terça-feira, 19 de junho de 2012

As mulheres e o conhecimento humano.


Gostaria de iniciar uma série de posts com o intuito de relembrar a contribuição das mulheres para a ciência e o conhecimento humano. Estou sempre vendo filmes de homens brancos que revolucionaram a tecnologia, criaram a internet, fizeram toda a modernidade que nós usufruímos agora. Será que isso é a realidade? Faz parte da luta pela igualdade ajudar a reescrever a nossa história, com nossas heroínas e nossas pensadoras, além de nos ajudar a ter novos referenciais... E informação nunca é demais, não é ?!

Hipátia de Alexandria
 Desde a antiguidade temos relatos de mulheres dedicadas às ciências naturais, à filosofia e à medicina. Na idade Média, apesar da cruel recusa de conhecimento às mulheres, muitas desenvolveram estratégias - em conventos e escolas muito restritas - para estudar e desenvolver suas habilidades intelectuais. 

                Mas foi mesmo no século XX que a maioria das universidades abriram espaço para as mulheres, e de forma muito tímida nas áreas de ciencia e tecnologia. Nos Estados Unidos, nos anos 1950 e 1960, nas ciências naturais a participação das mulheres era de aproximadamente 10%, oscilando entre 5% na física e 27% na biologia. Isso não significou reconhecimento, já que dos 851 Nobels que já foram concedidos (como exemplo), apenas 44 foram para mulheres, dos quais 15 Nobels da Paz e 12 de Literatura. Mas podemos observar esse mesmo padrão em qualquer Universidade brasileira, é só fazer a relação entre pesquisadores homens e mulheres, principalmente nas áreas de Ciências Naturais e Tecnologia.

Alguns argumentos, fruto de uma “ciência” discriminatória, são utilizados para justificar essa discrepância, e naturalizar o não-reconhecimento do trabalho da mulher na produção acadêmica. 


Basta ir nas livrarias e encontrar esse argumentos em Best-sellers baseados em “pesquisas”, algumas sérias e mal interpretadas, outras sem nenhum rigor científico. O que essas pesquisas tentam naturalizar é um fenômeno socialmente construído, que tem como pano de fundo ideológico o patriarcado e o machismo.

Qual é o real motivo de as mulheres não estarem inseridas no mundo científico?

Podemos citar alguns motivos para começar....

- Uma socialização voltada para o espaço privado. Meninas devem aprender as tarefas de casa.


- O “aconselhamento” que a família e a escola dão aos meninos e meninas sobre suas escolhas profissionais.



- A DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO.
- O peso do cuidado humano que recai sobre as mulheres e muitas vezes diminui o tempo de trabalho, estudo ou dedicação intelectual.

- A falta de referências em mulheres cientistas que os livros didáticos apresentam.



De cara dá pra ver que a explicação de porque não estamos devidamente representadas no campo da ciência não é tão simples assim... Existe uma série de fatores que impedem que as mulheres alcancem os mesmos patamares de reconhecimento científico, no entanto as personalidades que vamos apresentar aqui são a prova de que o conhecimento deve muito às mulheres !

Curie (outra Nobel de física) disse: "A vida não é fácil para nenhuma de nós. Mas que importa?"  Embora não reconhecidas, as mulheres produzem conhecimento todos os dias, apaixonadas por suas pesquisas. Mas me pergunto o que mais essas mulheres poderiam fazer se pudessem explorar toda a sua capacidade. O quanto mais poderíamos nos beneficiar das suas genialidades?

                Não podemos esquecer também que o conhecimento acumulado da humanidade também foi feito por mulheres não-acadêmicas, que no dia a dia do cuidado com a existência humana desenvolveram técnicas e saberes, que sustentaram a vida e deram ensejo a tecnologias e pesquisas. Essas mulheres são mais difíceis de catalogar, porque são nossas avós, mães, tias, que de forma tradicional e oral transmitem um conhecimento fundamental para a existência.


Esse debate dá muito pano pra manga... e espero que em cada post possamos discutir novos questionamentos...

Um comentário:

Marcos Salvatore disse...

Gostei e compartilhei.