dele e ficou excitado.
Todos
esses homens me silenciaram.
Eu
podia ter falado alguma coisa, já que eu era um pouco maior e já tinha
consciência de que aquilo era errado, mas eu me sentia nojenta, culpada e o
medo de que as pessoas se machucassem ou brigassem por minha causa, me calou.
Desde então, minha relação com meu corpo não é boa. Lembro que um dia minha pediatra perguntou pra minha mãe porque eu não usava sutiã, que nas consultas eu sempre estava com umas blusas largas e uma blusinha colada por baixo ou top. Então minha mãe disse “(...) acho que ela tem vergonha dos seios, Dra”. E tinha mesmo. Mas, mais do que ter vergonha dos meus seios, eu não queria chamar atenção. Não queria ser uma mulher atraente. Talvez, o fato de ter sido estuprada somado ao de ter passado a maior parte da minha vida estudando o catolicismo e sendo orgânica dentro da igreja, tenha colaborado para essa relação com o meu corpo.
Desde então, minha relação com meu corpo não é boa. Lembro que um dia minha pediatra perguntou pra minha mãe porque eu não usava sutiã, que nas consultas eu sempre estava com umas blusas largas e uma blusinha colada por baixo ou top. Então minha mãe disse “(...) acho que ela tem vergonha dos seios, Dra”. E tinha mesmo. Mas, mais do que ter vergonha dos meus seios, eu não queria chamar atenção. Não queria ser uma mulher atraente. Talvez, o fato de ter sido estuprada somado ao de ter passado a maior parte da minha vida estudando o catolicismo e sendo orgânica dentro da igreja, tenha colaborado para essa relação com o meu corpo.
Eu
era o tipo de pessoa que humilhava os garotos da minha escola, que batia em
qualquer um que fizesse qualquer piada comigo. Lembro que nenhum namoro meu durava,
porque em algum momento do namoro, eu tratava aqueles homens como seres
descartáveis. Foi grande o susto das minhas amigas e família quando meu namoro
durou mais de um ano.
Foi
nesse namoro que comecei a refletir sobre a raiva que sentia (já estava na
universidade). E consegui conversar mais, ser mais compreensiva e consegui ter
minha primeira relação sexual, acho que isso ocorreu quando eu tinha uns 21
anos. E lembro que chorei, na primeira tentativa. Porque isso me remetia à
lembranças ruins e aquele sentimento de nojo voltava.
Eu
já militava no movimento estudantil desde os 18 e no movimento feminista desde
os 19, mas foi demorado o processo para que eu percebesse que não havia nada de
errado comigo, que eu não era a culpada, que os culpados eram outros. Aqueles
homens que sentiram-se no direito de usufruir do meu corpo sem meu
consentimento. Aqueles homens que me violentaram psicologicamente. Aqueles
homens que se acharam donos do meu corpo. Eles sim, eram os culpados. Mas ainda
assim, mesmo depois de tanto tempo militando, aquelas ordens sobre meu silêncio
ainda ecoam e ainda são obedecidas. Porque há uma sociedade que também me quer
calada.
Enquanto
escrevo esse texto, outras meninas devem estar sendo estupradas, ou mulheres, e
elas, de certo, ficarão caladas, chorando, ou com muita raiva, porque aqui fora
há uma sociedade que não quer ouvi-las e que quando ouvem, as culpam. Aqui fora há uma sociedade que
ensina as mulheres a como não ser estupráveis e que, consequentemente, se
formos, é porque não seguimos essas “regras”.
Pra
você, que faz parte das pessoas que culpam a vítima, seja pela roupa, pelo
corpo “sedutor”, pelo horário em que estava na rua, porque ela é uma
“piriguete”, ou qualquer outro argumento para justificar, você também estava
colocando a mão na minha boca e me ameaçando na hora em que eu estava sendo
estuprada. Você também é um estuprador e está contribuindo para a perpetuação
da cultura do estupro.
Estou
escrevendo esse texto, como uma primeira tentativa de cura, porque guardar isso
por tantos anos ainda dói e porque escrevendo a minha história, posso estar
incentivando mais vítimas a contarem as suas e isso talvez, contribua para a
sua cura.
Essa
história ainda é aquela lágrima que nunca seca. A vergonha que demorou pra
passar. E a raiva que machuca. Poderia ter postado ela no meu blog, mas preferi
que fosse em um blog feminista, não só pelo maior número de pessoas que poderão
ter acesso a ela, mas porque eu me sinto confortável pra escrever a minha
história em um espaço onde serei acolhida pelas minhas companheiras de luta e
porque é o feminismo que tem me ajudado nesse processo de libertação e que me
motiva a ajudar mais pessoas a se libertarem das correntes patriarcais que as
prendem.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Economia Feminista e Soberania Alimentar - Avanços e desafios
No Brasil, mulheres têm um papel estratégico na produção de alimentos na agricultura familiar, que abastece 70% do consumo de alimentos dos brasileiros. Também aqui poucas informações de produção estão desagregadas por gênero – o trabalho cotidiano da mulher é chamado de ajuda, às vezes por elas mesmas. O dinheiro resultante da venda de seus produtos não é visto como fundamental ou mesmo contabilizado na renda familiar. O que produzem para a alimentação da família, apesar de estar na mesa todos os dias, não entra na contabilidade como renda da propriedade, e nem mesmo como renda da família. A publicação desta pesquisa, resultado de uma parceria entre a campanha “Cresça”, da OXFAM e a Sempreviva Organização Feminista (SOF), pretende contribuir para questionar, repensar e, finalmente, mudar os mudar os desequilíbrios nas relações de poder que impedem as mulheres de se realizarem como seres humanos, em especial naquelas relações que se manifestam em torno à produção e ao acesso aos alimentos.
Economia Feminista E Soberania Alimentar (3,1 MB)
Livros06/02/2014Planejamento Anual da M.M.M- Pa 2014
Nos dias 01 e 02 de Fevereiro, a MMM-PA se reuniu para planejar suas ações para o ano de 2014, com muitas tarefas e desafios e muita vontade de mudar a vida das Mulheres.
![]() |
| Árvore dos Sonhos MMM-Pa 2014, com todos os seus desafios, oportunidades, ameaças, forças e frutos. |
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| Ciranda Feminista: "Companheira me ajuda, que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor..." |
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| Seguiremos em Marcha... |
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