quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não à MP 557/2011! Em defesa da vida das mulheres!

No dia 26/12/2011, o Ministério da Saúde publicou a Medida Provisória 557/2011, que institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna que prevê um cadastro universal das gestantes e puérperas buscando identificar as que estão com gestação de risco. Segundo o Ministério da Saúde essa iniciativa visa a responder a uma preocupação de que os municípios e Estados fortaleçam sua intervenção e garantam a realização de uma atenção eficaz e humanizada como parte do esforço de redução da mortalidade materna a níveis aceitáveis segundo a OMS. É conhecida a gravidade dos índices de mortalidade materna no Brasil, seu corte de classe e raça e, portanto, a urgência que uma Política Integral de Atenção à Saúde da Mulher priorize essa questão.

No entanto a edição desta MP levanta várias dúvidas quanto à sua adequação e se, de fato, é necessário criar esse tipo de mecanismo e, mais ainda, por meio de um dispositivo de Medida Provisória. Em primeiro lugar chama a atenção de maneira contundente o fato de que ela mexe na lei geral que organiza o sistema de saúde (Lei 8080 de 1990) para introduzir na legislação a questão dos direitos do nascituro. A introdução da idéia de direitos do nascituro tem sido, ao longo de várias décadas, uma questão central na disputa realizada pelos setores que buscam restringir os direitos das mulheres à autodeterminação e autonomia em relação à maternidade. Um debate que se contrapõe não apenas ao movimento de mulheres, mas a todos os setores progressistas que reconhecem a importância de se resguardar e reafirmar o direito das mulheres frente às tentativas constantes de introduzir esta contraposição no ordenamento legal brasileiro.

Não é pouco lembrar que, até agora, o marco principal é a Constituição brasileira onde prevaleceu o direito à vida desde o nascimento e os direitos das mulheres enquanto gestantes, recusando-se essa noção movida principalmente por influências religiosas conservadoras. O mais preocupante, portanto, é que a MP 557/2011, introduz a figura do nascituro como portador de direitos, quando é fato que esse não existe fora do corpo da gestante.

O fato é que esses setores retrógrados não conseguiram introduzir essa questão na legislação no Brasil até o momento, ainda que nos últimos anos tenha se acirrado a pressão para se definir os direitos das pessoas, e neste caso em especial das mulheres pela ótica de ideologias religiosas conservadoras. É inaceitável que isso seja realizado pelo Ministério da Saúde e a partir de uma questão tão sensível como propostas de redução da mortalidade materna. Com isso, o Ministério assume a linguagem dos setores reacionários, o que é inadmissível, e retrocede no processo de acúmulo que o SUS representa em termos de uma concepção de saúde vinculada ao pleno exercício de direitos.

Evidentemente o caráter persecutório da MP torna-se mais forte pelo fato de que no Brasil as mulheres são criminalizadas pela realização do aborto. Nos últimos anos há uma ofensiva conservadora e aumento da perseguição e criminalização das mulheres, inclusive com a interdição policial de clínicas, com a utilização de prontuários e registros das usuárias. As mulheres não podem exercer sua autonomia diante de uma gravidez indesejada e ficam expostas a riscos para sua saúde, sua integridade física e liberdade.

É evidente que o cadastro proposto é universal e compulsório, como se pode ler no texto da MP. Se é possível tomar medidas para que isso não seja utilizado como mais um instrumento de restrição de liberdade das mulheres em sua vida reprodutiva, os argumentos do Ministério da Saúde de que “universal” não se confunde com “compulsório” só faz sentido se isso corresponde a uma sugestão do Ministério de que as mulheres não procurem os serviços de saúde! Aliás, todas nós esperamos e queremos um atendimento integral à saúde das mulheres e que todas possam estar inscritas no sistema de saúde. O que torna, portanto, mais estranha e incompreensível a necessidade de tal cadastro específico de gestantes, mesmo considerando a problemática da mortalidade materna.

Desde o início da gestão, tem prevalecido nas ações do Ministério da Saúde uma perspectiva conservadora que não leva em consideração a saúde integral das mulheres e está centrada fundamentalmente no aspecto materno infantil. Nesse sentido a MP é uma continuidade da rede cegonha e de uma visão redutora do papel das mulheres como mães e reprodutoras.

Também chama a atenção a introdução da proposta de um Comitê Gestor Nacional sem qualquer participação da sociedade civil, e principalmente de Comissões de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento de Gestantes e Puérpuras de Risco quando na realidade já existe no sistema de saúde, com participação dos movimentos e da sociedade civil, os Comitês de Morbi-Mortalidade Materna, fruto da luta e reivindicação dos setores organizados como parte de toda uma luta dos movimentos sociais por um sistema de saúde público e com controle social. A proposta não segue o acúmulo do SUS, prevendo em sua composição apenas a participação de profissionais e gestores, e desconhece o papel do movimento organizado nesses instrumentos.

Finalmente, o enfrentamento da mortalidade materna exige enfrentar a terceira causa de mortalidade materna que é o abortamento inseguro. É amplamente conhecido que isso só será possível se for respeitada a autonomia das mulheres e o aborto diante de uma gravidez indesejada for parte da política de saúde pública.

É obrigação do Ministério da Saúde ter políticas de atenção à maternidade que busquem reduzir a morbi-mortalidade materna e para isso é necessário qualificar a assistência e garantir o acesso e acolhimento nas unidades e hospitais, tanto na regulamentação para o atendimento privado como nos serviços sob responsabilidade da rede SUS. Nesse sentido a o benefício de R$50,00 terá um papel importante para o deslocamento daquelas que têm dificuldade financeiras. Sua eficácia, entretanto, depende da existência de outras políticas sociais associadas. Mas, mais uma vez, não é isso o que justifica a edição desta medida provisória.

É urgente que o Ministério da Saúde retire essa MP e articule suas ações para redução da mortalidade materna em acordo com mecanismos e as diretrizes já previstos no SUS e nas Conferencias Nacionais de Saúde.

Por isto, nós, da Marcha Mundial das Mulheres, exigimos:

• Que o Ministério da Saúde retire a MP 577/2011 no sentido de garantir a integralidade da saúde da mulher em consonância com seus direitos e garantias individuais;

• Que o Ministério da Saúde retome o debate sobre os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e que o governo reafirme a autonomia política das ações condizentes com os princípios do Estado Laico, tomando medidas sem se curvar para conservadorismos ou morais religiosas;

• Um compromisso explícito do governo de impedir todas as ações de retirada de direito das mulheres nas políticas públicas;

• Que o Ministério da Saúde e o governo federal em conjunto com a sociedade civil enfrentem o debate do aborto inseguro e a necessidade de políticas de atendimento às mulheres que decidem interromper uma gravidez indesejada e, portanto, que o aborto seja descriminalizado e legalizado.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

BomBril patrocinadora oficial do Futebol Feminino?


*Por Caroline Bernardo

Para quem não sabe o Brasil ontem venceu a Dinamarca na final do Torneio Internacional da Cidade de São Paulo (Futebol feminino). Como destaque inenarrável Erika é eleita a melhor jogadora da final e do torneio. Isso para nos não seria novidade, o Brasil vencer no futebol feminino, ainda mais depois do fenômeno Marta.

Como patrocinadora do torneio esta a Bombril, aquele empresa que é conhecida pela venda de palha de aço, e pelos comercias: que seus produtos evoluíram com as mulheres. Bom, este texto é mais um protesto da forma machista e até mesmo ridícula que a sociedade encara as mulheres.

O futebol feminino que no Mundo, e no Brasil não seria diferente, e é tão estigmatizado e tão desprestigiado. Apesar de isso estar mudando nos últimos tempos, devido ao inegável talento das jogadoras. Mas, mesmo assim, continua não tendo espaço, continua sendo colocado como inferior etc etc etc.

Para reforçar tudo isso, a patrocinadora oficial deste torneio, por exemplo, é a Bombril. Não é nem uma marca de esporte conhecida, como no futebol masculino, ou outras tantas marcas importantes. É uma marca que vende produtos de limpeza em sua maioria, que todos e todas conhecemos pela pratica de reafirmação do machismo em suas propagandas, colocando que o papel da mulher é sempre o do cuidado da casa, que mesmo que ela cumpra outras tarefas na sociedade ela é a mulher 1000, que precisa de produtos de limpeza rápidos para cuidar do lar, subjugando nos mulheres e colocando a tarefa da limpeza e do cuidado sobe nossa responsabilidade.

Mais machista ainda é a Bombril entregar para Erika, a melhor jogadora do torneio e da final, uma cesta de limpeza e cosméticos, dizendo que aquela jogadora brilhou e que as mulheres brilham no futebol feminino. Me peguei pensando se assessoria de marketing da empresa aconselhou a repetir tantas vezes a palavra brilha em uma alusão e palha de aço Bombril.

Acho que é necessário fazermos o ataque a este tipo de pratica, as redes sociais neste tipo de caso tem se mostrado importante instrumento na luta por uma sociedade mais igualitária.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres !!!

*Caroline Bernardo é militante da Marcha Mundial das Mulheres, estudante de Direito, fotografa e estudante de web design http://carolinebernardo.blogspot.com/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Formação Amanhã!

Oficina sobre a Reforma Política, a participação das mulheres e as políticas para mulheres no Pará.

Data: 10/12/11
Horário: 14 h
Local: Sindicato dos bancários.






Aguardamos todas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Diálogos Feministas

Com: Isabela do Lago e Mariah Torres Aleixo*


No Lago – Olha, cabôca, finalmente deu tudo certo com mocinha lá na Santa Casa, ela fez o procedimento, tá um pouco fraquinha, mas passa bem, voltou pra casa dela, espero que aquele um “amigo” não a procure, porque de todo o aparato que chamam de aquelas coisas... “o Estado defende” ninguém ofereceu segurança pra ela, não.

Entre as Torres e o Aleixo - As delegacias da mulher, as casas-abrigo, os centros de acolhimento, a Lei Maria da Penha, bem como as promotorias de violência doméstica e setores especializados em violência contra a mulher em defensorias públicas, são conquistas dos movimentos de mulheres/feministas.

Essas vitórias decorrem de anos de uma luta que, entre outras palavras de ordem, tinha como lema “o pessoal é político”, ou seja, a esfera privada e a família são lugares onde fluem relações (desiguais) de poder, a sociedade e o Estado, devem olhar para isso, a fim de ajudar na instauração do paradigma da igualdade. Para tanto, durante muitos anos – e ainda hoje, com menor intensidade – foi estratégia feminista denunciar os casos de violência contra a mulher que, ou eram abafados como “problema de família”, ou tinham seus algozes absolvidos pelo argumento da “legítima defesa da honra.”

Além disso, as mulheres, na falta de políticas públicas, começaram a criar redes próprias para amparar aquelas em situação de violência. Nesse contexto, ficaram conhecidos os SOS –Mulher, principalmente o de São Paulo, que nada mais eram que a aglutinação de movimentos feministas, que captavam ( poucos) recursos públicos, criando um centro que recebia/acolhia mulheres que estavam sofrendo violência. Porém, tais centros funcionaram durante poucos anos, e devido a diversos problemas (com o financiamento e com os movimentos), fecharam as portas.

No Lago – Sim senhora, não descordo a merecendência do movimento social feminista, e esta é uma luta que ainda não acabou, mas quero mesmo é te contar, que na situação da dona coisinha lá (que eu não posso caguetar o nome), tudo se resolveu depois de imprensarem a moça contra parede umas tantas vezes durante a madrugada de internação, rolou a maior desconfiança, mana: off course que a moça tava só & zinha, e neste caso eu também. Explico: Tu te lembras, Aleixo, que noutro dia eu mesmíssima, tu, mais aquelazinha Luana, a Leila e um montão de mulheres fomos lá na Avenida Presidente Vargas? (vê, nome inglório pra uma rua tão importante que abrigou nossa Marcha das Vadias, tá vendo? Vai anotando aí!). Isso é movimento social feminista, né? Pois é, como eu tava só com minha filha de 4 aninhos, não podia acompanha-la no hospital, mana, eu fiquei doida, procurei essas mulheres que fizeram uma linda passeata, e todas estavam ocupadas(numa sexta-feira a noite, né), teve gente até que se justificou pra mim com a tala da desconfiança se era ou não real a conversa da companheira, e teve gente que conseguiu me dizer que não achava legal ir porque era um assunto particular dela. Ah, eu falo é mesmo!!! E olha que o caso foi estupro, baby.

Entre as Torres e o Aleixo - A professora Maria Filomena Gregori, no seu famoso estudo Cenas e Queixas – um estudo sobre mulheres, relações violentas e a prática feminista, pôde acompanhar os atendimentos feitos no SOS- Mulher de São Paulo até a sua reunião final e identificou, entre outras coisas, que o medo de parecerem, nas palavras das militantes, “assistencialistas”, fazia com que não amparassem devidamente muitas mulheres que procuravam ajuda. Segundo Gregori, o que parecia ser mais importante para as feministas do SOS- Mulher paulista era que as mulheres “tomassem consciência de sua opressão” e com isso saíssem das relações violentas nas quais estavam inseridas.

Ora, o que a vida real mostrou era que nem todas estavam dispostas a lutar por igualdade, a se tornarem feministas e romperem com uma série de barreiras e estereótipos colocados às mulheres: queriam apenas parar de sofrer violência. Para isso, infelizmente, as feministas não estavam ajudando tanto, de acordo com as reflexões de Gregori.

No Lago – Repito, foi estupro. E nem feministas de carteirinha, nem redes de contato in_formal, nem polícia, nem Maria do Pará, nem a família. NINGUÉM!!! Mas tá bem, continue...

Entre as Torres e o Aleixo - Após o “período dos SOS” o que se viu foi boa parte do movimento feminista saindo das ruas e indo formular/influenciar políticas púbicas. A tática parece render frutos até os dias atuais, uma vez que a Lei Maria da Penha fez cinco anos de vigência há poucos meses. No estado do Pará, por exemplo, há dez delegacias da mulher, há o Centro Maria do Pará, responsável por oferecer apoio psicológico, pedagógico e jurídico às mulheres em situação de violência e é presente em mais quatro municípios além da capital.

No Lago – Aqui fala alguém que trabalhou no Maria do Pará, aliás, alguém, parte da equipe que inaugurou o primeiro ano de trabalho naquela casa, no nosso tempo, não tinha verba pra pirotecnias vanglorísticas, mas a gente nunca deixou nenhuma mulher se lascar sozinha, antes pelo contrário...

Entre as Torres e o Aleixo - Poderiam ser listadas muitas outras políticas, mas o que importa é que o fato de elas existirem e serem executadas mostra que o Estado e, por conseguinte, a sociedade, reconheceram que a violência contra a mulher é um problema sério, que atinge a dignidade de todas nós e deve ser resolvido. Ou seja, é uma vitória das mulheres!

No Lago - Esta vitória conseguida após mais de 100 anos de feminismo, mas vamos refletir, vem sendo descartada por pessoas reais, pelas próprias mulheres. Que nos momentos mais críticos, esquecem que existe vida além da institucionalidade. O caso Mulher x Institucionalização feminista é mais grave do que os maus tratos e o descaso nas DEAMs, Abrigos e Centros de Referência (falo mesmo do Maria do Pará – Belém), ainda há a problemática falta de conhecimento de todos e todas pela causa. Estamos vivenciando um maldito revés, onde a mulher que sofre violência é, antes de tudo criminalizada, além de vivenciar estupro, tem de passar por traumas quando procura ajuda, tanto quando vai denunciar procurando seus direitos, quanto quando procura sua rede de contatos in_formais (amigas, familiares e tal, e tal...). É nesse momento que se estabelece um diabo de caos. Na vida prática, maninha, a Escolástica é uma vasilha de nada com nada dentro. E eu sei bem de onde é que vem tudo isso.

Entre as Torres e o Aleixo - Porém, o medo do “assistencialismo” ainda parece rondar a prática de muitos movimentos e mulheres feministas. Para estes, o essencial ainda é esclarecer as mulheres quanto a sua opressão, depois disso “tá tudo resolvido.” Porém, acredita-se aqui que as duas vias são importantes, afinal, garantir a dignidade das mulheres não é lutar pela igualdade? Não é ser feminista?

No Lago – É sim, mas dá pra socorrer a pessoa que tá em situação de alto risco, de preferência antes que ela morra? Dá pra acreditar em transgressões, sejam elas individuais ou coletivas, que não venham acompanhadas de alguma ternura?

Entre as Torres e o Aleixo - Por isso, precisamos estar unidas sempre, manter uma rede de mulheres aptas a ajudar umas as outras. As políticas públicas e tudo o que foi institucionalizado para dar cabo da violência é importante, executa ações, mas pode falhar. Ou nem mesmo isso. Por ser aparato do Estado muitas vezes não dispõe de companhia, ombro, colo, que é o que uma companheira pode dar à outra, quando se passa por situações que nós mulheres sabemos o quanto são difíceis. Caso o sistema falhe, onde estarão as companheiras para estender a mão?

No Lago – Era justamente aí que eu queria chegar, Aleixo, aliás até te agradeço o apoio que você nos deu. Y en nombre de este amor, que eu costumo confundir amor e solidariedade nessas horas (tenha paciência comigo, sou artista), saiba que aos 40 minutos do segundo tempo, quem me ofereceu a mão foram duas comparsas de minha escola de Direito feminino, Ediane Jorge (que segurou minha filha pra eu poder entrar no hospital) e Jureuda Guerra que, já no domingo estava de plantão lá??? (e olha que a história todinha começou desde a segunda feira). Viu, existe vida, existem seres humanos em sofrimento para além de toda a institucionalidade. Ora veja só você, se tem lá alguma graça, a gente querer revolucionar anos e anos de machismo-cristão-ditadura política sem se envolver pessoalmente com as causas, então agora o papel é só do Estado, ah, que se foda esse mundo burocrata eu quero é ter confiança na companheirada toda!

Entre as Torres e o Aleixo - Ao que parece, precisamos de uma espécie de “SOS- Mulher em rede”, formado por mulheres prontas para ajudar as outras, independente da existência de delegacias ou quaisquer centros. As discriminações que sofremos quando passamos por situações de violência nenhuma lei ou política consegue fazer acabar. São essas discriminações/ preconceitos que nos impedem, por exemplo, de ir à delegacia fazer ocorrência, mesmo quando ela existe (e que bom que ela existe!). Sempre vejo nos cartazes que “o feminismo é a idéia radical de que as mulheres são gente.” Vamos colocá-la em prática!

No Lago – Agora você falou & disse uma fala bem bonita, mas eu não vou te deixar encerrar a conversa assim não. Por falar em “prática’” Baby, vamos repensar a prática do nosso olhar, é que vivemos o inferno dum olhar alheio que traz a imutabilidade e a perda de liberdade do existir e, consequente-mente, do ser (!!!) há muitos olhares sobre a Amazônia. Há muitos olhares sobre a mulher amazônida, como se esta fosse incapaz de expressar ou compreender seus sentimentos y ninguém discute a inter_ferência branca(e ponha ferência nisso!) na nossa cultura cotidiana, isso vai dar mangas nos nossos panos, aviso: aqui onde o modelo de “progresso” implantado com a colonização branca até hoje trai a confiança de meninos e meninas, ofende e humilha a honra de homens e mulheres.

Escuta aqui, somos campeões brasileiros no ranking da violação de direitos humanos, as pessoas precisam parar de fingir que com as políticas públicas já está tudo bem, aqui em Belém, nessa uma cidade – cortina cenográfica localizada em frente ao rio-mar, de banda pra favelização das comunidades rurais e ribeirinhas e cada vez mais distante das matas onde vivem os deuses da natureza que deveriam nos proteger (canta pra chamar teus ancestrais, gatinha, e ouve, eles vão te dar a maior pressão).

Então, minha nêga se este tal de povo que pensa que tudo é política não começar a pensar que existe cultura, e que quando se fala em cultura não dá pra pensar em bom e mau, certo e errado, ou feio e bonito, nunca vamos poder contar com nadica de nada. A luta corre o risco de andar sempre pra trás mesmo. Bora adicionar coisas às coisas todas, pra mexer, pra balançar e ler cartazes dizendo “O feminismo amazônida é a idéia radical de que as icamiabas são gente, porra!!”

Entre as Torres e o Aleixo – É assim que se fala, maninha!


*Mariah Aleixo é estudante de Direito e militante da MMM/PA e Isabela do Lago é Artista, Cineclubista e Feminista, claro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Afegã presa por ter sido estuprada obtém perdão judicial.



Por Jan Harvey - Reuters

O Afeganistão concedeu perdão judicial a uma mulher que foi presa por adultério depois de ser estuprada por um familiar, disse nota da presidência afegão, num caso que ilustra a precária situação dos direitos femininos no país.
Não ficou claro se a moça, de 21 anos, conhecida como Gulnaz, continua tendo a intenção de se casar com o estuprador, que é marido de uma prima dela. O casamento havia anteriormente sido apresentado como alternativa à pena prisão, e ela inicialmente aceitou.
Mas a advogada de Gulnaz disse que o perdão não depende mais de ela aceitar o casamento com o estuprador, que está cumprindo pena de sete anos de prisão pelo crime.
O perdão presidencial, divulgado na noite de quinta-feira, é raro nesse país muçulmano fortemente conservador. O caso de Gulnaz atraiu a atenção internacional porque ela participou de um documentário encomendado pela União Europeia, mas que permaneceu inédito a pedido de diplomatas europeus em Cabul, temerosos de que as mulheres retratadas sofressem represálias.
Kimberley Motley, advogada norte-americana que defende Gulnaz, espera que sua cliente seja libertada em breve e vá para um abrigo feminino. A advogada disse que está tentando descobrir se o estuprador também será solto caso o casamento se realize.
Gulnaz solicitou nesta semana o perdão do presidente Hamid Karzai, e a nota do palácio disse que uma comissão de juristas foi favorável.
A moça foi inicialmente sentenciada a dois anos de prisão por "adultério à força". Em segunda instância, a pena subiu para 12 anos. Num terceiro recurso, caiu para três anos, e a exigência de que ela se casasse com o estuprador foi retirada.
Gulnaz engravidou em decorrência do ataque, e sua filha nasceu há quase um ano na penitenciária feminina da Badam Bagh.
Motley disse que o caso criou uma jurisprudência que pode levar à libertação de outras mulheres com base na Lei de Eliminação da Violência contra as Mulheres. "Entendo que, hoje, o Judiciário está também revendo os prontuários de outras mulheres em Badam Bagh", disse a advogada.
O palácio presidencial não comentou se há outros casos sendo avaliados.
(Reportagem de Jan Harvey e Emma Graham-Harrison) 

Penúltimo sábado de Formação da MMM (Módulo I)


Você vai participar?

Data: 03/12/11 (amanhã)
Horário: 9h às 12h
Tema: "Economia Solidária para a construção de uma Economia Feminista"

Local: Sindicato dos Bancários (Rua 28 de setembro, entre Quintino Bocaiúva e Doca de Souza Franco)

Não falte!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher


Atividades:

25/11/11, às 11h, no prédio do Vadião na UFPA.
27/11/11, às 8h30, em frente ao Teatro da Paz na Praça da República.

Distribuiremos laços brancos e falaremos NÃO a todas as formas de violência contra a mulher. Participe!!!



*Por Lorena Abrahão

25 de novembro é a data que há 30 anos marca a luta contra a violência sofrida por mulheres. Inicialmente chamado como Dia Latino americano e caribenho de LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA À MULHER quando surgiu no I Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, em 1981. Essa data foi escolhida para homenagear as irmãs Mirabal (Minerva, Pátria e Maria), da República Dominicana, que foram estupidamente torturadas e assassinadas durante a ditadura Trujillo (1960).

A Marcha Mundial das Mulheres no Pará terá atividade em parceria com professoras e alunas dos Institutos Jurídicos e de Saúde da Universidade Federal do Pará. Ocorrerá a distribuição de laços brancos, símbolo do cuidado e paz para mulheres vítimas de violência para marcar o 25 de novembro.

O cerne deste cárcere que é este tipo de violência está no machismo sustentado por uma sociedade capitalista, conservadora e patriarcal que prima pelo controle da vida, dos corpos e da sexualidade da mulher; e ao mesmo tempo, reafirma a suposta essência de subordinação das mulheres. Muitos desses crimes são romantizados pela mídia e a sociedade reconstrói com seu senso-comum, a idéia cruel de responsabilizar as mulheres pelos crimes que na verdade foram as vítimas.

Há um dado relevante na pesquisa realizada pela Subsecretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado Federal (2005) com os dados do Disque-denúncia (nº 180): entre as mulheres agredidas, 71% foram vítimas mais de uma vez e 50% quatro vezes ou mais, o responsável por essa agressão em 65% dos casos é o marido ou companheiro. Aqui merece o destaque para o quanto a autonomia financeira das mulheres influencia na sua decisão de dizer um “BASTA” à violência física e psicológica.

Especificamente, no Pará, as políticas públicas em combate a estas agressões ainda são muito tímidas e pouco eficazes. Apesar das delegacias das mulheres, a violência contra a mulher, no geral, ainda não é tratada com um recorte de gênero. Enquanto o machismo não for visto e tratado como opressor e violento, não teremos uma sociedade em que todas as mulheres possam ter direito sobre seus corpos e suas vidas.

A violência contra as mulheres é realidade na vida de milhões de brasileiras e é uma violência sexista, a qual precisa da alteração de padrões e comportamentos que permitam uma sociedade igualitária em que mulheres e homens gozem dos mesmos direitos e oportunidades.

A Marcha Mundial das Mulheres repudia todas as formas de opressão e violência. Continuaremos a seguir em marcha até que todas sejamos livres!


*Lorena Abrahão é militante da MMM desde 2008, graduanda em Letras pela UFPA e é colaboradora do movimento sindical das trabalhadoras e trabalhadores bancários do Pará.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SÁBADO: reunião e formação!!!

# Lembram que neste sábado (19/11) teremos formação?


# Lembram também que marcamos reunião para o mesmo dia devido às nossas agendas?


# Pois então, aguardamos todas no próximo sábado, a partir das 14h (14h mesmo!)!!!






# Onde? Lá no Sindicato dos Bancários (Rua 28 de setembro, 1210 - pertinho da Doca)




- No próximo post colocaremos a pauta da reunião e os detalhes da formação.

domingo, 6 de novembro de 2011

Oficina de Movimentos Sociais e o Recurso ao Direito Penal!

O Grupo de Estudos e Pesquisas “DIREITO PENAL E DEMOCRACIA” da UFPA, convida para a oficina: MOVIMENTOS SOCIAIS E O RECURSO AO DIREITO PENAL, a ser realizada com a Profa. Luanna Tomaz de Souza, advogada, mestre em direito e professora da UFPA (e militante da MMM) e Diogo de Souza Monteiro, presidente da comissão da diversidade sexual da OAB.


Quando? 
Dia 22/11 (às 17h).
Onde?
 Auditório Ary Brandão ( Bloco LP-altos).
Quanto?
Não paga nada, inscrições gratuitas no dia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011



Queremos desejar boa viagem à marchante Bianca Maués que irá representar o Pará na reunião de coordenação nacional da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo.


Boa viagem, bons estudos, debates e muita responsabilidade no planejamento!


Aproveitamos também para saudar todas as militantes da MMM que estarão presente no encontro!!!




Recado aos navegantes:
Continuaremos a seguir em Marcha até que todas sejamos Livres.

Sábado terá formação? Terá sim senhoras!



♫Pra mudar a sociedade do jeito que a gente quer, participando sem medo de ser mulher♫


No próximo sábado, 5 de novembro, das 9h às 12h, realizaremos o 6º sábado de Formação Feminista da MMM lá no Sindicato dos Bancários do Pará (Rua 28 de setembro, 1210, bem pertinho da Doca). Já que o acesso ao Blog está cada vez mais diversificado, para situá-los, escrevemos de Belém do Pará. 


Tema: Reforma Política e a Participação das Mulheres.


Por que o tema?
Precisamos discutir o por quê de mais mulheres nos poderes representar mais democracia! 


Já fez sua inscrição?
Tá aqui o link http://mulheresemmarcha.blogspot.com/2011/08/ficha-de-inscricao-da-formacao-mmmpa.html





quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Financiamento colaborativo, contribuir para fortalecer!




Companheiras,

muitas nos escreveram pedindo mais informações sobre o financiamento colaborativo para garantir a participação do Brasil no Encontro Internacional da MMM.

Aqui vão algumas respostas que nos ajudam a dialogar com parceiras/os que podem contribuir com doações.

1. Esse site é confiável? - O “Catarse” é um site que apresenta projetos criativos para serem financiados através da internet. É a primeira plataforma deste tipo no Brasil, é um site seguro e existe um processo de seleção dos projetos. Por isso, os projetos do Catarse são coletivos, devem ter algum produto criativo e que possa ser compartilhado com quem doou e pela internet. A proposta de oferecer recompensas para as pessoas que financiam os projetos serve tanto para estimular a colaboração, como para compartilhar os resultados do projeto. Alguns exemplos de projetos que passaram pelo Catarse: revista OCAS, projetos da Casa de Cultura Digital, Catraca Livre, peças de teatro, entre outros.

2. Como doar? É seguro?- As pessoas ou entidades podem doar a partir de seu perfil em redes sociais como twitter, orkut, facebook, e-mail do yahoo ou do google. Uma dica para as companheiras que não tenham perfil nestas redes sociais é que recolham o dinheiro e façam uma única doação a partir de uma companheira que tenha. As doações podem ser identificadas ou anonimas. As doações podem ser feitas via cartão de crédito, boleto bancário ou débito em conta corrente. O pagamento é através do MoIP – um site de pagamento seguro pela internet.

3. E se não alcançar o valor total? - Os projetos tem um prazo para a doação. Caso o valor total não seja alcançado neste prazo, todas as pessoas que doaram recebem de volta sua doação. Assim, os projetos só recebem o financiamento se alcançarem o total do valor indicado dentro do prazo.

Nós ainda precisamos de mais da metade do valor, e temos apenas 8 dias.

[...]

O link direto para nosso projeto é esse aqui ---> http://catarse.me/pt/projects/366-feminismo-no-mundo

Saudações feministas

Marcha Mundial das Mulheres

domingo, 9 de outubro de 2011

Consumo e sexismo no dia das crianças


*Por Raíza Wallace Guimarães da Rocha

Esse seria um excelente dia para os pais passarem mais tempo com seus filhos e filhas, brincando e ensinando a importância de viver coisas típicas da infância. E não incentivando a ser adultos mirins, sexistas e consumistas compulsivos.

Como estudante de Terapia Ocupacional, reconheço a importância do brincar para o desenvolvimento sócio psicomotor da criança. Porque sei que é através do brincar que ela vai desenvolvendo habilidades motoras, sensoriais, cognitivas, SOCIAL e emocional. E por isso acho essencial que tenhamos cuidado com os brinquedos que damos a essas crianças.

Você já reparou se os brinquedos que você está comprando não estão impondo padrões
comportamentais sexistas?

Você dá bonecas, joguinho de panela, Barbie, fogãozinho, batedeira, bebezinhos, para as meninas. E os caminhões, carros, bola, monstros, para os meninos. E depois nem desconfia o motivo pelo qual sua filha cresce achando que nasceu pra ser mãe, que fazer os serviços domésticos é uma responsabilidade somente sua, que precisa investir em sua 'beleza', só por ter nascido mulher.
Enquanto seu filho acha que precisa gostar de futebol, odiar rosa, ser o motorista (sim, porque mulher no volante é perigo constante, não?), não pode gostar de bonecas e nem fazer trabalhos domésticos.

As propagandas de brinquedos direcionadas às crianças incentivam um consumo desacerbado e esteriótipos retrógrados. As meninas querem ser princesinhas, que usam salto alto, maquiagem, não brincam de correr, possuem um celular, precisam ser magras e ter cabelo liso como a Barbie (ou seja, a menina que é negra, gorda e tem o cabelo afro, se rejeita e é rejeitada... Não é a toa que vemos milhares de meninas alisando o cabelo e fazendo dietas malucas para sentirem-se 'bonitas'). Já os meninos querem jogar video-game, futebol, jogos bélicos,etc. A ideia de poder, força e vitória é direcionada a eles, enquanto que maternidade, sonhos e beleza estética são predominantes em anúncios para meninas.

As crianças almejam ser como as das propagandas, tanto no aspecto estético, quanto no fato de terem todos os brinquedos à sua disposição e refeições à base de fast-food (imagina o impacto disso para uma criança pobre?). É aí que surge uma lógica consumista que modela as relações da criança consigo e com o mundo. Então inicia-se a assimilação de que a felicidade está associada ao consumo e uma falsa necessidade.

Precisamos contestar esses hábitos sexistas, que são resultados de uma manipulação silenciosa. Não compre produtos com propagandas sexistas ou que estimule isso. Não incentive o consumo desacerbado. Será que essa criança realmente precisa de brinquedos novos?

Até quando você transformará o brincar, que deve ser uma experiência emancipatória, em uma prática nociva e reprodutora de esteriótipos e padrões sociais? Precisamos refletir sobre os impactos disso na condição da mulher, na representação das relações no interior da família, nos sonhos e relações sociais ou continuar com essa venda nos olhos achando que o machismo e sexismo são coisas inatas."

* É estudante de Terapia Ocupacional, militante da Marcha Mundial das Mulheres e do Coletivo Feminista Conceição Evaristo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Carta de apoio a SPM pela suspensão da propaganda da HOPE

Carta de apoio a SPM

Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, expressamos nosso apoio à Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SPM), especialmente à Ministra Iriny Lopes, pela posição firme, destemida e comprometida com a construção da igualdade entre homens e mulheres.

A contestação e pedido de suspensão junto ao CONAR da propaganda da Hope foi uma medida assertiva por parte desta Secretaria. A construção da SPM e SEPPIR, ainda no governo Lula, afirmou o avanço na compreensão de que o combate às desigualdades de gênero e raça é obrigação do Estado.

A SPM tem se destacado na construção de políticas de igualdade desde o enfrentamento à violência contra a mulher e, neste momento, aponta como prioridade a construção de autonomia econômica e pessoal das mulheres. De nada adianta construir políticas de igualdade de um lado e não atuar para que alterar os mecanismos que mantém e reproduzem a desigualdade na sociedade. Portanto, é parte das políticas de igualdade atuar para que os estereótipos e preconceitos não sejam reproduzidos.

A propaganda em questão reforça um estereótipo discriminatório com relação as mulheres: reproduz a idéia da mulher consumidora exacerbada e irresponsável, quando, na realidade, estudos demonstram que as mulheres aplicam o dinheiro com mais responsabilidade. Não é a toa que o próprio governo usou este dado como critério para o programa Bolsa Família, em que as mulheres compõem a grande maioria de titulares.

Esta propaganda difunde o mito de que os homens são os únicos provedores e que toda mulher tem um provedor ao seu lado arcando com as despesas. Reproduz, assim, um modelo que não condiz com a realidade brasileira, já que cerca de 35% das famílias são chefiadas por mulheres, sem contar as que compartilham as despesas, mesmo com todas as desigualdades ainda existente no mundo do trabalho.

Além disso, a propaganda é preconceituosa ao insistir no jargão de que as não sabem dirigir, sendo que hoje os seguros de carros são mais baratos para as mulheres, baseado no fato de que as mulheres se envolvem em menos acidentes no trânsito. Por fim, a propaganda é pouco criativa ao reproduzir e incentivar a idéia de mulher objeto, incapaz de ter outras soluções para enfrentar os problemas cotidianos.

Repudiamos a grande imprensa, burguesa e medíocre, pois toda vez que os conteúdos preconceituosos e as injustiças propagandeadas são questionados, eles tentam fazer crer que se está impedindo a liberdade de expressão.

Seguimos em luta todos os dias, contra todas as tentativas de transformar as mulheres em mercadoria!

Toda a nossa solidariedade a Secretaria Políticas para as Mulheres!

Marcha Mundial das Mulheres