segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Marcha das "p..."

Estamos compartilhando com vocês o texto lido na nossa última reunião. Um ótimo texto para iniciarmos o debate sobre a importância da Marcha das Vadias, ou sobre qualquer outra manifestação que luta pela autonomia das mulheres. Boa leitura.

Maria Berenice Dias*

Bem assim: a letra "p” e reticências.

Esta era a forma utilizada por todos os meios de comunicação para identificar as mulheres que, simplesmente, assumiam o
livre exercício de sua sexualidade. Seja profissionalmente, mediante remuneração; seja pelo só fato de se vestirem de uma forma considerada inadequada, deixando exposta alguma parte do corpo que poderia revelar que se tratava de um corpo feminino.

Inclusive houve época que eram assim rotuladas as mulheres que saiam do casamento por vontade própria. Nem importava a causa. Separadas e desquitadas eram consideradas “p...”. Mulheres disponíveis que qualquer homem tinha o direito de “usar”.

Claro que muitas coisas mudaram. E não há como deixar de prestar tributo ao movimento feminista que, em um primeiro momento, gerou tamanha reação que convenceu até as mulheres que não poderiam ser ativistas, o que as identificaria como mulheres indesejadas. Talvez pelo absurdo de reivindicarem as mesmas prerrogativas dos homens.

É significativo constatar que ao feminis
mo não se atribuía adjetivações ligadas à prática sexual. Ou seja, as feministas
eram mulheres feias, mal-amadas, lésbicas, mas não eram chamadas de “p...”. Eram mulheres que homem nenhum quis. Por isso saiam às ruas em busca de igualdade.

De qualquer modo, um movimento tão significativo que mudou a feição do mundo, a ponto de se dizer que o século 20 foi o século das mulheres.

Apesar dos avanços em termos de igualdade de oportunidades no mundo público, na esfera privada ainda é longo o caminho a percorrer. Basta atentar à violência doméstica cujos assustadores números só recentemente vem sendo revelados graças à Lei Maria da Penha.

Mas há outra violência que somente agora está levantando o véu da impunidade: a violência sexual. Como a virilidade é reconhecida como o maior atributo do homem, o livre exercício da sexualidade, sempre foi um direito ao qual as mulheres precisam se submeter. Inclusive ainda se fala em débito conjugal e tem gente que acredita que o casamento se “consuma” na noite de núpcias, e busca anulá-lo sob o absurdo fundamento de que o casamento não ocorreu.

O controle da natalidade é outro exemplo da absoluta irresponsabilidade masculina. Até hoje se atribui à mulher o encargo de prevenir a gravidez. É sua a culpa pela gestação indesejada. É ela que precisa fazer uso dos meios contraceptivos, em face da enorme a resistência dos homens ao uso de preservativos.

Ou seja, as mulheres sempre tiveram que se submeter ao “instinto sexual” masculino. Algo que parece dominar a vontade do homem que se torna um ser irracional, que não poder ser responsabilizados pelos seus atos. As mulheres são culpadas por excitarem os homens, que viram bestas humanas e não merecem responder por seus atos. Por isso, nos delitos sexuais, o comportamento da vítima é invocado como excludente da criminalidade.

Até que enfim as mulheres estão se dando conta de que submissão e castidade não lhes servem mais de qualificativos. Não são atributos que lhes agrega valor. Têm o direito de agirem, se vestirem e se exporem do jeito que desejarem. Não podem ser chamadas de putas, vadias, vagabundas, adjetivos que só servem para inocentar os homens que as estupram.

Vislumbra-se um novo um novo momento, em que as mulheres passam a ter orgulho de sua condição de seres sexuados. A Marcha das Vagabundas, que está acontecendo no mundo todo, é uma bela prova. Reação à afirmativa de um policial, em uma universidade de Toronto, Canadá: as mulheres devem evitar se vestirem como “slut” para não se tornarem vítimas. A expressão que pode se traduzido por vadia, vagabunda ou puta.

Depois que nos tornarmos sujeitas de nossos direitos, é chegada a hora de assumirmos a condição de senhoras de nossos desejos.


* Maria Berenice Dias é advogada do Rio Grande do Sul especializada em Direito Homoafetivo, Direito das Famílias e Sucessões.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Rafinha Bastos poderá ser investigado por piada sobre estupro

O Ministério Público de São Paulo pediu abertura de inquérito policial contra o humorista Rafinha Bastos, do programa "CQC", da TV Bandeirantes, para apurar suposta incitação e apologia ao crime por conta de uma piada sobre estupro.

As declarações foram feitas por Bastos em seu show de comédia stand-up e reproduzidas na revista "Rolling Stone". Na ocasião, o humorista disse que toda mulher que reclama que foi estuprada é feia, e que o homem que cometeu o ato merecia um abraço, e não cadeia.

O pedido de inquérito é da promotora de Justiça Valéria Diez Scarance Fernandes, coordenadora do Núcleo de Combate à Violência Doméstica e Familiar.

No ofício, a promotora diz que o humorista compara publicamente o estupro a "uma oportunidade" para determinadas mulheres e o estuprador a um benfeitor, digno de "um abraço". "O estupro é um crime. O estuprador é um criminoso que deve ser punido e não publicamente incentivado", diz Fernandes.

A requisição de instauração de inquérito é resultado de representação feita à Promotoria pela coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Thais Helena Costa Nader.

Contatada, a assessoria de imprensa de Rafinha Bastos disse que o humorista não tem nada a declarar sobre o assunto.

REPÚDIO

A piada de Bastos foi criticada pelo Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo, órgão institucional formado por representantes da sociedade e do poder público, que divulgou nota de repúdio contra o humorista.

"A liberdade de expressão, direito previsto constitucionalmente, encontra limite quando em choque com outro direito, que é o da dignidade da pessoa humana, que está acima de qualquer outro", diz a nota. O conselho viu na piada de Bastos conteúdo machista e preconceituoso, "encorajando homens, bem como fazendo parecer que o crime de estupro, hediondo por sua natureza, não seja punível".

O humorista também foi alvo da Marcha das Vadias. Em São Paulo, as manifestantes fizeram protesto em frente ao Comedians, clube de comédia de Rafinha Bastos e Danilo Gentili. No Rio, o humorista foi vaiado por conta das declarações.


Fonte: Folha de São Paulo

Você (não) precisa de um homem pra chamar de seu





Filosofia é poesia é o que dizia a minha vó
Antes mal acompanhada do que só
Você precisa de um homem pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu**





A construção social dos papéis que mulheres e homens devem cumprir na sociedade ocorre de maneira mais ou menos genérica em nossa sociedade (ao menos naquelas ditas ocidentais): aos homens, a força, a palavra, o espaço público, a política; às mulheres o lar, a compreensão, o cuidado (com os outros, não consigo mesma). A lista de papéis, ou amarras, é enorme. Mas pretendo aqui debruçar-me sobre o cuidado.
A nós sempre é destinada a tarefa de cuidar das crianças, das pessoas idosas, doentes, ou mesmo cuidar do marido, da casa. É como se ser mulher fosse somente isso. E durante muito tempo, aliás, ainda hoje, a identidade “mulher” estava ligada ao outro de quem se cuida: mãe, esposa. E não precisa ir muito longe, é só olhar os sinônimos para o vocábulo Mulher no dicionário Aurélio. Isso parece se estender até a esfera da sexualidade. Para ser considera sensual temos que estar adequadas ao olhar masculino e não às roupas e sapatos que nos parecem mais confortáveis, a própria dinâmica das relações sexuais ocorre de maneira a privilegiar o prazer masculino, falando sob o ponto de vista heterossexual.
Mas onde (e quando) aprendemos a cuidar de nós mesmas? Será que aprendemos? Precisamos mesmo depender do olhar (e avaliação) alheia para ser quem somos?
Uma entre tantas propostas e tarefas do feminismo é afirmar a autonomia e liberdade das mulheres, ou seja, somos protagonistas da nossa própria história e não devemos simplesmente e somente obedecer ao leque que opções “possíveis”, ou melhor, impostas. Podemos ser qualquer coisa, se quisermos. Podemos não ter filhos, pilotar aviões, casar, não casar, ter relações com outras mulheres, ser presidentas, enfim. Acredito que todas nós, feministas ou não, lutam diariamente para construir sua autonomia, mas a dependência do olhar alheio continua a ali, profetizando que só se pode ser mulher em função de um outro, este, geralmente masculino.
Assim, dizer-se feminista e agir como tal, assim como construir uma história possivelmente diferente das nossas mães e avós não é fácil. Digo isso porque a dependência não se esvai quando se alcança a independência econômica, o caso da Maria da Penha é emblemático. Uma mulher pós-graduada, que não dependia financeiramente do marido, aceitar tudo aquilo (durante muito tempo) calada? Soa totalmente incoerente. E é. Mas há explicações.
A todos aqueles que colocam a luta feminista à prova todas as vezes que alguma mulher mostra em seus atos essa dependência de que falo aqui, um recado: “o buraco é mais embaixo”. Esse modelo de relações constrói e continua construindo nossas subjetividades. Lutar contra ele é travar diariamente uma batalha interna. É saber que não se precisa de um homem pra chamar de seu, isso é apenas o “que dizia minha vó.” Felizmente, temos um leque de possibilidades para descobrir.

P.S. Nas fotos: Frida Kahlo e Leila Diniz. A primeira foi mulher pintora, mostrou que sim, podemos fazer arte, marcar eras! A segunda provocou a ira dos moralistas ao posar mostrando a barriga da gravidez, sem preocupar-se com o olhar dos outros, ou se pensariam que ela era uma vadia.


* Mariah Aleixo é estudante de Direito e militante da MMM/PA
**Música "Mesmo que seja eu" de Roberto e Erasmo Carlos

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Reunião histórica

A reunião da MMM ocorrida ontem foi realmente marcante para nós. Muitos encaminhamentos foram tirados, como a construção da Marcha das Vadias em Belém, além de Formação Feminista, realização de uma Plenária (ou II Encontro) Estadual, atividades de finanças etc. Tudo deve rolar ainda em 2011, por isso fique atenta ao Blog que em breve disponibilizaremos nosso calendário.

Apesar da chuva (um verdadeiro toró!) que caia bem no hora da reunião, foi a grande a participação, inclusive de novas militantes feministas. Vamos a luta!



As fotos são da Lorena (Unama)

terça-feira, 5 de julho de 2011

TODAS AO DIA NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO

A CUT em conjunto com o Movimento Social e Popular – (MST, MMM e CMP) estarão realizando no dia 06 de julho de 2011, um DIA NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO, que ocorrera nas capitais e em cidades prioritárias, com panfletagens nas praças, escolas, fábricas, além de paralisações, assembléias.... etc.

No Pará O ATO PÚBLICO será realizado em Belém, concentração em frente ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA- ALEPA – Praça D. Pedro II, às 9h do dia 06/07/2011.

Contaremos com a participação em nosso ATO do PRESIDENTE NACIONAL DA CUT, ARTHUR HENRIQUE.

Charque, xoxota, putão, cachorra, vadia. Quem se ofende?

* Gisele Dantas
A Marcha das Vadias suscitou um debate que vira e volta está presente nas rodas femininas, e nas rodas feministas evoca em muitas o ardor da defesa da imagem da mulher e em outras um certo questionamento se isso deve mesmo ofender ou não. Quem não se lembra da polêmica aqui mesmo no Blog sobre o nosso bloco de carnaval Charque Independência? Peço licença para as companheiras para emitir uma opinião.
É sabido de todas (muitas vezes por experiência própria) que ao longo da dominação machista de nossas vidas fomos usadas como objeto, tanto sexual, quanto utilitário do lar, e para nos manter como “máquinas de lavar com vagina”, a linguagem foi amplamente utilizada para nos colocar em nosso lugar, nos diminuir, nos coisificar. Não só os jargões de bordel, mas a linguagem rotineira, do dia-a-dia, ora esquece a nossa existência, ora nos lembra de nosso papel.
 Um bom exemplo disso é o conceito de Homem no Aurelião (dicionário), Homem é qualquer indivíduo animal que apresenta maior complexidade evolutiva, o ser humano. E acrescenta exemplos: homem de bem, homem de Deus, homem da lei, homem do povo. Mulher tem uma definição bastante diferente: O ser humano do sexo feminino, capaz de conceber e parir outros seres humanos (ou seja, mulheres inférteis não são mulheres), e os exemplos são fantásticos: mulher à-toa, mulher comédia, mulher da rótula, mulher da rua, mulher de César, mulher da vida, etc... e com uma observação após cada uma dessas, “meretriz”. Ou seja, nada sobre a nossa escala evolutiva, apenas a alusão à nossa capacidade de parir e o mau uso da nossa sexualidade.
A linguagem cumpre seu papel todos os dias de nos diminuir, mas ultimamente a linguagem, essa mesma que nos menospreza está servindo pra nos afirmar. O funk carioca já faz a cabeça da galera da favela à muito tempo, mas ganhou a mídia com uma versão light, mas ainda sim muito misógina, onde as mulheres eram cachorras e popozudas e etc. E como sempre, não aparecia na mídia uma parte do funk composta e cantada por mulheres, e quando apareceu, nossa! foi um escândalo. Me lembro de muitas feministas dizendo de que Tati quebra-barraco era uma mulher que tinha sido tomada pela sua própria opressão ao se auto denegrir, se chamando de cachorra.
Não me parece que auto punição seja o caso, pra mim parece mais uma afirmação do gênero “sou cachorra se eu quiser, eu dô pra quem quiser, e a porra da buceta é minha”, como diria Deise Tigrona. A utilização da mesma linguagem que diminui pra afirmar, afirmar a capacidade de se livrar de um marido agressor, afirmar a sua sexualidade, é um instrumento libertador. Quando nós mulheres utilizamos palavras que serviram para nos denegrir em nosso favor desconstruímos o imaginário que se faz em cima dessa linguagem e tiramos mais um trunfo da mão de misóginos. Se é pra falar de xoxota, que falemos nós mesmas das nossas!

Toda essa reclamação pudica sobre o termo Marcha das Vadias ou Charque Independência é que me oprime. Vadia é um conceito que utilizam pra inibir meu comportamento, eu não posso ser vadia, não posso gozar, nem me masturbar, porque se eu sair do meu papel as consequências virão. Mas não somos oprimidas ou violentadas por sermos vadias, putões, cachorras, nem pelas nossas roupas ou comportamento e sim pelo simples fato de sermos mulheres.  
         
Não é o termo que define a nossa opressão, é quem utiliza o termo e porque utiliza. Se fosse assim eu não iria querer ser chamada de mulher, porque ser mulher foi por muito tempo, e ainda é a representação de um ser humano de segunda categoria. Mas pra mim, ser mulher é outra coisa, e eu preciso afirmar todos os dias que eu sou mulher, só que do meu jeito.
*Gisele Dantas é militante da Marcha Mundial das Mulheres

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Monster - Desejo assassino


Gente, nem sei porque nunca postei esse filme antes, eu acho ele fantástico, é antigo 2003, mas valhe a pena assistir!
Filme baseado na história real de Aileen Wuornos, uma prostituta lésbica e serial killer. Em Michigan, a infância de Wournos foi marcada pelo abuso sexual e uso de drogas. Mais tarde, aos 13 anos, iniciou-se na prostituição e logo ficou grávida. Em seguida, mudou-se para a Flórida, onde seguiu na prostituição, trabalhando nas estradas. Entre 1989 e 1990, no mesmo período em que cometeu os assassinatos, conhece Selby Wall (Christina Ricci), com quem vive um tórrido romance. A assassina é presa e executada em outubro de 2002. Charlize Theron recebeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz, em 2004.

domingo, 3 de julho de 2011

Reunião da MMM é na próxima terça!


Há outros pontos na pauta da reunião, como: Ciclo e/ou Curso de Formação Feminista, oficina de batucada, Campanha de Creche... Essa reunião é muuuito importante. Aguardamos a todas!

terça-feira, 28 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Anencefalia e o Supremo Tribunal Federal


Por Thomaz Rafael Gollop * e José Henrique Torres**

Aproxima-se o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54 (ADPF-54), que se refere a um pedido de reconhecimento da constitucionalidade da antecipação terapêutica do parto nos casos de Anencefalia. Nesses casos, o feto não tem a caixa craniana nem a maior parte do encéfalo. Trata-se de uma anomalia congênita grave, que acarreta, em todos os casos, absoluta incompatibilidade com a vida. Portanto, o anencéfalo é um natimorto cerebral, que até pode ter uma sobrevida vegetativa por, no máximo, alguns dias ou semanas, mas a sua morte é inexorável.

Ademais, de acordo com essa sua situação específica da anencefalia, não seria possível nem mesmo falar em aborto no sentido jurídico-penal. E o diagnóstico ultrassonográfico de anencefalia, que é 100% seguro, pode ser realizado com 12 semanas de gravidez. Além disso, não se olvide que a literatura médica refere graves riscos nessas gestações: em 50% dos casos há excesso de líquido amniótico com conseqüente hiperdistenção do útero, o que pode condicionar dificuldade em sua contração depois do parto e levar a grandes hemorragias; em 18% dos casos, a gravidez se prolonga além do prazo normal; 25% dos fetos anencefálicos estão em posição anormal, o que causa dificuldades no parto (essa situação é seis vezes mais freqüentes do que em gestações normais); e a placenta pode descolar-se da parede uterina três vezes mais freqüentemente do que em gestações normais condicionando graves complicações. E não se pode esquecer do imenso sofrimento psicológico que as gestantes enfrentam nessa situação. É por tudo isso que, desde 1989, juízas e juízes brasileiros têm concedido autorização para a antecipação terapêutica do parto nesses casos, possibilitando, assim, que a mulher receba assistência adequada, médica, de enfermagem e psicológica, em qualquer hospital da rede pública ou privada. Todavia, essas autorizações, submetidas ao procedimento judicial, podem demorar, e podem até ser negadas, pois ficam na dependência da convicção de cada juiz, caso a caso. O que se pretende, portanto, em síntese, nessa ADPF n. 54, é que o STF declare, definitivamente, em uma decisão com validade para todos os casos de gravidez com anencefalia, que a antecipação do parto é constitucional e é um direito da gestante, que não deve precisar de autorização judicial individual para receber a assistência do Estado, que tem o dever de garantir à gestante essa assistência.

É preciso observar, contudo, que a antecipação do parto, nesses casos, é uma decisão autônoma e livre da gestante. Assim, as mulheres que desejarem manter a gravidez terão todo o direito de fazê-lo e ao Estado cabe também o dever de garantir toda a assistência necessária para que a gestação chegue a termo com toda a segurança.

Mas, porque essa questão foi encaminhada ao STF? É que essa é uma questão de natureza constitucional, pois as mulheres têm o direito constitucional de assistência plena à saúde, o que implica o direito de antecipar o parto diante de uma gestação que acarreta tantos riscos, danos e sofrimentos. Além disso, há uma norma constitucional que impede que as cidadãs e os cidadãos brasileiros sejam submetidos a tortura ou a qualquer tratamento cruel. Assim, o Estado não pode obrigar uma mulher a manter uma gestação de anencéfalo até o termo final, pois isso implicaria submetê-la a tortura e a tratamento cruel.

Assim, avaliando essa questão sob a óptica dos Direitos Humanos Sexuais e Reprodutivos, e com o objetivo de estabelecer um elo sólido entre os profissionais da área da saúde e do sistema judiciário na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, bem como com a intenção de expandir a discussão desse tema na mídia e na sociedade civil, dois seminários foram realizados, recentemente, em Brasília: o primeiro, em maio de 2010, com o apoio do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e de seu Presidente, Ophir Cavalcante; e outro, em setembro, no Conselho Federal de Medicina, com o apoio de seu Presidente, Roberto D'Avila.

Decididamente, é fundamental que os direitos das mulheres sejam garantidos e que elas possam ser ouvidas, respeitando-se a individualidade de cada uma, sob o arnês dos princípios democráticos e de Direitos Humanos.

Aliás, é preciso lembrar do que afirmou, recentemente, Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura:
"Querer moldar a sociedade humana, ignorando as limitações, contradições e variações do ser humano, como se homens e mulheres fossem uma argila dócil e manipulável capaz de se ajustar a um protótipo abstrato, concebido pela razão filosófica ou pelo dogma religioso, com total desprezo pelas circunstâncias concretas, pelo aqui e agora, isso contribui, mais do que qualquer outro fator, para incrementar o sofrimento e a violência".
* Professor Adjunto de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Coordenador do Grupo de Estudos sobre o Aborto (GEA)
** Juiz de direito, professor de Direito Penal da PUC-CAMPINAS, membro da Associação Juizes para a Democracia e do GEA

domingo, 19 de junho de 2011

Documentário do Coletivo de Mulheres da PUC-RJ

Gente, lindo esse documentário feito por uma galera que a gente conhece, as meninas que aparecem são do coletivo de Mulheres da PUC do Rio de Janeiro. Esta dividido em duas partes, confiram é bem legal!






Gostaram né?! Comentem....

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Charges #MarchaDasVadias

É impressionante a quantidade de coisas legais e interessantes que estão rolando na rede sobre a #MarchaDasVadias.

Alguns cartazes das Marchas nós já postamos por aqui, estes inspiram muitas coisas. Mas também tem os cartazes de convocação para as Marchas que são demais! Até bingo sobre quem escuta mais besteira sobre a #SlutWalk tá rolando.

Entre tudo isso, eis que me deparo com as charges de Carlos Latuff (@CarlosLatuff) sobre o mesmo tema. Ao contrário do que logo pensamos de cartunistas e charges, Latuff faz de suas charges críticas políticas e inteligentes. Trabalho incrível, impossível não publicar.










E depois de pedir autorização a ele para publicar as Charges ele me responde:




Seguiremos em marcha até que todas sejam livres da opressão, da violência, do machismo....

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Calendário da Marcha das Vadias no Brasil


Atualizado em 22/07, às 12:30h.
Olha aí o Calendário da Marcha das Vadias em todo o Brasil... 


Marcha das Vadias - Fortaleza/CE
Sexta, 17 de junho, às 16h
Local: Centro de Humanidades da UECE (na Av. Luciano Carneiro, 345)
 
Marcha das Vadias - Juiz de Fora/MG
Sábado, 18 de junho, às 14:30h
Local: Parque Halfeld


Marcha das Vadias - Brasília/DF
Sábado, 18 de junho, às 12h
Local: Concentração em frente ao Conjunto Nacional



Marcha das Vadias + Marcha da Liberdade - Natal/RN
Sábado, 18 de junho, às 15h
Local: Concentração na Praça Vermelha


Marcha das Vadias - Florianópolis/SC
Sábado, 18 de junho, às 13h
Local: na frente da Catedral do centro

Marcha das Vadias - Belo Horizonte/MG
Sábado, 18 de junho, às 13h
Local: concentração na Praça da Rodoviária.

Marcha das Vadias - Rio de Janeiro/RJ
Sábado, 2 de julho de 2011 às 14:00
Local: POSTO 4, Av. Atlântica, Copacabana. Rio de Janeiro

Marcha das Vadias - Salvador/BA
Sábado, 2 de julho, às 10h
Local: na Lapinha, Bairro da Liberdade
 

Marcha das Vadias - Curitiba/PR
Sábado, 16 de julho, às 11h
Local: Praça Santos Andrade


Marcha das Vadias - Natal/RN
Sábado, 23 de Julho, às 14h
Local: Concentração e Produção de Cartazes no Ponto 7 da Av. Engº Roberto Freire (Ponta Negra) e segue rumo ao Morro do Careca.


Marcha das Vadias - Belém/PA
Domingo, 28 de agosto, às 10h
Local: Concentração na Escadinha e segue pela Pte Vargas.


Fonte: FACEBOOK

Se tiver faltando outras é só comentar que a gente atualiza!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Marcha das Vadias

A Marcha das Vadias já aconteceu na Argentina, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Holanda e Nova Zelândia e agora toma conta do Brasil! As mulheres brasileiras já marcharam em São Paulo e Recife, vão marchar em Belo Horizonte, Brasília, Juiz de Fora, Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador... e quem sabe aqui pelo Pará?

Saiba o que é a Marcha das Vadias e porque arrasta tantas mulheres paras ruas.

Você sai com um vestido curto e passam a mão na sua bunda. Você conta para um amigo que diz: "mas também, né, com uma roupa dessas". Como assim? Nunca aconteceu com você? Apostamos que sim. E é por isso que achamos que ir na Marcha das Vadias, que acontece sábado em São Paulo é uma boa ideia. A causa: acabar com essa história de que mulher estuprada (sim, o assunto é seríssimo) provocou isso. E, claro, com essas historinhas mais simples que acontecem todos os dias. Com todo mundo.

E por que vadia? O termo vem do inglês, de slut, mas serve muito bem. Afinal, mulher que se veste como quer, transa com quem quer, é chamada de que? Hein?

A Slut Walk começou a se desenrolar em Toronto, no Canadá. Em uma universidade, um policial dava uma palestra sobre segurança no campus universitário e argumentou que as estudantes deveriam evitar se vestir como vagabundas (daí vem o termo sluts) para não se tornarem alvo fácil de estupros. 

Diante de uma declaração infeliz como esta, as estudantes decidiram protestar. E com razão! Ou será que é normal sofrer uma trágica e forçada agressão ao nosso corpo e mente e ainda assim nos sentirmos culpadas? Não restam dúvidas de que estupro é um medo presente na mente das mulheres e o distúrbio mental vem da parte do agressor. E não das nossas peças de roupas! Sim, vamos continuar nos vestindo do jeito que quisermos. Sempre.

A passeata, que acontece no próximo sábado em São Paulo, é na verdade um grito contra o conceito de "mulher estuprável". Não, isso não existe! É errado a sociedade dizer "cuidado para não ser estuprada" em vez de "não estupre". Somos livres para usarmos o que quisermos e, principalmente, somos livres de qualquer culpa desse ato.



A Tpm ouviu algumas blogueiras feministas que levantam a bandeira da causa e mostram porquê não devemos ficar de fora da passeata.

Para Marjorie Rodrigues, 23, que mora em São Paulo e é assessora de imprensa, a ideia da marcha é excelente e que o protesto é necessário. "Essa coisa de separar uma mulher entre santa, puta, ou vadia, é algo que não depende da sexualidade da mulher ou de quantos parceiros ela quer ter. O julgamento vem da maneira que você anda, que você senta, se você ri demais, se você fala demais. Já passou da hora da gente protestar contra isso pra termos mais liberdade ainda. É aquela velha história: o homem pode falar que tal mulher é gostosa, mas se eu falar isso, eu sou uma vadia. No Brasil, a gente tem o exemplo recente do Rafinha Bastos que fez uma piada dizendo que cara que estupra mulher feia merece um abraço, tem a frase do Maluf 'estupra, mas não mata', tem o caso da Geisy Arruda que todo mundo julgou como puta por causa de um vestido. Essa questão só parece pequena, mas a verdade é que ela oprime as mulheres todos os dias", disse. "O nome da marcha é de fato pejorativo, mas a verdade é que o propósito da marcha é maior. Não existe mulher vadia, mulher santa ou mulher vagabunda, existem vários tipos de mulheres e cada uma explora sua sexualidade do jeito que achar mais adequado", completa.

"Pra mim, o nome ideal seria 'Marcha das Mulheres Livres', mas não teria tanto impacto na mídia" - Tica Moreno

A socióloga Tica Moreno, 27, também de São Paulo, também parte da ideia de que a marcha foi uma ótima sacada das meninas em Toronto. "Elas conseguiram potencializar o debate de que não importa o tipo de roupa, ou o tipo de comportamento, nada justifica a violência contra as mulheres. Vale lembrar do caso do goleiro Bruno. A própria mídia justificou a violência dele porque diziam que Eliza Samudio era uma garota de programa, que adorava sair com vários jogadores. Então, pra nós, é o momento de levar para as ruas, pra mídia, pra internet, que nada é capaz de justificar a violência. O termo vadia pode sim ser usado de uma maneira que foge da proposta, não acho que é o caso de positivar a palavra, mas a verdade é que as mulheres são livres para terem o comportamento que quiserem. Nosso debate não se trata sobre ser ou não devassa, pra gente se trata de ser livre. Pra mim, o nome ideal seria a Marcha das Mulheres Livres, mas vamos combinar que isto não teria tanto impacto na mídia", explica.

Conhecida na internet como Srta. Bia, a brasiliense Bianca Cardoso, 30, servidora pública, vai além e sugere cartazes que as mulheres poderiam levar na Marcha. "Acho importante ir para a Marcha com roupas que a pessoa goste de usar e cartazes com dizeres: 'Este é meu corpo, meu precioso corpo me pertence' ou 'Meu corpo, minhas regras' ou até mesmo hinos do funk como 'A buceta é minha e eu dou para quem quiser!'. Para a sociedade, ser vadia é ser uma mulher promíscua. Para mim ser vadia é viver sendo quem eu sou, rasgando a burca invisível que nos cobre", disse.

Autora do blog Escreva Lola Escreva, um dos blogs feministas mais conhecidos do Brasil, Lola Aronovich, 43, argentina naturalizada brasileira que há um ano e meio mora no Ceará, é professora da UFC (Universidade Federal do Ceará) e cronista de cinema. Para ela, o tema em si já é muito polêmico, principalmente a escolha do nome. "Eu acho muito difícil ser possível reapropriar o significado de um nome. Mas ao mesmo tempo eu entendo totalmente o propósito da Marcha, que é contestar a afirmação feita pelo policial lá em Toronto. A verdade é que a visão geral diz que quem tem que se preocupar é a vítima! É a mulher que tem que aprender a não ser estuprada, não o homem que tem que aprender a não estuprar, a gente ouve isso toda hora. Quando ouvimos falar em estupro, a primeira coisa que perguntamos é 'mas o que ela estava vestindo, onde ela tava ou que horas eram?'. Tudo sempre relacionado à postura da vítima. Então a gente fazendo a Marcha pode muito bem conscientizar algumas pessoas que todo o assunto 'estupro' está muito mal discutido.”, explica.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Agressão da PUC - RS

Muitas de nós, colaboradoras no blog, iniciamos nossa militância  feminista dentro da Universidade, no Movimento Estudantil. Nossos debates sempre questionavam a reprodução do machismo dentro dos muros da universidade, um lugar que deveria questionar o que tem de errado na sociedade, de produzir conhecimento e não de reproduzir práticas abomináveis. 
O Movimento Estudantil então tinha esse papel, de questionar o mundo, de lutar por uma sociedade mais justa. Infelizmente, mesmo no M.E. somos vítimas do machismo. No último dia 13, em Porto Alegre, na PUC-RS durante o processo de eleição para a tiragem de Delegados da UNE, duas mulheres foram agredidas por tentarem garantir um processo democrático. Agora, o que impressiona é a coragem das duas mulheres.

Leia a Nota de repúdio das Diretorias de Mulheres da UNE e da UEE – Livre/ RS

Assista o vídeo.


NOTA DE REPÚDIO AS AGRESSÕES OCORRIDAS NA PUC RIO GRANDE DO SUL

As Diretorias de Mulheres da União Nacional dos Estudantes e da União Estadual dos Estudantes – Livre/ RS vem a público repudiar a agressão que as estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul sofreram na última segunda-feira, 13 de junho, durante as eleições do 52º Congresso da UNE (CONUNE).

É incabível que aconteçam atos de violência nos espaços do movimento estudantil e, especialmente, durante o processo do CONUNE, fórum democrático da UNE aberto a todas e todos os estudantes brasileiros. É ainda mais inaceitável que essa violência seja contra as mulheres. Lutamos por uma nova universidade e certamente os pilares dessa construção são e, devem, acontecer a partir da liberdade, da igualdade entre homens e mulheres e da democracia.

Manifestamos o nosso repúdio a estas práticas anti-democráticas, conservadoras e opressoras, exigimos punição aos responsáveis e nos solidarizamos com as estudantes que enfrentam o machismo e lutam por democracia no movimento estudantil.

Todas rumo ao CONUNE, construir a universidade que sejamos, denunciar o conservadorismo e a opressão que sofrem as mulheres. Mulheres na luta contra o machismo e por democracia na universidade!Diretoria de Mulheres da União Nacional dos Estudantes e Diretoria de Mulheres da União Estadual dos Estudantes – Livre/ RS.

Confira o vídeo gravado durante as agressões.

OIT determina direitos iguais para trabalhadoras domésticas

Após 50 anos de debates, trabalhadoras domésticas terão finalmente o mesmo direito dos demais trabalhadores no mundo, o que obrigará o governo brasileiro a reformar a Constituição para garantir a mudança no status das domésticas. Na segunda-feira, dia 13, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu negociação para criação de uma convenção internacional para garantir direitos às trabalhadoras domésticas.

A votação do projeto vai ocorrer ainda nesta semana. Governos e sindicatos apostam na aprovação do tratado. Se for ratificado pelo Brasil, o governo terá de iniciar processo para modificar a Constituição.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acha que a votação não trará mais surpresas e disse que a mudança constitucional vai ocorrer. No Brasil, não há necessidade de reconhecer o FGTS no caso das domésticas. O Fundo de Garantia é apenas um "benefício opcional" que o empregador pode ou não conceder. Mas, ao se equiparar o estatuto dessa classe, será obrigatório.


Lupi, que admitiu a explosão que o setor sofre no Brasil, garantiu aos sindicatos que haverá projeto de lei nesse sentido e que o governo quer ser um dos primeiros a ratificar a convenção. A principal mudança terá de ocorrer no artigo 7 da Constituição, que fala dos direitos dos trabalhadores.

"Já estamos em negociação com o governo para permitir que a mudança na Constituição seja apresentada ao Congresso", disse Rosane Silva, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT. Segundo ela, foram os países europeus que mais resistiram ao acordo. "Os europeus querem os direitos máximos para seus trabalhadores e os mínimos para os imigrantes", acusou Rosane, que participou das negociações.

Dados do Ministério do Trabalho indicam que 15% das trabalhadoras domésticas do mundo estão no Brasil. Existem no País cerca de 7,2 milhões de trabalhadoras nessa classe. Apenas 10% têm carteira assinada. Desde 2008, o número de domésticas aumentou em quase 600 mil.

"A maioria está sem contratos formais de trabalho e submetidas a jornadas excessivas e sem proteção social", disse Lupi. Segundo o governo, a média é de 58 horas semanais de trabalho para essa classe de trabalhadoras.

Segundo o Ministério, o salário médio de uma empregada doméstica é inferior ao salário mínimo. Os cálculos apontam que não passaria de R$ 400 por mês. "As trabalhadoras domésticas fazem parte de uma das categorias profissionais historicamente mais negligenciadas do mundo do trabalho", disse Lupi. Segundo o IPEA, um terço dos domicílios chefiados por trabalhadoras domésticas são domicílios pobres ou extremamente pobres.

Meia década. No mundo, as trabalhadoras domésticos somam mais de 52 milhões de mulheres, mas a convenção está prestes a ser votada 50 anos depois do primeiro pedido feito à OIT.

Se no Brasil o tema é um dos mais delicados, no resto do mundo também é explosivo. Por trabalharem em casas, muitas dessas empregadas são invisíveis. "Pela primeira vez essas trabalhadoras estão sendo trazidas para a luz do dia", afirmou William Gois, representante da Migrant Forum in Asia, entidade que se ocupa da situação de milhares de filipinas que trabalham na Europa, Estados Unidos e Japão.

"Em muitos lugares, empregadores confiscam os passaportes de suas domésticas para impedir que deixem o trabalho", disse. "Quando pedem aumento, são ameaçadas de expulsão", explicou. A filipina Marissa Begonia disse que foi alvo de um tratamento abusivo quando trabalhava em Hong Kong como doméstica. "Depois de 17 anos trabalhando nessa situação, hoje posso comemorar", afirmou.

Fonte: O Estado de São Paulo

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Hoje tem "Direitos Fundamentais e Homoafetividade"



O programa de atendimento à vítima de violências do NPJ- UFPA realiza palestra sobre o tema "Direitos Fundamentais e Homoafetividade". Será hoje (9 de junho), às 17 horas, no auditório da pós-graduação do ICJ (UFPA, Campus Profissional, próximo ao Terminal) .

A palestra é gratuita e visa abordar um dos eixos do programa: a homofobia e a cidadania lgbt.

A participação é aberta a todas/os!!!

sábado, 4 de junho de 2011

Eles de novo. Ou, hipócritas.

*Por Tica moreno, post do Blog Roupas no Varal.

Mais uma clínica que realizava abortos foi fechada no Rio de Janeiro.
Um dia depois da Marcha pela Família ser realizada em Brasília. O nome da marcha que aconteceu quarta feira lembra a que aconteceu em 1964.
Outro contexto, os mesmos valores conservadores.
A marcha de quarta-feira foi pela família e contra a liberdade.
A base da família que eles defendem não é o ser humano nem o amor. Quem defende o amor, defende o PL 122 (e não necessariamente defende a família).
Essa família dos conservadores reproduz o status quo, além de ser chata! É composta por um homem e uma mulher, que transam não pra sentir prazer, mas pra reproduzir herdeiros. Defendem uma família com o homem provedor, e a mulher bem disponível para cuidar dos filhos, do sogro e da sogra, da casa. Uma família com empregada doméstica. Eles não falam sempre, mas não tem tanto problema assim ter violência nesta família.
Gente, esse modelo de família aí reproduz um monte de desigualdades e não tem nada a ver com o que deveria ser um mundo ideal. E nem parece tanto com o mundo real, já que cerca de 30% das famílias são chefiadas por mulheres, e cresce o número de famílias monoparentais e de casais sem filhos.
As pessoas transam antes, dentro e fora do casamento. As pessoas se divorciam.
As mulheres abortam. Mulheres amam, transam e vivem junto com outras mulheres. Homens amam, transam e vivem junto com homens. As pessoas fumam maconha. As pessoas baixam música na internet.
Mas aí tem uns caras que acham que tem o direito de interferir no que as pessoas fazem da vida. E não é só que querem ser alcoviteiros. Eles querem que o Estado não permita que as pessoas sejam livres. E eles tem poder, votos, fazem leis, falam barbaridades em rede nacional e gozam de imunidade parlamentar.
E eles estão articulados contra as mulheres, homossexuais, negros, pobres.
Daí eles defendem esse modelo horroroso de família num dia, estouram uma clinica de aborto no outro, agridem homossexuais no outro, reprimem violentamente manifestações populares no outro, fazem vistas grossas à existência de trabalho escravo no outro.  “Eles” tem nomes próprios, tem que ser denunciados, processados, desqualificados. “Eles” formam um sujeito coletivo que tem que ser combatido, por tod@s e cada um/a de nós, todos os dias.
***
E o post era pra falar sobre o fechamento da clínica de aborto no Rio, que chamaram de operação hipócrates, mas que obviamente deveria ter sido chamada de operação hipócritas.