quinta-feira, 31 de março de 2011

Maria, Maria

Peço licença nesse post pois sei que é um tema controvertido, afinal nem todo mundo gosta de Big Brother Brasil. Eu (infelizmente) sou viciada em BBB. Início de ano é selado, todas as terças e domingos são noites emocionantes. Pra quem acompanhou praticamente todas as edições do programa - e ainda por cima é feminista - essa edição superou todas as outras! E aqui não falo de audiência do programa, pois nesse praticamente o BBB se acabou, tendo pouquíssimos picos de audiência e votações incomparávelmente menores do que em outras edições.

Mas algo mudou! Pela primeira vez uma Mulher ganhou o programa por ser mulher! Sim, eu sei, outras mulheres já ganharam o
BBB, Cida e Mara eram mulheres pobres a qual o povo quis fazer justiça social, elas não ganharam pelo que foram(ou se mostraram) no programa , ganharam por sua condição social.

Maria, a vencedora do bbb 11 não! Maria foi tudo o que o machismo condena na mulher. Maria venceu e deu um tapa na cara do machismo!


Nina Lemos: Maria e a revolução da "periguete"

Ela entrou no "BBB" com fama de "garota de programa". Já fez ensaios sensuais para revistas e posou com lingerie. Maria é uma mulher sensual. Maria gosta de sexo. E ela nunca escondeu isso. No programa, se apaixonou por Mau Mau. O cara saiu e, quando voltou, ela estava paquerando outro. Pronto. Foi jogada na fogueira moral: "essa mulher não presta", gritavam os homens em uníssono.

Mulher que assume a sua sexualidade não vale nada. A que banca seu desejo também não. "Joga pedra na Maria, ela é feita para apanhar, ela é boa de cuspir". Aqui, do lado de fora, algumas garotas dizem que ela é legal, mas é "periguete", evidenciando o preconceito que as próprias moças têm contra essa categoria que, na real, ninguém sabe direito o que significa.

Periguete é uma mulher perigosa, "vulgar", que pode ficar com o seu marido. Cuidado! O termo é pejorativo. Mas Maria não parece ser pessoa de ter problema com isso. Pelo o que ela tem mostrado no programa, é bem resolvida. E, como não cansa de repetir, "faz tudo o que quer".

Pois bem. A mesma achincalhada, aquela que não presta, que não tem boa fama e é perigosa, é a favorita para ganhar R$ 1,5 milhão. Se for campeã, será a primeira mulher "periguete" a vencer o programa. As outras duas que já ganharam eram duas mulheres humildes. Fofas. Mas que venceram por serem pobres. O público votou nelas por pena.

De Maria ninguém tem pena. Muito menos agora. Além de finalista, ela tem um namorado, Wesley, que parece não estar nem aí para a sua "fama". Pelo contrário. O sujeito, com os olhos brilhando, promete para ela casa, comida e roupa lavada. E, para o sonho de Cinderela ser ainda melhor, ele é MÉDICO. Aquela profissão com que as mães sempre sonham década após década para um genro.

Tem quem ache que o romance deles é armado. Não importa. Maria talvez nunca saiba disso, mas seu sucesso é um chute no machismo, no falso moralismo e em todos aqueles que usam a expressão "mulher que não presta". A moça, sem saber, fez um pequena revolução. E deixou todos aqueles que a achavam burra e "fácil" perplexos. Não é pouca coisa.

Fonte:
Folha de São Paulo

4 comentários:

giselepdantas disse...

Huahauhauha, Rafa eu sabia que o seu vício em Big Brother não havia de ser em vão!!! =)

(Clau/Ia/Nira/Hera) disse...

gostei!

Mariah Aleixo disse...

É, ela deu um chute no machismo mas por outro lado reafirma o suposto destino natural das mulheres: finalmente acharem o principe encantado! Mas bacana a postagem mesmo assim, o bbb serviu pra alguma coisa hueheueheuhe

Tatiana Oliveira disse...

Gente, não gosto e não assisto BBB. Acho extremamente mercantilizante, pois, literalmente, as pessoas vendem a sua privacidade e se comprometem por contrato com uma porrada de coisas que são desconhecidas do público. É quase um "tudo vale a pena por dinheiro".

Mas milhões de pessoas assistem e não vejo problema de debatermos isso, não. Vcs sabem que sou do tipo que acha que se discute até religião. Com todo respeito, é claro.

Bem, o texto é bem legal (tirando a parte da Cinderela) e acho mesmo que pode ter aspectos positivos na vitória da tal Maria. Já que uma mulher afirmar "fazer o que quer" em rede nacional é bom pra caramba. Maaaaas e quanto a ela cumprir o esteriótipo bonita/burra. E quanto ao termo "Mariou"? Acho que muitas mulheres passaram a ouvir esta expressão nos próximos meses, pelo menos até o BBB 12.

As pessoas vencerem porque são pobres não deixa de ter um aspecto positivo também.

PS. Vi um pedaço da final na casa dos meus pais. kkkk