quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Pelo Fim da Violência contra a Mulher
Ainda vai levar um tempo, pra fechar o que feriu por dentro*

*Por Rafaela Rodrigues
Hoje, centenas de milhares de mulheres vivem em situação de violência, dentro de suas próprias casas. O feminismo conceitua a violência como toda a vez que mulheres são consideradas coisas, objetos de posse e poder dos homens e, portanto, inferiores e descartáveis.
No Brasil a violência contra a mulher tem estatísticas alarmantes, segundo dados do CEFEMEA – Centro de Estudos Feministas e Assessoria, a cada 15 segundos uma mulher é agredida. 80% dos casos de violência contra a mulher são cometidos por pessoas de seu convívio. Mais de 40% das agressões resultam em lesões corporais graves ou morte.
Outros dados assustam ainda mais: 25% das mulheres são vítimas da violência doméstica; 33% da população feminina admite já ter sofrido algum tipo de violência; em 70% das ocorrências de violência contra a mulher o agressor é o marido ou o companheiro; a violência doméstica é a principal causa de lesões em mulheres entre 15 e 44 anos; os maridos são responsáveis por mais de 50% dos assassinatos de mulheres e, em 80% dos casos, o assassino alega defesa da honra.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram agredidas fisicamente por seus parceiros entre 10% a 34% das mulheres do mundo. De acordo com a pesquisa "A mulher brasileira nos espaços públicos e privados" – realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001, registrou-se espancamento na ordem de 11% e calcula-se que perto de 6,8 milhões de mulheres já foram espancadas ao menos uma vez.
Apesar de a Constituição Federal de 1988 ter incluído entre seus princípios fundamentais a igualdade, o que vemos é ainda o descaso do Estado com a violência contra a mulher.
O Movimento feminista trouxe para o espaço público o tema da violência como um problema político que deve ser combatido por toda a sociedade, tirando da intimidade do lar, do espaço privado, de onde sempre foi colocado, e denunciou a situação aterrorizante que as milhares de mulheres vivem enquanto permanecem em violência.
Em 2006 o movimento feminista teve uma grande vitória no combate a violência à mulher, entrou em vigor a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e pela primeira vez a justiça brasileira pode fazer justiça aos séculos de discriminação e desigualdades que as mulheres enfrentaram.
No entanto, sabemos que medidas punitivas são insuficientes para acabar com a violência sexista, precisamos enfrentar de forma intolerante as desigualdades de gênero e denunciar todas as formas de discriminações que ainda sofrem as mulheres para que possamos conviver sem violência e enfim consagrar o princípio da igualdade.
Mas, assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade, então ainda temos muita luta pela frente!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Luta, substantivo feminino
O livro é "Luta, Substantivo feminino" que traz a história de 45 mulheres mortas pela ditadura, e o relato de 27 sobreviventes.
Agora disponível para baixar na nossa sessão de Materiais.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
#FimdaViolênciaContraMulher
Dia 25 de novembro é o Dia para prevenir e erradicar a violência contra as mulheres e nós do Blog Mulheres em Marcha estamos na luta pelo #FIMDAVIOLÊNCIACONTRAMULHER
Vamos todos nos unir nessa luta.*
Eu me chamo Juliana, mas podia ser Maria da Penha, Eloá, Eliza Samúdio, Mércia Nakashima ou Sakineh. Estes são alguns dos casos mais conhecidos de violência contra mulher, mas quantas Marias, Anas, Fátimas, Brunas, Lúcias são diariamente violentadas e não ficamos sabendo pois elas têm medo de denunciar a violência que sofrem? Chega! A sociedade civil se organiza e reage contra esse disparate! Pelo fim da violência contra a mulher, vamos em todas as redes sociais da Internet fazer a nossa voz ser ouvida!
Vamos usar no Twitter a tag: #FimdaViolenciaContraMulher. Junte-se a essa luta!
*Retirado do Blog Ofensiva contra o Machismo
domingo, 21 de novembro de 2010
A Troca
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Angelina Jolie, Gattlin Griffith, Michelle Martin, Michael Kelly, Frank Wood
Estúdio: Imagine Entertainment, Malpaso Productions e Relativity Media
Roteiro: J. Michael Straczynski
Produção: Brian Grazer, Clint Eastwood, Robert Lorenz e Ron Howard
Música: Clint Eastwood
Fotografia: Tom Stern
Sinopse:
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Brinquedo de Menina
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Políticas para mulheres e mulheres na política
Tatau Godinho: A presença das mulheres na política tem aumentado nos últimos anos. Em termos de políticas públicas, questões específicas voltadas à saúde das mulheres, o combate à violência e mesmo uma ampliação nos horizontes profissionais têm sido alvo de atenção dos governantes. Mas uma alteração mais profunda nas desigualdades entre homens e mulheres ainda está por vir.
TG: A ampliação da presença das mulheres no mundo público, isto é, fora do âmbito da família, continua totalmente vinculada a uma sobrecarga colocada sobre elas em relação ao cotidiano, à vida familiar, ao cuidado com as pessoas. As mulheres assumem novas tarefas, mas muito pouco se alterou nas relações de poder. E a política é o espaço concentrado das dinâmicas de poder na sociedade. É ali que são definidos boa parte dos grandes grupos de interesses, dos destinos dos países. Obviamente, as disputas políticas não ocorrem apenas nos espaços tradicionais ou institucionais. Mas é um sintoma da fragilidade da democracia a exclusão tão recorrente das mulheres.
TG: Sem dúvida uma mulher na Presidência da República já representa, de saída, uma quebra de barreiras. O principal cargo político do país é uma referência necessária para os debates, as articulações políticas, para as mais diversas áreas em torno das quais a sociedade se mobiliza. Tem uma influência importante, também, no imaginário social em relação às mulheres. Mas as mudanças mais concretas, em termos de políticas, dependem da insistência que a presidenta tiver em fortalecer uma agenda voltada para a igualdade. As questões relacionadas aos direitos das mulheres vão ser colocadas na agenda política de forma muito mais cotidiana. E é muito importante uma presença mais forte do movimento de mulheres para que isso seja feito em um sentido progressista. O campo de oposição, provavelmente, se apoiará também em uma agenda conservadora em relação aos direitos das mulheres, como já ocorreu nas eleições. Por isso, para garantir um avanço, acredito que seja necessário que a sociedade se mobilize no sentido de possibilitar um efetivo avanço de direitos. Dilma Rousseff tem um histórico de atuação rompendo espaços em áreas muito fechadas às mulheres e, acredito, que isso dará a ela uma boa experiência de como lidar em um ambiente adverso.
TG: As deputadas e senadoras têm uma oportunidade inédita de fortalecer sua voz no Congresso. Mas é preciso se apoderar dos sinais indicados pela futura presidenta, de que valoriza o aumento da participação política das mulheres, e consolidar novas lideranças nas disputas concretas que compõem o dia a dia do Congresso. Esse é um momento privilegiado para que as parlamentares mulheres reforcem sua presença e, mais especialmente, para que a bancada feminina apareça como uma forte articuladora de reivindicações de políticas que incidam sobre a desigualdade entre mulheres e homens. Para isso é necessário que a atuação se paute por uma plataforma ampla, que não fique apenas em temas de menor incidência, ou nas áreas que são consideradas tradicionalmente mais receptivas à participação das mulheres. Há questões fundamentais em relação ao mundo do trabalho, no âmbito da política econômica e de desenvolvimento, da previdência, ou a reforma política e partidária, como mencionado anteriormente, que são muito importantes. Isso vai depender da atuação das parlamentares comprometidas com essa agenda. Ampliar o número de mulheres é muito importante, mas mudanças reais para as mulheres só ocorrerão se isso se combina com uma agenda de propostas e reivindicações para alterar as condições de desigualdade e discriminação vividas pelas mulheres.
TG: É muito positivo que Dilma tenha acenado, logo de início, com a importância de ter uma presença maior das mulheres em cargos chaves do governo. Com certeza os partidos vão resistir. Afinal, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Nem na física nem na política. E a concentração masculina nas redes de direção é brutal. Não são apenas os dirigentes partidários. Isso inclui os quadros do parlamento, das direções sindicais, das universidades ou outras entidades da sociedade. A insistência da presidenta em compor um governo com maior presença de mulheres obrigará os partidos, e toda a sociedade, a discutir a questão.
TG: Quando se fala em igualdade entre mulheres e homens, o sentido é a igualdade social e política. É evidente que na sociedade os homens têm imensos privilégios em todos os âmbitos: renda mais alta, acesso a melhores postos e empregos, mais tempo de lazer, dominam os espaços de poder político e econômico na sociedade. E isso se articula com todas as vantagens que têm no campo da vida pessoal e familiar, em relação ao cuidado com os filhos, ao trabalho doméstico, e nas questões ligadas à sexualidade. É isso que é preciso mudar. Há um pensamento conservador que atribui às mulheres um papel centrado na maternidade e na família. Isso é cultivado. É um mecanismo que justifica a falta de responsabilização masculina. Assim os homens ficam livres para o poder, enquanto as mulheres cuidam da sobrevivência. É essa a divisão que precisa ser superada na sociedade. Naturalizar o papel das mulheres na família, na maternidade, nas funções do cuidado é negar às mulheres a posição de igualdade e racionalidade e, em última instância, deixar as funções de direção e poder efetivos da sociedade, a elaboração da cultura e da ciência para os homens.
TG: Eu acredito que sim. Para uma superação efetiva das desigualdades é preciso uma mudança mais geral. A sociedade capitalista absorve e rearticula as relações de dominação compondo uma dinâmica de desigualdade que favorece a exploração, a concentração de renda, a manutenção de padrões de opressão em diversos níveis. A superação da desigualdade de gêneros é uma perspectiva libertária, de uma sociedade livre com seres humanos vivendo em plenitude suas capacidades. E isso exige a mudança do modelo de sociedade atual, em que as desigualdades são parte da organização necessária das relações sociais. Mas isso não significa jogar as reivindicações para um futuro distante e abstrato. É preciso investir para que as mudanças sejam implantadas desde agora. Toda mudança é um processo político e social que envolve também conflitos. E nós não podemos deixar de enfrenta-los.
TG: A criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres foi uma iniciativa muito importante do governo. Ela buscou construir uma agenda para todo o governo. Em algumas questões, como a proposta de implantar uma política de combate à violência sexista, os avanços são mais claros. Em outras áreas, ainda há muito o que fazer. Os esforços da SPM em coordenar um plano geral de políticas para as mulheres são significativos e as dificuldades são muito grandes. É necessário uma consolidação maior dessa política no próximo governo.
TG: Essa é uma discussão que demonstra o grau de conservadorismo na sociedade. Afinal, a discussão só existe porque os espaços de poder são considerados lugares para os homens e não para as mulheres. O cargo de primeira-dama é a pior simbologia do atraso em relação às mulheres: significa que o lugar para elas é de esposa, e não de dirigente. É a reafirmação de que para as mulheres o espaço legítimo é o mundo privado e não a esfera pública, como é o caso da política. Além do mais, isso ainda se combina com o clientelismo que enxerga a política de assistência social como caridade e não como direito!
TG: É uma questão simbólica. Não é decisiva mas possibilita marcar o significado da eleição de uma mulher para a presidência. E forçar um pouquinho a Língua Portuguesa a se adaptar a um mundo de homens e mulheres também nos cargos, carreiras e funções antes ocupados apenas por homens.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul
Baixe o livro aqui!!!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
A felicidade em pequenas doses
Vamos falar a verdade: que atire a primeira pedra a feminista que nunca quis viver "um dia de fúria" ou se viu a "beira de um ataque de nervos" diante das receitas milagrosas de juventude eterna e de felicidade plena. Você sabe exatamente do que estamos falando.
Ah, O Mulheres em Marcha também curtiu o comentário ao texto da Sarah e publicou. Confira!
"Tenho certeza que ficará muito feliz com o resultado!" Foi o que me disse de forma inocente a vendedora de uma loja ao me dar uma mostra grátis de um creme para firmar o busto.
Exatamente, para firmar o busto!!!
Para o mundo que eu quero descer!!!
Porque eu, ou qualquer outra mulher precisa de um creme para firmar o busto?
E porque aquela vendedora inferiu que isso me faria feliz?!!
Meu Deus eu só queria comprar um batom, não estava buscando a fonte da juventude em pequenas mostras grátis!!
Podem dizer que nós feministas somos chatas, eu prefiro achar que chato é esse mundo que prega para os quatro ventos, que tem um padrão para todas as mulheres.
Se voce tem 20 anos, melhor começar se cuidar, prevenir sabe....Afinal quando acha que as rugas começam a aparecer?
Chegando nos 30, bom aí já é uma zona de perigo, afinal a tal gravidade atinge a todas fofa!! melhor cuidar desse peitinho porque nao vai durar muito viu! Para vc temos esse creminho que junto com esse outro óleo, usado 5x ao dia trará resultador inimagináveis pela modica quantia de..XYZ. Nada que vc não possa pagar com o crediário especial de nossa loja!!
Bom a partir do 40... serão necessarias intervenções mais drasticas. Mas não se preocupe vai ficar super natural...
Natural, é envelhecer com dignidade.Natural é a beleza que existe em cada uma de nós, de diferentes cores, tamanhos, gostos...
Bonito é ser livre. Bonita é a verdade e não as mentiras que nos vendem em suaves parcelas ou embaladas em pacotes brilhantes.
Comentário de Fernanda dijo...
Posso te contar? Outro dia um rapaz correu atrás de mim para entregar um panfleto. Ele dizia, "isso vai te interessar, pegue!". Peguei, era tanta insistência... Quando olho, para meu espanto e surpresa, era um panfleto de clínica de cirurgia plástica vaginal!!!! Ah, voltei até o moço, e indignada perguntei: de onde vc tirou a ideia de que preciso fazer plástica na minha xoxota?!?!?! Pois é a mesma situação para os cremes para busto, bunda e tudo o mais... Mais uma vez vamos lá gritar: Somos mulheres não mercadoria, porra!
sábado, 13 de novembro de 2010
Nota da CUT contra apelo sexual em propaganda dos Correios
É com indignação que assistimos ao anúncio publicitário dos Correios, veiculado nacionalmente, no qual uma modelo tira a blusa na frente de várias crianças, sob o pretexto de conseguir um autógrafo de um famoso jogador de futebol de salão.
Tal anúncio, além de violar o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente utiliza-se do apelo sexual do corpo das mulheres para supostamente atrair a atenção para o produto comercializado.
É inaceitável que os Correios, ainda mais por se tratar de uma empresa pública, reproduzam a idéia contida também em inúmeros outros anúncios, que comparam, ou melhor, igualam o corpo das mulheres a um objeto para vender mais mercadorias e aumentar o lucro das empresas.
A CUT, maior Central Sindical da América Latina, ciente da responsabilidade que tem com milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadoras que não aceitam o machismo, seja qual for sua manifestação, reafirma seu compromisso com a consolidação de um Brasil justo, democrático e com igualdade entre homens e mulheres. Repudiamos este anúncio, exigimos a imediata retirada de sua veiculação assim como uma ação do Governo para que casos semelhantes não voltem a ocorrer.
Rosane Silva
Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT
Artur Henrique
Presidente Nacional da CUT
O que vocês acharam?
Nossa "artista", responsável pela bela mudança, foi a Rafaela (do Direito). Aliás, ela tem feito as últimas grandes alterações no Mulheres em Marcha, o que tem deixado ele cada vez mais bacana.
Vale ressaltar que estamos sempre abertas a sugestões (e elogios também! kkkk).
Bom feriadão pra vocês!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Mais notícias amigas
É super bacana e está sempre atualizado com texto escritos por elas, ações feministas promovidas na cidade e agenda de reuniões. Dá uma olhada lá!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Entre alegrias e tristezas
Acabamos de eleger a primeira mulher para o cargo de presidente do Brasil, Dilma Rousseff. A primeira coisa que me vem a cabeça quando penso nisso é no avanço dessa conquista e me emociono ao lembrar da frase muito usada por nós feministas “Lugar de mulher é na política”. Mas minha alegria dura pouco, basta eu entrar em algum jornaleco na internet ou blog de humor, ou mesmo sentar em uma mesa de bar como alguns homens nada 'esclarecidos' que meu momento de alegria passa e me vem um sentimento de indignação. E eu me coloco a refletir acerca de um trecho de Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo”, meu livro de cabeceira, que diz que enquanto as mulheres não se verem enquanto sujeitos, não tiverem um sentimento de nós enquanto mesmo, a relação de opressão não mudará e elas serão sempre o outro. Pois não existe um nós mulher como ocorre em outras relações de opressão, salvo algumas raras organizações feministas, as mulheres nunca conquistaram nada, a não ser aquilo que seus opressores quiseram dar a elas, assinala Beauvoir.
Esse trecho me angustia, me da náusea, pânico, desespero... até quando vai ser assim? Até quando essa sociedade machista vai nos agredir, vai nos impor comportamentos, esteriótipos. Será que agora que temos uma mulher na presidência conquistaremos respeito? Tenho medo da resposta, essa campanha suja e maldosa, incentivou a falta de respeito até pela presidenta, me corria ao ver as campanhas da oposição dizendo que ela não tinha história, não tinha potencial nem competência, tinha uma que a porta de um estabelecimento fechava e um homem dizia “a única vez que ela não teve um chefe teve que baixar as portas”, ou algo parecido com isso, nojo.
Depois de uma charge no inicio da campanha ter relacionado a atual presidenta eleita a uma garota de programa, desrespeitando não só a candidata como a todas as mulheres, o debate preconceituoso e agressivo em torno da legalização do aborto e da união civil de pessoas do mesmo sexo, e no segundo turno o candidato pelo PSDB ter pedido as “mineiras bonitas” que consigam voto para ele, entre outras coisas machistas, absurdas e preconceituosas que se ouvia por ai. Deparei-me ontem com algo que considero absurdo, piadas abusivas, desrespeitosas e machistas, em uma página de um “humorista” que descreve seu humor como “de prima pra deixar a vida masculina ainda melhor” que medo do que vem abaixo. O cara “super engraçado” enumera as 10 primeiras medidas que serão tomadas pela primeira presidenta mulher da história do Brasil, e faz piadas com os planos de governo relacionando com esteriótipos atribuídos a mulheres. Com relação a saúde da mulher por exemplo, o projeto a ser implantado é implante de botox e silicone (HORRIVEL!!!!!!), o PAC, vira programa de aceleração do casamento (TOSCO!!!), dentre outras coisas absurdas. A postagem ridícula, veio seguida de vários comentários que apoiavam o autor e agrediam aqueles que deixaram seu comentário criticando a piada. Chamando homens que se posicionou contra de “bichona” e as mulheres de feministas-sem-causa, sem senso de humor, chatas, feias e encalhadas, um deles inclusive teve a audácia de perguntar “Quem será a primeira dama que vai morar com ela no Palácio Alvorada?”. Será mesmo que são as feministas que não tem senso de humor, ou as pessoas que perderam completamente a noção de respeito? Só pra constar, o meu mal humor eu costumo chamar de senso crítico. Não tenho nada contra o humor, só não rio de piadas sem graça.
Me retorci resto do dia inconformada com tamanha agressão, à presidenta, às mulheres, e às feministas. Até quando nós mulheres vamos ter que carregar esses estigmas? Ouvir que política é coisa de homem, que a mulher tem ser meiga, delicada e sensível? Até quando fatores biológicos vão ser usados para justificar a diferença no plano político e no dos direitos? Que as características femininas específicas (absurdo!!!) a impedem de participar do mundo público, tendo esta como função a família e os filhos, que mulher que não tem filho não se realiza? (essa me dói).
Mas em uma campanha que se fez como base o machismo, o preconceito e a violência teve como paradoxo duas mulheres candidatas e uma delas eleita para ocupar o cargo mais alto do poder executivo. Fato este que é sim um avanço importante, e estou orgulhosa e feliz tanto por ter participado como principalmente contribuído nesse processo. E fica a mensagem, não basta elegermos mulheres, elas tem que nos representar, e Dilma me representa, é uma mulher que ao contrario do que dizem por aí, traz na bagagem toda uma história de luta e de coragem. E é essa sua coragem que vai servir de exemplo para as mulheres, para esquerda que acredita da democracia e no socialismo, e nos incentiva a continuar lutando, porque o caminho ainda é longo e dolorido, e temos muito o que conquistar, conquista que mesmo se cedida pela cultura patriarcal, será um premio da vitória da luta das mulheres, porque agora, nós também fazemos a história.
Carol Radd é graduada em Direito e em Filosofia, militante feminista. Este texto foi publicado no Blog mariamariamulheresemmovimento.blogspot.com
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Absurdamente - "Rodeio das Gordas"

"Os dois estudantes suspeitos de criar, difundir e incentivar o “rodeio de gordas”, que consistia em agarrar e montar em alunas obesas durante os jogos entre alunos da Unesp, no mês passado em Araraquara, no interior de São Paulo, foram ouvidos na manhã desta terça-feira (9) pela comissão que integra a sindicância da Universidade Estadual Paulista.
A diretoria da Faculdade de Ciências e Letras do Campus de Assis instaurou em 26 de outubro processo administrativo disciplinar contra os dois estudantes, também de Assis, após denúncias de bullying a universitárias consideradas acima do peso. Elas foram agredidas e humilhadas entre os dias 9 e 12 de outubro no Interunesp. Um aluno do curso de engenharia biotecnológica e um de ciências biológicas são citados pela Unesp suspeitos de criar a "brincadeira". [...]
Segundo relatos, no "rodeio das gordas", alunos se aproximavam das garotas fazendo perguntas, como se fossem paquerá-las. Depois, agarravam as garotas, de preferência obesas, e tentavam ficar sobre elas o máximo de tempo possível, como se estivessem em um rodeio. Ao menos 50 estudantes participaram do "jogo".
Os agressores usaram a comunidade no Orkut para incentivar que os estudantes cronometrassem o tempo que mantinham a garota presa e para sugerir premiações para quem ficasse mais tempo sobre a menina. Há relatos de que os estudantes gritavam, dizendo "pula, gorda bandida".[...]
Em nota, a Unesp informa que “decidiu instaurar processo disciplinar para que sejam tomadas as medidas cabíveis em relação a fatos que teriam envolvido membros de seu corpo discente em jogos organizados por entidades estudantis". "A medida será oficializada ainda nesta semana, com a colaboração da Assessoria Jurídica da Reitoria.”[...] A Unesp afirma ainda na mesma nota que “repudia práticas de desrespeito entre membros de sua comunidade [...]
No caso de uma eventual punição aos alunos, eles podem ser advertidos, suspensos ou até expulsos da instituição.
Ministério Público
[...]Procurada para comentar o assunto, a promotora Noemi Corrêa, informou por e-mail que o Ministério Público instaurou inquérito civil para apurar a responsabilidade da Unesp e da Liga Interunesp nos fatos. “A prática denominada Rodeio das Gordas caracteriza uma violação dos Direitos Humanos, ante o preconceito com relação às pessoas que não se enquadram no padrão de peso imposto pela mídia e pela sociedade”, disse a promotora.
Vítimas
A advogada Fernanda Nigro, da organização não-governamental de direitos humanos Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Sexualidade (Neps), que acompanha o caso, diz ter identificado duas alunas vítimas do “rodeio das gordas”. Uma é estudante do curso de letras e outra de psicologia no campus da Unesp em Assis.
“Elas estão com medo. Estou conversando com elas para elas falarem”, afirma Fernanda, que irá perguntar às universitárias se elas pretendem mover alguma ação por dano moral contra os agressores."
Matéria na íntegra( http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2010/11/alunos-suspeitos-de-criar-rodeio-das-gordas-sao-ouvidos-na-unesp.html)
Kléber Tomaz
G1 SP
Taiunesa dá festa para casar consigo mesma
Chen Wei-yi, 30 anos, virou sensação na internet depois que anunciou seus planos de "autocasamento" no mês passado. A cerimônia aconteceu no sábado, num hotel de Taipé, e contou com a presença de 30 parentes e amigos.
"Casar comigo mesma é uma forma de mostrar que sou confiante e que me aceito como eu sou", declarou Chen, que trabalha num escritório.
"Devemos nos amar antes de podermos amar os outros. Eu devo casar comigo antes de casar com alguém especial", acrescentou.
A iniciativa de Chen ganhou adeptos em sua página no Facebook.
As autoridades taiuanesas afirmaram que muitas mulheres agora preferem se casar mais tarde ou ficar solteira, o que faz com que os índices de nascimento da ilha sejam um dos menores do mundo.
Fonte: Yahoo Notícias (07/11/2010)
Foto: AFP
domingo, 7 de novembro de 2010
Imagine Eu e Você
Estúdio/Distrib.: Imagem Filmes
Direção: Ol Parker
Elenco: Piper Perabo, Lena Headey, Matthew Goode, Celia Imrie, Anthony Head e Darren Boyd
Sinopse:
O executivo Heck e a bela Rachel formam um jovem casal prestes a dizer sim, quando um encontro inesperado vira o mundo dela de cabeça para baixo. Não culpe a moça! E se você descobrisse que a pessoa que foi feita para passar o resto da vida ao seu lado, não é aquela que está com você? Uma história hilária com um pitada de encontros e desencontros, bem comuns aqueles que já se aproximaram à primeira vista. Imagine Eu e Você mostra que o caminho do amor nem sempre é aqueles que imaginamos. Mas é trocado de um jeito ou de outro.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Artigo: Gravidez indesejada
O artigo "Gravidez indesejada" é de autoria da secretária-geral adjunta do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Márcia Regina Machado Melaré.
Fonte: oab.org.br
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
500 anos esta noite
que bate à nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.
De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.
De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.
Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?
Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.
No continente de esporas de prata
e rebenque,
o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.
As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.
Dilma se aparta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.
(Pedro Tierra)
Brasília, 31 de outubro de 2010.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dilma, nossa presidentA!
Infelizmente, no Pará ganhou a eleição para o Governo do Estado o representante do projeto neoliberal do PSDB, Simão Jatene. Estaremos na luta para que não haja retirada de direitos, precarização de serviços públicos, nem privatizações.