terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ex-médica acusada de realizar abortos é encontrada morta em MS

Foto: Fernanda Monteiro.

A anestesiologista Neide Mota Machado foi encontrada morta no dia 29 de novembro, em Campo Grande (MS). A ex-médica foi acusada de realizar 10 mil abortos em sua Clínica Médica, durante os 20 anos de existência do estabelecimento. Ela estava com uma seringa hipodérmica em uma das mãos, dentro de um carro. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de homicídio. Ela iria à júri popular para responder por 25 abortos, pois na maioria dos casos não localizaram as pacientes e havia vencido o prazo para os procedimentos judiciais.

Uma verdadeira ofensiva conservadora foi iniciada em 2008, na tentativa de criminalizar ainda mais as mulheres que praticaram aborto, a partir do caso de MS, culminando na criação da
CPI do aborto clandestino. Esta CPI, se implementada, atingirá especialmente as mulheres da classe trabalhadora, em especial as mais pobres e vulneráveis, grupo no qual se encontra grande parte da população afro descendente.

As mulheres também partiram na defesa desta bandeira e organizaram a Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, da qual participam a Marcha Mundial das Mulheres, a UNE, a CUT, as Católicas pelo Direito de Decidir, a AMB, dentre outros movimentos mistos e feministas.
Dias 06 e 07 de dezembro ocorrerá a assembléia da Frente, em São Paulo. Todos e todas que lutam contra a opressão das mulheres podem participar.

Nenhuma Mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito aborto!
Dignidade, autonomia e cidadania para as mulheres!
Pela Não criminalização das mulheres e pela legalização do aborto!

4 comentários:

Brenda disse...

Qual a diferença entre um indivíduo que mata um desconhecido e a prática do aborto? Nenhuma!!
A verdade é que em ambos os casos os seres não tiveram chance de escolha, tendo suas vidas perdidas.
Parece uma boba comparação, entretanto se deve considerar que o indivíduo que está dentro da mulher já é uma outa vida, uma nova vida, o que mostra que o argumento de "a mulher tem direito sobre seu corpo" é sem fundamento. A mulher tem sim total direito sobre seu corpo, sendo livre para fazer tatuagens ou colocar piercings, por exemplo; mas considerar que, assim como uma orelha ou o cabelo, o embrião também seja parte do corpo da mulher é não ter o mínimo de conhecimento de embriologia!!! Legalizar o aborto tornará essa prática, a curtíssimo prazo, um método anticoncepcional!!!!

Mulheres em Marcha disse...

Olá Brenda,
O debate do conceito do que é ou não vida sempre vai depender das crenças pessoais. Para nós, é importante entender a vida de uma maneira mais ampla que apenas biologicamente, ou seja, considerando as relações socias que estabelecemos.
A maioria das mulheres que recorrem ao aborto possuem outros filhos que delas dependem (dados UNB/2008). Além disso, não podemos desconsiderar que no Brasil mais de 1 milhão de abortos é realizado anualmente, acarretando a morte de muitas dessas mulheres.

Defendemos que o aborto seja legal com limite de 20 semanas para caso de estupro e risco de vida para a mãe e de 12 semanas por decisão da mulher, conforme proposta da Comissão Tripartite.

Quanto a sua preocupação do aborto vir a ser usado como método contraceptivo, os dados dos países que o consideram uma prática legal - diga-se de passagem a maioria deles desenvolvidos... - apontam pra sua diminuição.

lord_gaucho disse...

Muito interessante esse discurso de que "os países desenvolvidos" fazem isso ou aquilo. Só para lembrar, o uso de drogas é liberado em países na Europa. Sinceramente não sei para onde a humanidade está caminhando, acredito que para o rumo da desumanidade. E encontramos pessoas que defendem essa bandeira a exemplo de voces do "MULHERES EM MARCHA"... defender o assassinato de alguém indefeso, faça-me o favor!

Mulheres em Marcha disse...

Caro "Lord",
Não defendemos assassinato coisa nenhuma, defendemos que as mulheres tenham o direito de decidir se querem dar prosseguimento à uma gravidez indesejada ou não e, caso decidam interrompê-la, que seja com direito à usar o SUS, assim ela não corre o risco de morrer.
O projeto de lei que defendemos fixa o limite do aborto legal em 12 semanas, quando o embrião ainda possue o tamanho de uma ervilha e não desenvolveu o sistema nervoso.
Somos em defesa da vida digna para todos, inclusive para as mulheres reais, aquelas que trabalham, estudam, tem muitas e muitas obrigações (e às vezes alguns filhos já) e que, diante de uma gravidez indesejada, não contam com o apoio do "parceiro" nem da familia. Neste mundo real, a lei não impede que as mulheres recorram ao aborto.