sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SOMOS AS NETAS DE TODAS AS BRUXAS QUE NÃO PUDERAM QUEIMAR


Resultado de imagem para somos as netas de todas as bruxas


*Por Lorena Abrahão

Permita sentir a bruxa que existe dentro de você!

Logo nos primeiros anos escolares, iniciamos o contato com a imposição de que bruxas são feias, corcundas e más. De onde vem isso tudo, do folclore ou do machismo?!

Isso pode até justificar-se pelo folclore, mas basta se aprofundar um pouco na História que logo percebemos a relação com a cultura patriarcal, onde o gênero masculino domina o feminino.

Na sociedade celta (séc. VI a.C. até a Baixa Idade Média) homens e mulheres viviam em condições iguais. O sexo biológico não determinava a função de um indivíduo em seu lugar. Homens e mulheres tinham o mesmo poder de opinião, mas no passar dos anos esta configuração social foi se modificando. Chegado o período de transição da Idade Média (séc. V a.C.) para a Idade Moderna (séc. XV ao XVIII d.C.), as mulheres já não tinham direito à propriedade, ao voto, nem mesmo ao prazer sexual; mas bem sabemos que as mulheres não ficariam por muito tempo sem questionar a sua condição social.

Segundo a Revista Espaço Acadêmico (n°53, de outubro/2005), entre os séculos XV e XVI o Teocentrismo – doutrina que considera Deus como centro de tudo, decai dando lugar ao Antropocentrismo – onde o ser humano passa a ocupar o centro. O que conduz a uma instabilidade e descentralização do poder da Igreja. Na busca de recuperar o poder perdido, a Igreja Católica e Protestante instaurou os Tribunais da Inquisição, onde podemos ler “caça às bruxas”, movimento que ocorreu de diversas formas, reforçado pela classe dominante e pelo próprio Estado; com significado religioso, político e sexual.

Foram três séculos de perseguição política e social às mulheres, principalmente das que viviam no campo – por sua vez, estas eram conhecidas como “curandeiras”, mulheres com vasto conhecimento popular sobre a natureza e suas potencialidades, muitas vezes a única fonte de cuidado de saúde para mulheres e pessoas pobres. No geral suas aparências não correspondiam às padronizadas pela sociedade. Estima-se que nove milhões de pessoas foram acusadas, julgadas e mortas neste período, onde mais de 80% eram mulheres, inclusive crianças e moças que haviam “herdado este mal” (MENSCHIK, 1977: 132).

Os saberes das mulheres ameaçavam a dominação patriarcal impetrada pela Igreja Católica.

Já no início do século XX, nos Estados Unidos, inicia-se A Caça às Bruxas Comunistas, período conhecido como Marcatismo. Neste, o foco da perseguição era cultural, especialmente aos que ousassem manifestar-se em prol da aliança com a União Soviética ou com práticas anti-americanas.

Culturalmente tendemos a copiar tradições ruins, ainda mais com a imposição da Cultura Imperialista. O que percebemos, é que o Dia das Bruxas nada mais é do que a comemoração das mortes dos milhões de mulheres sábias e a tentativa de apagar a história de cada uma delas.

Foram séculos de mulheres e cultura feminina sendo queimadas nas fogueiras da Santa Inquisição, porém, dentro de cada mulher há a herança de cada bruxa queimada. No livro “Todas as Mulheres são Bruxas”, de Isabel Vasconcelos, você encontra a relação do ser bruxa, com o que chamamos de intuição feminina. Vale a pena ler, e muito mais vale a pena resgatar cada bruxa que existe dentro de cada mulher.

Significado de bruxa, segundo o dicionário Priberam:

bru·xa |ch|
(origem duvidosa)
substantivo feminino
1. Mulher que faz bruxarias.
2. [Figurado]  Mulher velha e antipática.
3. Panela de barro, crivada de buracos, que faz as vezes de braseiro.
4. [Ictiologia]  Peixe da costa de Portugal, também conhecido por cascarra.
Confrontar: broxa.

Um das versões de bruxa que o movimento de mulheres recomenda:

https://www.youtube.com/watch?v=n4RecjyPeBc


*Lorena Abrahão é militante da Marcha Mundial das Mulheres, com formação em Letras e atuação em assessoria sindical. 

Meu primeiro assédio

*Por Letícia Sabatela
Eu devia ter 12 anos. Voltava de ônibus da aula de Ballet, no Teatro Guaíra. Descia na rua da minha casa, umas duas grandes quadras antes, acostumada a esse caminho.
A rua deserta e larga , de calçadas largas, casas com jardins e portões distantes da rua, eu pela calçada, passarinhos e silêncio.
Um carro, um corcel vermelho, vinha pela rua ampla, reta e longa, parou à minha altura, eu na larga calçada mais próxima aos jardins das casas do que da rua, perguntou-me
"-Qual o nome dessa rua?"
-Raphael Papa.
-"Hein? Não consigo ouvir."
Eu falei mais alto e, de algum modo ele fez com que eu me aproximasse do carro para que ele conseguisse "ouvir e entender" direito .
Foi então que percebi seus olhos verdes avermelhados e estatelados, um "pau gigantesco" em suas mãos, o olhar doentio e pessimamente intencionado!
"-E aí, gostou do tamanho do pau?"
A rua deserta, ainda uma longa distância até minha casa.
Olhando fixamente em seus olhos, dei passos precisos, sem pressa, pra trás, peguei, sem tirar os olhos dos dele, um tijolo de um montinho de construção atrás de mim e fiquei parada, pronta para o que viesse.
Ele ainda hesitou, antes de partir lentamente , seus olhos em mim, eu o vi descer a rua ao longe , virar o carro e ainda voltar na minha direção, passando novamente pelo ponto onde eu o ameaçava com meu olhar fixo em seus movimentos, o tijolo na mão.
Quando o vi desaparecer da minha vista, corri até minha casa, coração a mil, um nojo daquilo, a minha forma de medo.
A gratidão pelo tijolo da construção. 
Eu devia ter 12 anos. Voltava de ônibus da aula de Ballet, no Teatro Guaíra. Descia na rua da minha casa, umas duas grandes quadras antes, acostumada a esse caminho.
A rua deserta e larga , de calçadas largas, casas com jardins e portões distantes da rua, eu pela calçada, passarinhos e silêncio.
Um carro, um corcel vermelho, vinha pela rua ampla, reta e longa, parou à minha altura, eu na larga calçada mais próxima aos jardins das casas do que da rua, perguntou-me
"-Qual o nome dessa rua?"
-Raphael Papa.
-"Hein? Não consigo ouvir."
Eu falei mais alto e, de algum modo ele fez com que eu me aproximasse do carro para que ele conseguisse "ouvir e entender" direito .
Foi então que percebi seus olhos verdes avermelhados e estatelados, um "pau gigantesco" em suas mãos, o olhar doentio e pessimamente intencionado!
"-E aí, gostou do tamanho do pau?"
A rua deserta, ainda uma longa distância até minha casa.
Olhando fixamente em seus olhos, dei passos precisos, sem pressa, pra trás, peguei, sem tirar os olhos dos dele, um tijolo de um montinho de construção atrás de mim e fiquei parada, pronta para o que viesse.
Ele ainda hesitou, antes de partir lentamente , seus olhos em mim, eu o vi descer a rua ao longe , virar o carro e ainda voltar na minha direção, passando novamente pelo ponto onde eu o ameaçava com meu olhar fixo em seus movimentos, o tijolo na mão.
Quando o vi desaparecer da minha vista, corri até minha casa, coração a mil, um nojo daquilo, a minha forma de medo.
A gratidão pelo tijolo da construção.
‪#‎meuprimeiroassedio‬



Quando a palavra da mulher não basta: o retrocesso da PL 5069/2013 e a vida das mulheres

DireitoAoNossoCorpo* Por Clarissa Nunes
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou hoje o Projeto de Lei n. 5069/2013 de autoria do Deputado Eduardo Cunha. Dentro da proposta há a criminalização com um a três anos de detenção para qualquer pessoa que instigue, induza ou auxilie um aborto – com agravamento caso o agente seja profissional de saúde. Atualmente essas condutas são tidas como contravenções penais e passíveis de pena de multa. Além disso, o texto do projeto em questão inclui a exigência de constatação em exame de corpo de delito do estupro cometido contra a mulher que queira abortar. Isto porque a legislação brasileira protege a legalidade do aborto em caso de gravidez derivada da violência sexual. Ou seja, além do constrangimento de ter o seu corpo e sua sexualidade violentada pelo estuprador e disso resultar uma gravidez, a mulher ainda deverá ser constrangida a comprovar a ocorrência da violência com um exame invasivo e obrigatório. O próprio Estado estará violentando, novamente, um corpo já vitimado pelas atrocidades do patriarcado e da cultura de estupro impregnada na sociedade brasileira.
Em razão de tal cultura e das maldades ocasionadas pela sua aplicação, a palavra da mulher não basta. Seja para ser ouvida ao dizer “não” para um ato sexual, seja para ser ouvida e acreditada quando contar ter sido vítima de um estupro. Hoje a Comissão de Constituição e Justiça legitima, novamente, a violência contra a mulher. Legitima, novamente, a inexistência de poder das mulheres sobre seus próprios corpos e retira a já fragmentada escolha sobre suas próprias vidas. A justificativa usada para a necessidade do exame de corpo de delito é a “prevenção das provas e punição dos agressores”. O que, no entanto, os senhores deputados não sabem (ou sabem, mas preferem esquecer) é que o processo criminal que visa a punição do estuprador (exceto em caso da vítima ser menor de dezoito anos ou vulnerável e nos casos de resultado com lesão grave ou morte) se procede mediante ação penal pública condicionada – ou seja, é necessário que a vítima represente perante a autoridade competente a sua vontade de que o Estado persiga e puna judicialmente o seu violentador. Contudo, em razão do constrangimento desse tipo de violência – e inclusive pelo fato de o maior índice de estupradores serem homens próximos as mulheres violentadas – nem todas as vítimas decidem pela persecução penal. Nesse sentido, a justificativa além de falha, denota a falta de escrúpulos dos trinta e sete parlamentares que votaram a favor do Projeto de Lei, já que o objetivo de forçar o exame abrange apenas o interesse da manutenção do silêncio das mulheres e coação de carregarem dentro dos seus corpos uma gravidez forçada através da violência. O intuito é de dificultar o acesso ao aborto legal. Quer dizer: Dificultar ainda mais, já que muitas mulheres – por falta de informação – desconhecem o direito a interrupção da gravidez nos casos previstos em lei.
O texto ainda expõe que as alterações normativas pretendem “dotar o sistema jurídica pátrio de mecanismos mais efetivos para refrear a prática do aborto, que vem sendo perpetrada sob os auspícios de artimanhas jurídicas, em desrespeito da vontade amplamente majoritária do povo brasileiro”, além disso um parágrafo do Projeto de Lei destaca que “nenhum profissional de saúde ou instituição, em nenhum caso, poderá ser obrigado a aconselhar, receitar ou administrar procedimento ou medicamento que considere abortivo”. É importante se deixar claro: caso aprovado de maneira definitiva, o texto legal não irá refrear a prática do aborto – seja pelo fato da prática existir mesmo com a penalização da conduta, seja pela já óbvia conclusão, em cenário internacional, de que a repressão não resulta em diminuição de delitos.
Caso aprovado, o Projeto de Lei matará mais mulheres. Um Projeto de Lei de autoria de um homem e de relatoria de outro homem que querem legislar sobre o direito dos nossos corpos e o direito de fazermos as nossas escolhas. É nesse viés que prevalece, ainda mais, a luta por representação feminina dentro dos campos políticos. É nesse sentido que se revela, com ainda mais clareza, a necessidade de uma reforma política no nosso País. Por mais mulheres na política. Por mais mulheres vivas. Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

*Clarissa é advogada e militante do Núcleo Soledad Barrett da Marcha Mundial das Mulheres de Recife

Sobre o PL 5069/2013 e a legalização do aborto: o corpo é meu e o Estado não manda aqui!


STF/PASSAGENS AÉREAS/EDUARDO CUNHA


*Por Isabela Costa
No último 28 de setembro, dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto, o Coletivo Terra Roxa, núcleo da MMM de Juiz de Fora/MG, organizou uma campanha nas redes sociais. Várias mulheres enviaram suas fotos para dar força à mobilização, usando seus corpos como instrumento de luta e resistência. O objetivo foi dar visibilidade à importância dessa luta, dizendo que as mulheres não aceitam mais que o Estado, as religiões, os homens e a sociedade em geral ditem regras sobre nossas vidas.
A luta pelos direitos reprodutivos das mulheres e pela legalização do aborto são bandeiras históricas do movimento feminista. No Brasil, temos debatido esses temas com algumas dificuldades, devido ao enraizamento do patriarcado e ao conservadorismo crescente em nossa sociedade. Porém, não podemos desconsiderar alguns avanços nas políticas públicas conquistados, nesse âmbito, pelas mulheres nos últimos anos.
Dentre eles, podemos destacar a promulgação da Lei de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Lei 12.845/13), pela presidenta Dilma, que dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dentre outros procedimentos, a lei prevê: o “amparo médico, psicológico e social imediatos”; “a profilaxia das DSTs”; “o fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis”; e, também, a “medicação com eficiência precoce para prevenir gravidez”, que diz respeito ao acesso à pílula do dia seguinte. Essa lei é relevante também pela regulamentação do aborto em caso de estupro, que é considerado legal pelo Código Penal.
Ameaça de retrocesso à frente
Na contramão do reconhecimento pelo Estado brasileiro de que “violência sexual é toda atividade sexual não consentida”, o Projeto de Lei 5069/2013 – que tem como um dos autores o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – cria diversos empecilhos para o acesso aos serviços de saúde voltados às vítimas de violência sexual. Principalmente, ao serviço de abortamento legal. O texto prevê, por exemplo, a obrigação de realização de boletim de ocorrência em delegacia e do exame de corpo de delito no IML para comprovar o estupro. Assim, a palavra da mulher é colocada em xeque.
Atualmente, o testemunho da pessoa no serviço de saúde é suficiente para o procedimento, sem exigência de provas. E isso é muito importante, pois muitas mulheres, devido ao fator estressante decorrido da violência, podem demorar a procurar o sistema de saúde ou até desistir de buscar atendimento.
O PL ainda prevê uma alteração do Código Penal, aumentando a pena para os profissionais da saúde que informarem às mulheres sobre procedimentos abortivos. Outra questão importante, que muitos parlamentares – contrários à medida de Cunha – têm levantado é sobre a medicação para prevenir precocemente à gravidez. Caso seja aprovado, o PL abrirá precedente para criminalizar a distribuição e uso da pílula do dia seguinte. Muitos dos apoiadores e idealizadores do projeto já consideram a pílula como abortiva.
Fica nítida a intenção da bancada religiosa do Congresso em criminalizar e violentar institucionalmente mulheres e meninas, retirando seus direitos, sob o argumento de estarem “defendendo a vida”. Utilizando este mote, vários parlamentares comemoraram efusivamente a aprovação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania da Casa (CCJ), afrontando o caráter laico do Estado.
É importante destacar que a CCJ tem apenas duas parlamentares mulheres como titulares, que ficaram desoladas com a aprovação do PL. Como sempre temos discutido, a sub-representação feminina nos espaços de poder é um grave problema.
Destaco aqui a fala do relator do projeto, Evandro Gussi (PV-SP): “Surpreende-me que muitas mulheres sejam pró-aborto, até porque a maioria dos fetos é de mulheres. É estranho” (Portal IG, 22/10/2015). Diante disso, o que é “estranho” é ter que levar adiante uma gestação não desejada, fruto de um estupro. “Estranho” é ter esse tipo de pensamento obsoleto e machista, que naturaliza a violência contra as mulheres.
Ele ainda completa: “Defendemos a vida e não que a mulher pratique um crime ainda pior do que aquele de bandidos nas ruas deste país” (Idem). Ou seja, a ideia moralista embutida no projeto é de que as mulheres são criminosas e mentirosas e, por isso, não devem ter acesso a um atendimento digno. Nossas vidas pouco importam para essa bancada conservadora e hipócrita.
O PL 5069/2013 é um dos maiores retrocessos aos direitos conquistados pelas mulheres brasileiras. É uma afronta à nossa autonomia e liberdade. Nós não aceitaremos e não nos calaremos. A nossa luta tem o dia 28 de setembro como marco, mas ela acontece todos os dias. O aborto legal, seguro e gratuito deve ser direito de todas as mulheres. Todo dia é dia de dizer: O CORPO É MEU E O ESTADO NÃO MANDA AQUI
‘O Estado é Laico,
não pode ser machista.
O corpo é nosso,
não da bancada moralista.
As mulheres estão nas ruas
por libertação.
E o PL do Cunha não vai passar,
não não não!!’
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*Isabela Costa é militante da Marcha Mundial das Mulheres em Juiz de Fora

Avanço na Licença Paternidade no Banco da Amazônia


Em tempos de retrocessos nas pautas sociais, em muito devido ao atual congresso brasileiro, empregados do Banco da Amazônia conquistam relevante avanço no que se refere à licença paternidade na Campanha Nacional 2015/2016.
Não é de hoje que a CUT e os movimentos sociais reivindicam licença paternidade mais abrangente do que os atuais 5 dias previstos na legislação. A reivindicação se da em decorrência ao entendimento que os cuidados com o recém-nascido é tarefa e obrigação dos responsáveis pela criança, na maioria dos casos, pais e mães biológicos.
Por nossa sociedade ser duramente fundamentada no sexismo e patriarcado, acaba que a tarefa desse tipo de cuidado ainda é considerada como feminina, independente de classe social, cor ou raça; justificada equivocadamente pela questão biológica. Como se a amamentação fosse a única necessidade da criança.
Em alguns países a licença paternidade em período igual para homens e mulheres já é realidade, o que favorece a conciliação de trabalho e cuidados familiares. Este é o caso da Suécia, onde o pai e a mãe tem os mesmos direitos quando nasce uma criança. Atualmente trata-se de 14 meses, sendo que 2 meses obrigatoriamente ao pai, ou seja, pode ser mais que isto. E o governo pretende ampliar o benefício para 16 meses, sendo 3 obrigatoriamente ao pai.
Para a CUT, movimentos sociais e para o Sindicato dos Bancários do Pará, o modelo de licença paternidade e maternidade implantado desde 1995 na Suécia, é o modelo ideal para avançar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Onde homens e mulheres possam gozar e exercer dos mesmos direitos e deveres de responsabilidade com a criança.
No Banco da Amazônia, será garantida no Acordo Coletivo de Trabalho 2015/2016, uma Licença Paternidade Especial. No caso de falecimento da mãe e sobrevida do filho, o empregado terá direito a continuidade da licença, nos moldes da licença maternidade. Esta garantia, ainda não é o modelo ideal deste benefício, porém, é um grande avanço nas pautas de igualdade de oportunidades da categoria bancária.
“Quando esses casos acontecem, o empregado, de todas as empresas do Brasil, tem que acionar a justiça para gozar do benefício e garantir os cuidados da criança. Essa conquista no Banco da Amazônia trata-se de uma medida afirmativa rumo à consolidação da ideia que cuidados domésticos são deveres dos homens e mulheres. Continuaremos a luta pela ampliação da licença paternidade, assim como na Suécia, pois, esse é um dos caminhos para erradicarmos ou diminuirmos os impactos da Divisão Sexual do Trabalho na vida das mulheres.” Afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Rosalina Amorim. Lincença-Paternidade-BASA
  
Fonte: Bancários PA

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Contraf-CUT denuncia propaganda sensual do Santander ao MPT


A Contraf-CUT entrou com representação contra o Santander no Ministério Público do Trabalho (MPT) por propagandas com gerentes em poses sensuais e pediu a suspensão imediata da peça publicitária. Em um dos banners, o banco utiliza a foto de uma mulher para motivar o interesse do público em abrir uma conta bancária com a gerente e diz: "Joyce, gerente do Santander. Abra uma conta com ela". A propaganda mostra a gerente, ao que parece estar balançando numa rede, com as pernas de fora, vestido decotado, em trajes inapropriados e incondizentes com a atividade profissional. 

Outro banner traz a imagem de um gerente sem camisa, tomando banho em um chuveiro de praia. "Rafael. Gerente Santander. Abra uma conta com ele", são os dizeres que também acompanham a foto. A campanha teve início no dia 22 de setembro e além de gerar espanto e revolta entre a categoria bancária, também causou polêmica nas redes sociais. Internautas de várias partes do País classificaram a publicidade de apelo ao erotismo, incentivo ao assédio sexual, de grotesca e vergonhosa. 

Para o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, a atitude do banco é inadmissível. "Queremos que as peças publicitárias saiam de circulação imediatamente. O Santander passou dos limites ao explorar o corpo e a sensualidade dos próprios funcionários. Os banners também mostram gerentes felizes da vida. Estamos entrando na terceira semana de greve por responsabilidade dos bancos, que não apresentaram ainda uma nova proposta. É um desrespeito total à categoria, que não está nada feliz, mas indignada com a postura dos banqueiros de forma geral e com a falta de ética do Santander com este tipo de publicidade", afirma Roberto. 

Segundo divulgação do banco à imprensa, a campanha utiliza 200 gerentes de agências em banners distribuídos nas principais cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. O banco ainda informou que cada peça retrata um gerente em momento de lazer, descontraído e fora do ambiente de trabalho. Segundo o Santander, a intenção é fazer as pessoas se identificarem com o funcionário da foto.

"Neste caso, a identificação para ser real, deveria utilizar outro tipo de foto", dispara a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Elaine Cutis. "Os casos de adoecimento aumentam a cada dia, com metas abusivas e assédio moral. As mulheres, tão utilizadas e usadas, na campanha do banco, ainda são minoria nos cargos de direção e recebem salários mais baixos, só pelo fato de serem mulheres. Realidade? Nada é real nesta campanha, somente a exploração praticada pelos bancos mais uma vez", critica a secretária. 

O assessor jurídico da Contraf-CUT, Jefferson Martins de Olivera, explica que o banco pode ser processado por grave violação à dignidade de toda uma categoria profissional. "A denúncia ao Ministério Público do Trabalho busca o estabelecimento de uma mediação o mais breve possível com o banco, para determinar uma regra de conduta que resguarde a dignidade da categoria bancária. O banco extrapolou os limites da relação de trabalho. Tal processo pode inclusive acarretar uma multa altíssima por dano moral coletivo", informa o advogado.

"Não vamos admitir mais esta tentativa de abuso do banco. Tenho certeza que vamos derrubar a campanha publicitária e vencer mais esta batalha", ressalta Roberto von der Osten. 

Fonte: Contraf-CUT











terça-feira, 20 de outubro de 2015

Poderosas Cutistas: As mulheres querem! As mulheres podem!


Escrito por
Rosane da Silva
Secretária Nacional das Mulheres Trabalhadoras


Parece que foi ontem, que fui indicada para estar à frente da Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, e lá se vão 8 anos de muita luta, desafios e desafios! Por isso gostaria de aproveitar esse espaço, para fazer um rápido olhar sobre esses anos em que estive a frente da SNMT quero destacar alguns momentos que marcaram nossa atuação.
As ações de auto-organização e atuação na Central
Na 12ª Plenária Nacional da CUT, em 2008, a política de cotas deixou de ser apenas uma recomendação e passou a fazer parte do estatuto da CUT, como uma regra a ser cumprida e a Campanha “Igualdade de oportunidades na vida, na sociedade e no movimento sindical” foi relançada.
A campanha nos colocou o desafio de lutar por políticas públicas e ações sindicais que incidam sobre a divisão sexual do trabalho especialmente nas tarefas domésticas e de cuidados e articular diversos aspectos relacionados à vida cotidiana das mulheres com as situações que enfrentam no mundo sindical e na sociedade.
Além de serem fortemente impactadas pela terceirização, por relações de trabalho precarizadas, as mulheres enfrentam discriminação no acesso, permanência e ascensão no mercado de trabalho por serem mulheres e por serem responsáveis pelas tarefas domésticas e de cuidados. Para incentivar o debate e a luta em relação a esses aspectos fizemos uma cartilha sobre creche e uma sobre a Convenção 156 da OIT e preparamos um documento a ser encaminhado à III Conferência Nacional de Política para as Mulheres. Para nós, segue sendo um desafio a luta por políticas públicas que possibilitem o compartilhamento de tarefas domésticas e de cuidados com os homens e o Estado.
Nessa longa jornada gostaríamos de destacar a aprovação da paridade em 2012, no XI CONCUT, como uma grande conquista para as trabalhadoras no mundo sindical e um exemplo de pioneirismo que pode e deve ser levado às centrais de outros países.
A partir deste ano as direções e executivas estaduais e a direção nacional e executiva da CUT terão 50% de homens e 50% de mulheres.
A nossa sociedade é machista, patriarcal e capitalista, e as mulheres precisam criar mecanismos para superar os obstáculos que permeiam sua vida, e neste caso, em sua participação política. Por isso, para nós, a paridade não é apenas um número, mas uma política para enfrentar essa realidade desigual de participação política, e para sua implementação é necessária muita unidade das mulheres. A paridade entre homens e mulheres não é um fim em si mesmo, mas é um passo fundamental para iniciar uma mudança na concepção política e sindical da CUT.
No início de 2014 concretizamos o sonho de realizar um curso de formação feminista para o coletivo nacional de mulheres da CUT. O curso foi organizado e coordenado em parceria com o CESIT-UNICAMP.
Encerramos no último dia 03 de outubro este projeto que era só um sonho, mais com certeza foi um acerto político lutar e concretizar esse processo, pois além de ser um espaço de reflexão teórica, mais também de concilidar a unidade e solidariedade das mulheres cutistas.

Na luta junto com as organizações parceiras
Também 2008 passamos a integrar a Frente Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. Em 2010 tivemos presença marcante na 3ª Ação da Marcha Mundial de Mulheres. Em 2011 e 2015 fomos a Central que mais levou mulheres para participar da Marcha das Margaridas.
Junto com a FENATRAD e a CONTRACS acompanhamos todo o processo de negociação pela aprovação da Convenção 189 e da Recomendação 201 na OIT que trata do trabalho decente para trabalhadoras e trabalhadores domésticos. Assim como toda a luta para igualar o direito das trabalhadoras domésticas aos dos demais trabalhadores e trabalhadoras. Ainda que não da maneira como era reivindicado por nós, em junho deste ano, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou o Projeto de Lei nº 224/13 (PL), que regulamentou os direitos das trabalhadoras domésticas. Essa foi uma vitória muito importante para as trabalhadoras brasileiras; mais de 7 milhões de mulheres e negras deste país saíram da invisibilidade e conquistaram direitos.
O feminismo como afirmação de um projeto libertário
A opressão e a exploração das mulheres seguem dando sustentação ao capitalismo e às suas contradições, portanto, não bastam ações e demandas com “recorte de gênero”: mudar a vida das mulheres significa transformar o mundo em que vivemos. E, para nós não há como transformar a vida da classe trabalhadora sem transformar a vida das mulheres.
As mulheres querem o aprofundamento da democracia, redistribuição da riqueza, a igualdade entre mulheres e homens. Por isso fazemos parte de um mesmo sonho e do mesmo ideal: queremos construir uma sociedade sem machismo, sem homofobia, sem racismo. Queremos construir uma sociedade libertária.
Eu tentei fazer um trabalho para envolver todas as companheiras. O coletivo é um espaço de construção coletiva e de fortalecimento da nossa unidade e solidariedade, e ao nos fortalecermos estamos fortalecendo a CUT.
2015 será um marco na história da nossa Central. Teremos paridade de mulheres e homens. Estão chegando muitas mulheres nos espaços de direção, militantes históricas algumas mais jovens no movimento sindical, feministas e outras valorosas lutadoras em outras frentes. Vamos olhar essas companheiras como companheiras que vieram fortalecer a luta das mulheres
A construção de uma plataforma feminista no interior do movimento sindical, assim como a presença permanente das pautas do mundo do trabalho no movimento feminista, é tarefa de todos e todas que desejam uma sociedade livre do machismo e do capitalismo. A disputa de concepção de sociedade que a CUT faz deve se pautar na certeza da necessidade de mudanças profundas na estruturação da sociedade para garantir a igualdade de direitos sociais, políticos e econômicos para mulheres e homens.
Só tenho a agradecer a minha corrente politica, as mulheres e homens da Central Única dos Trabalhadores que me daram a oportunidade neste 15 anos de representar a nossa central em vários espaços nacionais e internacional.
Encerro meu ciclo na CUT com a certeza que as mulheres estão mais fortes, combativas, feministas e revolucionárias, e só com muita unidade e solidariedade iremos construir uma sociedade justa e igualitária, libertaria, sem ódio e intolerância, uma sociedade verdadeiramente socialista.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Neste sábado (17), Culturada Feminista em Belém

No próximo sábado, acontecerá a Culturada Feminista da Marcha Mundial das Mulheres e você é nossa convidada para esta tarde cheia de feminismo e cultura.

A programação iniciará às 16h, na Praça do Carmo, onde rolará:

> Debate sobre "A violência contra as mulheres nos espaços públicos"
> Teatro feminista
> Rap Feminista
> Lanche coletivo (se puder, leve alguma coisa)
> Intervenção cultural


Obs.: podem levar uma canga ou lenço para sentar no chão.

Participe!

terça-feira, 24 de março de 2015

Porque a Igualdade é uma bandeira radical

                 Nesse 08 de março em meio a tantas manifestações feministas no facebook uma me chamou atenção. Uma mulher me diz que o feminismo tem que parar de falar de igualdade e falar de justiça, porque as mulheres não querem e não precisam ser iguais aos homens, que nunca homens e mulheres estarão de mãos dadas cantando “We are the world” e que feminismo é luta e que não tem nada de errado em odiarmos os homens, pois eles nos oprimem, e o ódio por eles alimenta a nossa vontade de acabar com a opressão.

De todas as coisas que eu poderia discordar desse ponto de vista eu escolho a visão de que a igualdade não é uma bandeira radical. Visão essa que me perturba como ser humano por dois motivos. Primeiro porque justiça e igualdade são coisas muito imbrincadas e lutar por justiça não me parece incompatível com lutar por igualdade, ao contrário, me parece que seria impossível faze-lo. Segundo porque parece que ainda perpetuamos e reproduzimos aquela velha fantasia de que o feminismo está aqui para transformar mulheres em homens.

Além desses motivos, me parece que certas campanhas institucionais, tipo HeForShe ou Campanha do Laço Branco, trazem a impressão de que a igualdade entre homens e mulheres só é possível se houver composição, um acordo entre homens e mulheres para um fim pacífico do patriarcado.

O feminismo como movimento político e filosófico se formou com uma diversidade primeiramente de classe, feministas sufragistas burguesas questionavam o direito de cidadania exercido pelo voto dado somente a homens, na mesma época feministas trabalhistas e comunistas questionavam também as condições de trabalho das mulheres, sua remuneração mais baixa e a negação de assistência às especificidades das mulheres... Vejam que o feminismo queria que todos pudessem votar de forma igual, mas exigia que as especificidades das mulheres trabalhadoras fossem respeitadas.

Se alguma corrente feminista tinha o “homem” como ideal a ser alcançado, o feminismo francês tratou de torna-la minoritária. A famosa Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo” escreveu sobre como a mulher era construída como um ser errado, transviado e que a opressão residia na visão da mulher como “o outro”, ou seja, para que o feminismo pudesse libertar as mulheres ele não pode compara-la aos homens, o homem não pode ser o ideal que queremos alcançar.

Aquela frase da Rosa Luxemburgo estampada nas nossas camisas faz todo o sentido para entendermos porque a bandeira igualdade não está aqui para nos transformar em homens: “por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”. O feminismo, nas suas mais diversas correntes, não propõe que as mulheres lutem para ser iguais ao homens, mas sim para que homens e mulheres tenham o mesmo valor e o mesmo espaço na sociedade, para que não haja hierarquia entre as biologias, para que não haja privilégios herdados, nem que hajam modelos naturalizados de exercer sua humanidade.

Se pararmos para pensar no que isso significa, percebemos que é a pauta mais radical do feminismo, porque envolve basicamente mudar tudo no mundo, mudar o jeito de fazer política, o jeito de produzir riqueza, o jeito de se relacionar com o outro....

No Brasil, por exemplo, a igualdade significa,  legalizar o aborto, diminuir as horas de trabalho, mudar quase toda a legislação trabalhista, garantir livre escolha no parto, criar mecanismos de paridade nas profissões, fim da divisão sexual do trabalho, criar mecanismos de prevenção da violência contra a mulher, regulamentação laica e racional do uso de drogas, agricultura livre de transgênicos, fim do latifúndio, ampla e irrestrita reforma agrária, fim da cultura do estupro, e muitas outras coisas ... e se der pra acabar com o capitalismo então, já ia ajudar bastante!

Todas as pautas mais radicais do feminismo são pautas de igualdade... A luta pela igualdade é a luta pela transformação das relações de poder, pelo fim dos privilégios e por esse motivo são batalhas difíceis de serem travadas.

Nesse ponto, acho que as campanhas de correntes feministas que têm ganhado a mídia contribuem para uma visão equivocada de como a igualdade será conquistada. A ONU tem convocado os homens a se envolverem na luta das mulheres pela igualdade. O slogan HeForShe (Ele Por Ela) pode ser bom se pensarmos que estamos convidando os homens a refletir sobre seus privilégios, mas é péssimo quando percebemos que ele criou a ideia de que o patriarcado e a opressão feminina é algo externo as relações entre homens e mulheres, e que homens e mulheres unidos vão combater algum tipo de “monstro do mal”, sem por em evidência de que a desigualdade vivida pelas mulheres é o que garante os privilégios masculinos e uma forma de produção que lucra (e muito!) com essa opressão... Ou pior, que a igualdade é uma concessão.

A igualdade pela qual os feminismos tem lutado não é compatível com conciliação, não é uma concessão dos homens, é uma mudança estrutural em como a humanidade se relaciona. Entretanto, eu não acho que o feminismo é compatível com qualquer tipo de ódio, os privilégios são gerados dentro de um sistema, sem que muitas vezes os indivíduos tenham escolha dentro dele. Aderir às falácias da misandria é assumir uma naturalização das relações humanas, onde homens nasceram com o machismo irreparável, o que é totalmente incompatível com o que se propõe o feminismo, que é mostrar que tudo isso é construído e pode ser mudado.


Também não concordo que exista apenas uma forma de alcançar a igualdade ou a justiça. A organização das mulheres em torno de seus direitos e aspirações tem formulado muitos caminhos possíveis, essas experiências fizeram avançar muitas conquistas e em outros períodos também trouxeram retrocessos. Mas se vamos lutar ao estilo Ghandi, ao estilo guerrilheiras do  YPG, se vamos disputar as vias institucionais, se vamos fazer tudo mesmo tempo, isso é uma resposta que só será encontrada na organização das mulheres.    
  

domingo, 8 de março de 2015

A origem do Dia Internacional da Mulher

Por Lorena Abrahão*
Para compreender as origens do Dia Internacional das Mulheres, é necessário desconstruir a ideia que esta é uma data criada para fomentar o mercado de consumo. 
Desconstruir também o mito que se dá por um incêndio em uma fábrica nos EUA, onde morreram mais de 100 mulheres queimadas. Não há documento histórico nenhum, nem mesmo que comprove que houve este incêndio, e pelo calendário ele ainda teria sido em um domingo, pouco provável, mas mesmo que tenha ocorrido, nada tem a ver com a origem do Dia Internacional da Mulher.
Pela História e estudos sobre o movimento de mulheres socialistas, chegamos nos meados do século XX. Em diversos países já existiam movimento de mulheres em busca de conquistas básicas como direito ao divórcio, estudar e votar. Se compreendia que o voto era o primeiro passo para as outras conquistas.
No próprio movimento socialista ocorriam contradições e embates a cerca do reconhecimento da igualdade entre os sexos (parece bem atual não?!). As mulheres russas lutavam também por direito ao voto; pelo acesso ao trabalho e espaço público; além de pelo reconhecimento como portadoras de bens e direitos.
Então o movimento sufragista “unificou” internacionalmente o movimento de mulheres. Não significa que tenha tornado todos os movimentos em um só, mas que em torno de um denominador comum, uniu as mulheres em torno desta bandeira.
Em 1910, em Copenhagen, ocorre a 2ª Conferência de Mulheres Socialistas. Onde foi aprovada a proposta de um Dia Internacional de luta pela libertação das mulheres. Este é o marco do 8 de março,  data que era considerado o Dia das Mulheres Trabalhadoras na Rússia.
No 8 de março de 1917, as russas saíram nas ruas de Petrogrado na luta de conquistas trabalhistas. Para Alexandra Kollontai “as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo”. Daí então, propagou-se pelo mundo as atividades em torno da data.
E essa é a real origem deste dia, que é um dia de luta pela liberdade das mulheres.
Desconstruir mitos, reafirmar o significado é reforçar o fato das mulheres serem e poder serem protagonistas de sua própria História.
Seguiremos em Marcha, até que todas sejamos livres!


*Lorena Abrahão é feminista, formada em Letras, assessora sindical e militante da Marcha Mundial das Mulheres.


08 de Março, vamos à luta!

Por Karol Cavalcante
Muitos foram os avanços conquistados pelas mulheres. Na última década, cresceu o número de mulheres no mercado de trabalho, no parlamento, nas atividades científicas. Este crescimento reflete a luta e organização das mulheres na sociedade. Embora tenhamos avançado bastante, as dificuldades ainda são latentes e se refletem no mundo do trabalho e na vida das mulheres.
Desde 2002 vivemos um novo momento na política e na vida das mulheres brasileiras. Com a eleição de Lula e Dilma um conjunto de políticas públicas foram implementadas com o objetivo de combater as desigualdades históricas entre homens e mulheres. Conquistamos o primeiro órgão federal de políticas públicas, Conferências, Plano Nacional de Políticas para as mulheres, a Lei Maria da Penha principal mecanismo de combate a violência contra as mulheres, a regulamentação em Lei do trabalho doméstico, entre outras conquistas.
Avançamos bastante, mas não podemos nos levar pelo discurso triunfalista de que homens e mulheres já vivem em situação de igualdade na sociedade. Somos apenas 8,7% do congresso nacional, mesmo representando 52% do eleitorado. Em relação ao mercado de trabalho brasileiro, homens recebem salários 30% maiores do que as mulheres (Fonte: Observatório de gênero no Brasil). Cumprimos uma carga horária de trabalho exaustiva e muitas vezes somos as únicas responsáveis pelo trabalho doméstico. Nós mulheres ainda representamos 70 % da população pobre do mundo.
Embora tenhamos avançado bastante no que concerne as políticas públicas, avançamos pouco no que se refere aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Ainda temos uma legislação do século passado que criminaliza o aborto fazendo com que anualmente milhares de mulheres, principalmente as mais pobres, recorram a esse método de forma clandestina, em péssimas condições, colocando em risco suas vidas.
É papel de um governo progressista se propor a discutir e alterar os marcos legais existentes no Brasil sobre a temática. É necessário compreender o legado de opressão que impede que mulheres tenham de fato o direito de decidir sobre o seu corpo. Devemos seguir o exemplo dos nossos irmãos Uruguaios e descriminalizar o aborto no Brasil. No Uruguai o número de abortos passou de 33 mil por ano para apenas 4 mil. Segundo os dados oficiais do governo Uruguaio entre dezembro de 2012 e maio de 2013 não foi registrado nenhuma morte materna por consequência de aborto. Junto a descriminalização o governo uruguaio implementou um conjunto de politicas públicas de planejamento familiar e atendimento integral de saúde reprodutiva da mulher.
O ambiente conservador, liderado por parlamentares fundamentalistas e religiosos tem tornado o tema do aborto um assunto cada vez mais difícil de ser debatido no Brasil. Embora os conservadores não queiram debater não há como negar que o aborto existe e é praticado por milhares de mulheres. Dados do Ministério da saúde de 2013 estimam que ocorra mais de um milhão de abortos provocados todos os anos. O abortamento é a quinta causa de mortalidade materna no país. Entre 2007 e 2012 um total de 963. 291 mulheres foram internadas no SUS por aborto e suas complicações. O custo desse atendimento foi de 180 milhões aos cofres públicos brasileiro. Sobre o perfil das mulheres que recorrem a esse método 81% já possui filhos e 64% estão casadas, isto sugeri que o aborto é usado como instrumento de planejamento familiar quando os métodos contraceptivos falham. Quanto a religião 65% declaram ser católicas, 25% protestantes ou evangélicas e 5% seguem outras religiões. Os dados comprovam que apesar da proibição legal ao aborto ele existe e vítima anualmente milhares de mulheres, em sua maioria pobres e negras (Pesquisa nacional de aborto/ UNB). A Legalização do aborto e sua descriminalização são pautas fundamentais para o avanço de políticas públicas que caminhem rumo a garantia da autonomia das mulheres.
O Partido dos Trabalhadores, desde 1991, defende em seu programa politico a legalização do aborto. Sofremos vários reveses na pauta nos últimos anos, fruto das contradições e dos limites que se apresentam a um partido que se torna governo. Mas nós mulheres petistas não podemos abrir mão desse enorme desafio de debater este tema tão atual que atinge a vida cotidiana das mulheres brasileiras e que deve ser tratado como uma questão de saúde pública.
Que neste 08 de Março possamos mais uma vez ir as ruas lutar para que o aborto legal seja um direito das mulheres e dever do estado. Que possamos lutar por mais dignidade, autonomia e cidadania. Enfim, que possamos caminhar para uma sociedade verdadeiramente igualitária, justa, solidária e libertária.

*Karol Cavalcante é Socióloga, Especialista em Gestão de Municípios pelo NUMA/UFPA. Feminista e ativista digital. Atualmente é Secretária-Geral do PT do Pará. 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Lançamento da 4ª Ação Internacional da Marcha no Pará é neste domingo (8/3)

8 de março
Neste domingo, 9h, esperamos vocês na Praça da República pra participar do Lançamento da 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Pará. Vai rolar...
... Ensaio da Batucada e fabricação de instrumentos (Leve sua lata ou bumbo, cabo de vassoura e retalhos, lá teremos spray's e demais materiais)
... Teatro Manifesto Feminista
... Pintura de faixas
... conversa e lanche coletivos (mistura de pequenique e roda de conversa, hehe! Leve alguma coisa para compartilharmos, como sucos, bolo, frutas etc.)

Mulheres, vocês estão convidadíssimas a se somar conosco nesta jornada!
Seguiremos em Marcha até que todas sejamos LIVRES!!!

4ª Ação Internacional
Em 2015, a Marcha realizará sua 4ª Ação Internacional que, nesta edição, será regionalizada. No Brasil, ocorrerá encontros e eventos em diversas datas e localidades entre os dias 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) e 17 de outubro (data de fundação da MMM) de 2015.

O Pará participará de um encontro de mulheres da Região Norte a ser realizado de 15 a 17 de abril em Palmas (TO). Estimamos a participação de 50 paraenses nesta importante atividade, cuja composição da delegação será bastante diversa, com mulheres sindicalistas, assentadas, estudantes universitárias, alunas do Projeto de Construção Civil (será alvo de um post lindo em breve!), catadoras de resíduos sólidos, mulheres de movimento de bairro, bancárias e atingidas por barragens.

Para garantir a participação de todas independente da condição financeira individual, realizaremos diversas atividades financeiras como brechós e feijoada, para custear as despesas da viagem.

Além disso, o Pará vai contribuir realizando oficinas e espaços lúdicos durante o encontro em Palmas, focando no tema "Controle do corpo e da vida das mulheres".


Troca de experiências no mundo do trabalho e na vida sindical. Assim pode ser resumida a primeira reunião da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), dia 25 de fevereiro, com as bancárias de Belém. Durante o evento, todas as mulheres presentes contaram um pouco de suas vidas. Além disso, cada uma apontou de que forma a sociedade ainda precisava avançar em prol dos direitos e respeito às mulheres.
“O machismo, a opressão, a violência obstétrica ainda são problemas que nós mulheres enfrentamos em pleno século XXI e uma das melhores formas de enfrentá-los e através da nossa força e união, seja denunciando, pedindo ajuda de outras mulheres, tornando público tais problemas e apontando o que defendemos ser a solução. É um trabalho árduo, mas que para se ter êxito precisa ser diário começando com um simples debate ou conversa no local de trabalho. No dia 8 de março iremos às ruas mais uma vez tornar nossa luta pública”, destaca a presidenta do Sindicato, Rosalina Amorim.
Coletivo Estadual de Mulheres Bancárias – A reunião também abordou a importância da organização das mulheres no movimento sindical, em especial a categoria bancária, e a partir desse debate surgiu a ideia de criação de um coletivo de mulheres bancárias para o fortalecimento da luta das trabalhadoras que representam praticamente metade da categoria.
“O 11º Congresso Nacional da CUT aprovou a paridade entre homens e mulheres na direção da maior central sindical do país e o desafio foi lançado também aos sindicatos cutistas. Nós assumimos e queremos ampliar a participação das mulheres no movimento sindical e na construção das nossas pautas”, ressalta Rosalina Amorim.
Além do coletivo, os sindicatos cutistas têm a tarefa de construir as secretarias de mulheres dentro de suas entidades.
“Essa reunião é a primeira de muitas que teremos com as mulheres bancárias do nosso Estado, em busca de fortalecer ainda mais a nossa luta específica de forma que elas sejam reforçadas e façam parte da pauta na Campanha Nacional. A Marcha Mundial das Mulheres, aqui em Belém, tem atividades pelo menos uma vez por mês e para quem estiver interessada o convite está feito para juntos somarmos e avançarmos”, convida a diretora de Comunicação do Sindicato e militante da MMM, Tatiana Oliveira.
4ª Ação Internacional da MMM – Em 2015, militantes da Marcha Mundial das Mulheres de todos os continentes do planeta, levantarão mais uma vez as vozes entre 8 de março e 17 de outubro para afirmar: “Seguiremos em Marcha até que todas as mulheres sejamos livres”!
A Marcha Mundial das Mulheres já realizou três ações internacionais, nos anos 2000, 2005 e 2010. A primeira contou com a participação de mais de 5000 grupos de 159 países e territórios. Seu encerramento mobilizou milhares de mulheres em todo o mundo. Nesta ocasião, foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento com dezessete pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de assinaturas. Essa ação foi caracterizada como um primeiro chamado de largo alcance, um passo no sentido da consolidação da MMM como movimento internacional.
Fonte: SEEB PA

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Brechó Pró Lili - MMM





No final do mês de outubro a companheira Lili (MMM Pará) será submetida a uma operação para retirar o útero, por conta de um mioma. A cirurgia chama-se histerectomia.

A Lili descobriu esse Mioma há 5 anos e desde então tem buscado métodos de tratamento para que não fosse necessário realizar a cirurgia. Mas os métodos infelizmente não foram eficazes e com o tempo as dores, o sangramento intenso e a anemia têm se intensificado.

O útero da Lili já mede mais de 500 cm³ de volume (o máximos normal é 90 cm³). O que aponta para uma cirurgia em caráter necessário e urgente.

Ela está esperando há um ano para realizar essa cirurgia pelo SUS. E em decorrência do seu quadro clínico já não é possível esperar mais.

A Histerectomia custa R$ 3.000,00 (Três mil reais). Mas a companheira Lili não tem condições de arcar com as despesas totais pré, peri e pós cirúrgicas. E por isso decidimos ajudá-la e achamos que mais pessoas também gostariam de fazer o mesmo. Por tanto, resolvemos fazer uma campanha financeira pró Lili. :)

Como você pode ajudar?

- Se você não mora em Belém, ou mora mas não pode ir pro Brechó, ou se quer ajudar de todas as formas, você pode participar da Vakinha virtual que a Lili criou. http://www10.vakinha.com.br/VaquinhaE.aspx?e=308404
Convida todo mundo pra participar dessa vakinha solidária.

- Se você tem aquelas roupas, sapatos, livros, vinis, bolsas, bijus, vasos,redes, etc. que você não usa mais, doa pra gente, que vamos reciclar e vender no brechó.

Quem pode doar e comprar?

Todo mundo. Amigas/os, parentes e vizinhas/os podem contribuir. Cá entre nós, todo mundo compra/ganha/guarda mais coisas do que realmente usa.

- o que não for vendido será doado para pessoas que necessitam.

Onde entregar as doações?
Sindicato dos Bancários: Rua 28 de setembro, 1210, próximo à Doca (procurar Lorena)

Caso você não possa entregar no sindicato, entre em contato que vamos pegar (contatos no final).

Quando será o Brachó?
O Brechó será no dia 29 de outubro, a partir das 16h, no Sindicato dos Bancários e só terminará 20h.

Vai ter opção pra pagamento em cartão de crédito, hein!

Convida todo mundo pra esse Brechó. Aguardaremos vocês com tudo arrumadinho.

....Ufa! Qualquer dúvida, pergunte pra alguma das marchantes abaixo.

raizarocha6@gmail.com
(91) 99224165 - vivo

lorena.mmm.pa@gmail.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ciclo de oficinas de teatro-manifesto

Com muita alegria anunciamos que estão abertas as inscrições para o I Ciclo de oficinas de teatro-manifesto da Marcha Mundial das Mulheres - Pará.

As oficinas serão abertas, ou seja, poderão participar mulheres que militam na Marcha Mundial das Mulheres e as que não o fazem. Porém, infelizmente, por ser um projeto piloto, nossas vagas neste ciclo serão limitadas a apenas 25 inscrições. As inscrições excedentes serão alocadas em uma fila de espera.

Para efetuar a inscrição no Ciclo de oficinas será necessário pagar uma *taxa única de R$5 (no início da oficina) e preencher a ficha de inscrição.

Érica Rapinadasbacantesinstrutora do Ciclo de oficinas, diz que quando o teatro é servido, exclusivamente, por interesses gerais, comerciais, econômicos, o limite entre o pessoal e o político fixa-se, e o teatro tende a tornar-se uma alienação pelo valor de mercadoria, pela lógica da massificação. Mas o teatro quando perspectivado no contexto de manifesto feminista, adquire outro estatuto de realização. 

Por isso, propõem-se uma oficina de teatro que detém características temáticas e uma organização muito próxima das que caracterizam um grupo feminista: teatro alternativo de estímulo ao empoderamento da mulher, teatro-manifesto de dignação da mulher, perspectiva crítica horizontal, que contraria a perspectiva dominante vertical, dinâmica de informação, cooperação, divulgação, espaço pessoalmente marcante.

Teatro-manifesto porque implica um legado e uma posteridade, teatro do opressor/oprimido, teatro-manifesto feminista...

E então, mulheres, vamos vivenciar juntas tudo isso? 

Nosso encontro será aos sábados, tendo início no dia 18 de outubro, das 15h às 19h, no sindicato dos bancários.

O Sindicato dos Bancários fica na Rua 28 de Setembro, n 1210, próx à doca. Para ver o mapa Clique aqui.



* Cobraremos R$5 pelas inscrições, porque estamos fazendo uma campanha para arrecadarmos dinheiro, a fim de ajudar uma das nossas companheiras a conseguir dinheiro para pagar uma cirurgia.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

URGENTE – DOE SANGUE (QUALQUER TIPAGEM) PARA FABÍOLA BRITO, MAIS UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

No dia 8 de junho de 2014, por volta das 23h, a jovem Fabíola Cristiane Borges de Brito, 22 anos, foi surpreendida com um tiro no peito, disparado pelo seu ex-namorado o qual não aceitou o término do relacionamento e decidiu por tirar a vida de Fabíola.

A jovem mulher que está sob o risco de vir ao óbito, está no CTI do Pronto Socorro Municipal de Belém (14 de março) e precisa de DOAÇÃO DE QUALQUER TIPAGEM SANGUINEA COM URGÊNCIA PARA QUE SEJA SUBMETIDA À CIRURGIA.

Que a violência contra as mulheres existe nós sabemos, porém, sempre que um novo caso acontece, mais consistente torna-se o entendimento que devemos seguir em Marcha até que todas nós sejamos livres de todas as formas de opressão e violência.

A família da vítima registrou ocorrência na Delegacia de Amparo à Mulher, mas o agressor continua foragido. Para a Marcha Mundial das Mulheres é fundamental que este e todos os outros casos sejam devidamente encaminhados para que os agressores sejam sim punidos e educados a não mais cometerem atrocidades como estas.

É necessário também que o Estado garanta a efetivação das leis e políticas públicas que possam alterar a realidade das mulheres que diariamente tem suas vidas ceifadas pela violência sexista, violência gerada pelo machismo que faz o homem ter o corpo da mulher como propriedade sua.

Estamos solidárias à Fabíola Brito e sua família.

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!!!

Obs.: Para a doação de sangue, dirija-se ao HEMOPA PARÁ e forneça o nome completo e hospital que a paciente está internada.